Sempre que passo na rua do IPO fico fascinada com o facto de existir uma Servilusa (que anuncia contratos em vida) mesmo defronte do portão de entrada do hospital, e uma farmácia chamada Marie Curie. Isto é que é dar votos de esperança aos pacientes, caramba.
Da Falta de Bom Senso
tralhasdavida,

E um pouco mais ao lado à uma florista! ( Flores de cheiro e artificiais)
Eu, por acaso, moro perto dessa rua. A farmácia chama-se Marie Curie porque fica na Avenida Marie Curie, 15-A. Será que também teremos que mudar o nome à Avenida? Afinal qual é o problema de a farmácia (e a avenida) homenagearem uma personagem histórica importante?
Quanto às funerárias, elas existem em frente a todos os hospitais por todo o país. Talvez a lei não devesse permitir a instalação de funerárias tão perto dos hospitais, mas a verdade é que permite. E, assim sendo, qualquer empresário é livre de abrir o estabelecimento onde lhe permitem que o faça.
Luís,
É evidente que qualquer empresário é livre de abrir o seu estabelecimento onde muito bem entender. Mas a mim parece-me de extremo mau gosto, a raiar a falta de ética, que o faça defronte do portão (repare que não é na rua ao lado, nem quinhentos metros adiante) de um hospital onde se trata exclusivamente cancro.
É o que se chama marketing agressivo. Demais, no meu ponto de vista.
Quanto à personagem histórica importante, relembro que morreu….de cancro. Claro que não se vai mudar o nome da avenida, mas de repente parece que estamos numa lógica de Fátima, com o restaurante Jacinta e a residencial três pastorinhos. Com diferença de que, em vez de se trazer fé ao coração, oferece-se todo um ambiente hostil a quem está em estado crítico quer do ponto de vista físico, quer do espiritual.
É só isso.
(PS – também há uma loja erótica, umas quantas portas ao lado da Servilusa. Eventualmente distrai alguns pacientes internados quando espreitam pela janela. Nem tudo é mau, vá.)
Marie Curie morreu efectivamente de cancro, mas também descobriu o rádio, essencial para o diagnóstico de muitas doenças e até para o tratamento do cancro.
Se fosse por esse critério, da forma como morreram, homenagear locais com nomes de pessoas ficava problemático. Alguém se importa que o aeroporto do Porto se chame Francisco Sá Carneiro, apesar de o homenageado ter morrido num desastre… de avião?
Os nomes dos estabelecimentos e locais são uma questão de gosto. Já a localização dos mesmos pode ser discutível, mas não é proibida. E entre a loja erótica e a funerária, na perspectiva da vizinhança, não sei qual é a pior. Também há escolas nas proximidades. A Palhavã é uma zona habitacional que não vive apenas em função do IPO.
Isto numa cidade que tem um cemitério dos Prazeres, outro da Ajuda e um terceiro de Benfica e onde existe uma funerária da Boa-Hora.
Sempre pensei que o nome da Avenida Marie Curie tinha alguma coisa a ver com os tratamentos de radioterapia que se fazem no Hospital de Oncologia.
Não vejo qual é o problema.
É útil existirem funerárias junto aos hospitais. Não vislumbro nenhuma razão para ser proibida a localização de funerárias precisamente nos sítios onde mais falta fazem.
O problema é quando se está a falar de escolher o nosso próprio caixão. Não é especialmente apetecível ir levar com uma carga de quimioterapia ao IPO e sair de caras para a funerária.
Não tem nada a ver com proibição, nem há motivos para ser proibido. É só uma questão de respeito.
Não é porivido mas é deprimente.A Autora esclareceu bem.Quando me
vou tratar ao hospital custa-me ver isso.E já “à” anos que o faço.
Pois, é isso mesmo. É muito deprimente. É um soco no estômago.