Tentei descrever, no anterior post, aquelas que para mim são as principais diferenças que entre Cavaco Silva e Manuel Alegre e, bem assim, de que forma é que elas interferem na estabilidade e conforto que José Sócrates precisa de encontrar para levar esta legislatura a bom porto. Concluí que, de um ponto de vista de serenidade institucional, Cavaco Silva é um Presidente mais apetecível para José Sócrates do que Manuel Alegre.
Gostava agora de evidenciar de que forma as diferenças entre os dois eventuais candidatos (Cavaco tentando impedir que Sócrates arruíne a economia, Alegre tentando impedir que Sócrates fuja ainda mais do socialismo assistencialista) interferem na imagem que José Sócrates pretende transmitir, e que lhe será útil durante e após a governação.
Ao lado de Cavaco Silva, José Sócrates aparece como o Primeiro-Ministro que resiste em colocar a economia à frente das pessoas e dos seus dramas. Quando enfrenta Cavaco, José Sócrates procura transmitir a imagem de que enfrenta a rigidez e a frieza do Presidente. A sua rebeldia face ao Presidente é em nome das pessoas e pelas pessoas.
Ao lado de Manuel Alegre, José Sócrates aparecerá, precisamente, no papel a que José Sócrates pretende encostar Cavaco. Enquanto autoproclamado verdadeiro representante do socialismo, Alegre pressionará Sócrates para um conjunto de reformas e medidas que nem mesmo Sócrates pretende assumir. Será ele a representar a frieza e o rigor dos números e será Alegre a representar o humanismo socialista.
Ao lado de Cavaco, José Sócrates é um socialista. Ao lado de Alegre, José Sócrates é um trânsfuga. Se o Governo e o Presidente continuarem a ser olhados, na análise dos portugueses, em conjunto, José Sócrates sai, para aquilo que lhe interessa, mais favorecido na fotografia com Cavaco do que com Alegre.
(continua)


