Politização da Justiça (pelos próprios)* (2)


Adolfo Mesquita Nunes,

* no seguimento do que escrevi aqui.

 

Face às últimas notícias (e o mais que está para vir…) sobre os esconsos negócios e as equívocas ligações financeiras de Dias Loureiro, o Presidente da República mantém a confiança pessoal e política no seu conselheiro institucional (que tão precipitadamente avalizou em público)? (Vital Moreira em Dezembro de 2008, quando as notícias e o mais que está para vir eram sobre um dos "outros"). 

 

Há limites para tudo, incluindo para a capacidade de um político suportar uma campanha suspeitas e acusações sem nenhuma prova, que põem em causa a sua honorabilidade política, ainda por cima quando não goza de igualdade de armas para as contraditar. (Vital Moreira em Janeiro de 2009, quando as notícias e o mais que está para vir eram sobre um dos "dele").

Politização da Justiça (pelos próprios)* (1)


Adolfo Mesquita Nunes,

* no seguimento do que escrevi aqui.

 

O que é que pode levar um Ministro do Ambiente a autorizar, com o Governo demitido e quatro dias antes das eleições, o massacre de uma floresta de sobreiros (espécie protegida), para viabilizar um projecto imobiliário de milhões de euros? Era demasiado forte o cheiro a esturro… (Vital Moreira em Maio de 2005, quando a decisão era do governo dos "outros")

 

Ainda dizem que a Administração Pública é lenta! Mentira aleivosa! Qual Lucky Luke, ela pode ser mais rápida do que a própria sombra, se adequadamente "motivada"! (Vital Moreira, ainda em Maio de 2005, quando a decisão era do governo dos "outros")

 

Um dos mais desonestos argumentos no caso Freeport respeita a uma suposta celeridade anormal na concessão da declaração de conformidade ambiental que finalmente permitiu a construção do empreendimento.  (…) há que concluir que a demora adicional de dois meses para verificar isso não é "anormalmente célere", mas sim excessivamente lenta (sobretudo tendo em conta a grande duração que o processo já levava acumulada e a enorme importância desse investimento estrangeiro, em termos de dinamização económica local e de criação de emprego)! (Vital Moreira em Janeiro de 2009, quando o governo é dos "dele").

Mudam-se os tempos


Adolfo Mesquita Nunes,

Manuela Ferreira Leite tem de facto alguma razão de queixa pela forma como a comunicação social tem tratado a sua liderança no PSD, quer porque realça as opiniões dos críticos, quer porque desconsidera alguma da sua acção política.

 

Mas ao contrário do que a sua parca memória parece sugerir, a indiferença perante as suas propostas (talvez porque as mesmas não sejam muito diferentes daquelas que vêm do Largo do Rato) é coisa pouca perante a forma como, também pela mão de Ferreira Leite, foram tratadas as lideranças de Santana Lopes, Luis Filipe Menezes e até de Marques Mendes.

 

E muita sorte tem Manuela Ferreira Leite em ter Pedro Passos Coelho como crítico, uma vez que a actuação deste, ao luso estilo de chove mas não molha, tem respeitado a figura da Presidente e, bem assim, o seu campo de acção. Já o mesmo se não pode dizer da forma como os anteriores Presidentes do PSD viram a sua liderança ser desafiada, tantas vezes vendo a sua própria honorabilidade e capacidade intelectual postas em causa.

 

Este estado de desordem no PSD, em que ninguém respeita ninguém, e muito por culpa dos "credíveis" encartados, resulta da forma como o PSD lidou com o último Governo por si liderado (e não falo, evidentemente, da oposição que podia e devia ser feita ao Governo, mas à forma como a mesma foi feita). E não deixará de ser irónico quando, daqui a uns anos se fizer a história do PSD, se vir que esse foi o princípio do fim.

A antecipação do ano político


Adolfo Mesquita Nunes,

O ano político de 2009 começou verdadeiramente em Dezembro de 2008, com a mensagem presidencial de Cavaco Silva acerca do Estatuto dos Açores. O vigor da sua argumentação e a especial violência da sua apresentação aconselharam o Governo a antecipar um discurso que planeava apenas utilizar um pouco mais perto das eleições.

 

Na verdade, como há muito se percebeu, o Governo pretende, ao contrário do que é normal, utilizar esta crise como motor para a segunda maioria absoluta.  Na convicção de que o desnorte da oposição à direita e a irresponsabilidade da oposição à esquerda afastariam os eleitores, os socialistas convenceram-se de que, em tempos de crise, e com um discurso seguro e estatista, a única alternativa credível para o eleitor seria mesmo o PS.

 

Foi por isso mesmo que José Sócrates negou a crise até mais não poder, levando mesmo a Lusa a não admitir a palavra estagnação nos seus takes. Na verdade, dava-lhe jeito fazer desta crise um evento internacional a que Portugal, infelizmente, lá para Abril ou Maio, descobriria não ter conseguido ficar imune, mas que só a destreza do Governo teria conseguido atrasar. E só isso justifica que um Ministro das Finanças de um país da União, como Portugal, seja incapaz, em Setembro, de prever, mais que não fosse à cautela, o que viria a passar-se em Dezembro.  

 

A mensagem de ano novo do Presidente da República – que se substituiu a uma oposição que manifestamente o desrespeitou – veio, no seguimento da questão dos Estatuto dos Açores, inviabilizar a estratégia do Governo. O Presidente veio colocar o Governo no centro da crise. Ela está aí e há que actuar. Daí que, na entrevista de ontem de José Sócrates, que sumariamente analisei n’A Arte da Fuga, o Primeiro-Ministro tenha vindo assumir a crise. Cavaco Silva impediu-o de se fazer passar por distraído e obrigou-o a apresentar-se ao eleitorado com o discurso seguro, determinado e cheio de ideias optimistas que apenas tencionava apresentar a meio do ano.