O Público pronto para despedir amigavelmente até 6 de Janeiro


Patrícia Reis,

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-12-10-Jornal-Publico-abre-programa-de-rescisoes-com-trabalhadores

 

Sim, é triste. Fica a pergunta: quando foi a última vez que comprou o Público? Ou outro jornal diário? Porventura estão, como muitos, rendidos ao on-line. O on-line não é negócio para a comunicação social, é um modelo que ultrapassa a possibilidade de angariar publicidade a determinados valores, as vendas são o que são. Tudo isto é triste, tudo isto é fado, canta-se por aí em noites vadias. Como jornalista, sinto que os tempos estão a mudar, a mudar rapidamente e lembro-me de Fernando Dacosta, há dias em Viseu, a dizer que os jornais perderam-se quando deixaram os escritores escapar, quando terminou o fumo e as bebidas. Rimos e eu até acrescentei as relações amorosas ao menu de ingredientes que faziam os jornais numa outra época, uma época em que os jornalistas eram formados por jornalistas mais velhos (muitos deles escritores). E ter a sorte de cruzar o nosso caminho, quando se é muito novo, com Assis Pacheco, Cáceres Monteiro, Afonso Prata, Helena Sanches Osório, Fernando Dacosta, Natália Correia, Vera Lagoa, Maria Antónia Palla, António Mega Ferreira – para dar alguns exemplos – foi um privilégio meu. Hoje ser jornalista continua a ser tão importante quanto era no fim dos anos 80, quando eu comecei, talvez mesmo mais importante. Não lamentem a morte dos jornais, comprem-nos sff.

8 comentários em “O Público pronto para despedir amigavelmente até 6 de Janeiro”

  1. nem de graça
    essa merda devia ter sido nado-morto
    ‘és jornalista de esquerda, nunca serás um ser humano’

    ‘os novos cães de guarda’

  2. Eu sou dos que tenho andado a comprar jornais e, desde o seu lançamento, poucas edições do Público deixei de adquirir, mas, confesso, desde há bastante tempo que o compro contrariado, tendo em conta a orientação que tem seguido, muitas vezes mais me parecendo um pasquim. Não será também por isso que o Público está a passar mal?

  3. Pra quê comprar jornais se a maior parte dos jornalistas… são comentadores televisivos?

    Já sei se cor e salteado por quem “jogam” politicamente!

  4. Não conheci o Afonso Prata, seria, certamente, um excelente jornalista.
    Recordo um Afonso Praça que escreveu n’ O Jornal e depois na Visão era, também, um bom jornalista.

  5. Um dos piores jornais portugueses. Por vontade desse jornal e jornalistas – que na verdade não passam de políticos – estaríamos na Venezuela ou pior.

  6. É triste quando um jornal que seguimos fielmente se afasta de nós e a ele apenas nos sentimos ligados pela continuada opção pelo bom português (até ver, na verdade, pois as lojas do “patrão” já se renderam à infâmia do AO90 há muito tempo; o que permite admitir o pior, nem que seja como derradeira tentativa de sobrevivência) e pelos textos de um punhado de colunistas (naturalmente não integrando o quadro de jornalistas).

    Triste, mas absolutamente legítimo que assim seja: que o jornal siga determinada linha e que nela nos não sintamos representados. Sucede que para ler meia dúzia de textos de opinião por semana, a assinatura “online” – disponibilizada pelo jornal e paga nos termos em que este o determina -, chega perfeitamente.

    E não me parece razoável pretender que exista uma espécie de obrigação moral na fiel compra de um jornal que continuada e crescentemente propõe uma visão das coisas que se afasta dessa que o leitor toma como sua. Caberá, parece-me, ao jornal conquistar, entre os que seguem tal perspectiva, leitores (compradores) suficientes.

    Isto assente, é evidentemente sempre muito triste, em termos abstractos, ver soçobrar – ou perto disso – mais um jornal. Que os portugueses têm pobres hábitos de leitura, focando o pouco que lêem em publicações e conteúdos bem diversos do Público, parece coisa que dispensa demonstração. É o país e o povo que temos, com a educação, a cultura, a formação que têm.

    E mais me parece um robusto e arrogante círculo vicioso, tudo isso.

    Costa

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