Começa a haver quem se queixe da hiperactividade da oposição parlamentar aos socialistas e nela encontre um factor de perturbação da governabilidade. E são essas queixas que nos recordam o quão pouco tempo levamos de democracia.
É que a actual competição pelo prémio ‘eu sou mais oposição do que tu’, pese os excessos motivados pela descoberta das virtualidades parlamentares após 35 anos de oposição pífia e retórica, mais não constitui do que a normal decorrência do que devem ser os trabalhos parlamentares.
E se é certo que o tom da oposição é proporcional à arrogância de que foi vítima na anterior legislatura, havendo nela um tom revanchista que seria dispensável, não menos certo é de que não nos podemos dar ao luxo de dispensar os deputados que, por fim, perceberam para que serve o parlamento e apreenderam quais os propósitos da oposição.
Aliás, só com oposição activa e militante é possível obrigar o governo, este ou qualquer a outro, a abandonar a estratégia, muito em voga por estes cantos, de transformar a prestação de contas ao parlamento, e através deste ao país, num proforma sem significado.
A oposição parlamentar limita-se, pois, a fazer o seu trabalho, obrigando o PS parlamentar a fazer aquilo que há muito não estava habituado – trabalhar em vez de aplaudir – e obrigando o governo a prestar contas sobre o que anda a fazer ao invés de distribuir boutades a torto e a direito contra a oposição.

My thought’s the same.
Inteiramente de acordo contigo, Adolfo. E em particular com este parágrafo: “Aliás, só com oposição activa e militante é possível obrigar o governo, este ou qualquer a outro, a abandonar a estratégia, muito em voga por estes cantos, de transformar a prestação de contas ao parlamento, e através deste ao país, num proforma sem significado.”