A recente estratégia de confronto com o Presidente da República que José Sócrates empreendeu tornou-o frágil perante os sucessos e vitórias de Cavaco Silva.
Na verdade, José Sócrates não precisava, para a sua consolidação política, de derrotar um Presidente da República na sua recandidatura, conhecidas que são as taxas de popularidade dos Presidentes recandidatos. De certa forma, uma postura de alguma indiferença perante o resultado (semelhante, mas para melhor porque mais consistente, à de Cavaco Silva aquando da reeleição de Soares) beneficiaria a postura institucional de um Primeiro-Ministro que precisa de negociar para governar e permitir-lhe-ia não ter que enfrentar nestes conturbados tempos mais um combate.

No entanto, no pé em que as coisas estão neste momento, uma vitória de Cavaco Silva é já uma derrota para José Sócrates, pelo que o Primeiro-Ministro terá de empreender esforços e tempo e disponibilidade para o combate eleitoral presidencial. Tudo o que o país não precisava.
Apesar de tudo, a entrada em combate de Sócrates poderia trazer-lhe vantagem se o PS dispusesse de um candidato que, podendo ganhar, de alguma forma garantisse um conforto institucional ao Governo para governar em minoria e no sentido mais próximo ao que está previsto no seu Programa. Mas o PS só tem, até ao momento, Manuel Alegre. E Manuel Alegre garante tudo menos conforto institucional ao Governo. (continua)

Tens toda a razão, Adolfo. Obviamente, Manuel Alegre garante tudo menos conforto institucional ao Governo. Mas como também já escrevi Sócrates está fortemente condicionado nesta matéria: como em quase tudo o resto, dispõe hoje de muito menos margem de manobra do que tinha em 2005. A estratégia presidencial do PS será o que Alegre decidir.
É verdade Pedro. Mas Sócrates contribuiu, e muito, para a necessidade de o PS ter um cadidato presidencial.
Tivesse o relacionamento com o PR sido outro e José Sócrates e parte do PS poderiam mesmo colocar em causa a necssidade de uma aposta tão forte nas Presidenciais. O próprio Alegre, sentindo a boa relação, poderia fazer da sua campanha, uma vez mais, o grito da esquerda esquecida.
Mas neste momento Sócrates já não tem qualquer espaço para defender a paz com Cavaco.