O comentário da semana


Pedro Correia,

 

"Enfim! Desde o caso do New Yorker que eu não dou para o peditório desta cientista. Tenho para mim que as regras do bem viver deixam a senhora na sala e a outra na cama. Quando a outra sai do quarto é o que se vê.

Tivessem estas fotografias sido expostas há mais tempo e eu teria tido um problema resolvido. Perguntava-me, há dias, um aluno qual a diferença entre pornografia e erotismo e eu lá deambulei entre eruditas concepções: com estas imagens seria fácil a explicação. A pornografia pode bem ser um despudorado mau gosto que nem carece de ser explícito.

Outra coisa me intriga: o fotógrafo dos êxtases foi o marido. Ora se o Código Civil diz que o marido se presume o pai dos filhos nascidos na constância do casamento, logo é-me lícito supor que o responsável pelos êxtases ocorridos na constância do casamento é o marido. Assim sendo, as vistas ora expostas foram tomadas em directo e ao vivo. Sempre supus que o homem dos sete instrumentos era um mito rural. Pelo vistos o homem de dois instrumentos existe mesmo.

E os filhos de CPC? Que sentirão ao ver a mãe nestes extáticos preparos?"

 

Da nossa leitora Ivone Costa. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

7 comentários em “O comentário da semana”

    1. Pois não. Até porque, independentemente de umas fotos desgarradas que surgiram na net, não vi a exposição nem tenho intenção de organizar uma excurção para o efeito.
      Quanto mais não seja, a ideia pode ter tudo, menos originalidade:
      . Roger Vadim descascava melhor as suas mulheres na tela: Brigitte Bardot (“E Deus criou a mulher”) e Jane Fonda (Barbarella). E nem me comparem a CPC com qualquer uma delas.
      . A escultura de Cicciolina e seu marido em pleno acto é bem mais explícito e assumido.
      . Quem se lembra do início do filme Blow Up (A história de um fotógrafo) de Antonioni dos anos 60? Querem mais semelhanças?
      . E já agora, aquela curta-metragem de Andy Warhol, preservada pelo The Museum of Modern Art de NY, de nome “Blowjob”, onde se mostra em grande plano um actor submetido a sexo oral. A semelhança é tão grande que até nem falta um cigarro a ser fumado.
      Não sou puritano, mas também concordo, não havia necessidade.

  1. O acto sexual é, para a espécie humana, o mesmo que para a maioria das outras espécies, ou seja, é o garante da continuação da espécie, da evolução. É portanto, o mais primitivo e natural acto.
    Sendo então esse acto o mais natural, era supostamente natural que não existissem tantos tabús, preconceitos, dúvidas. Ainda para mais, tendo Nós a capacidade de ter prazer, vontade, gosto no acto sexual. Fazêmo-lo a maioria das vezes, durante as nossas vidas, não para procriar, mas para nos dar prazer. Há unanimidade em afirmar que há algumas outras espécies que o fazem também por gosto por sentirem também prazer.
    Faz-me por isso alguma comichão nos neurónios, poucos, vão dizer-me alguns de certeza, que estas fotos possam ser de mau gosto, ofensivas ou pornográficas.
    O orgasmo feminino (existe, Senhoras, existe) é quanto a mim, o mais maravilhoso momento que uma Mulher pode proporcionar a quem o presencia e a ela própria. O nascimento de outra vida, de um filho, é a consequência Natural desse acto, ficando portanto, na minha perspectiva mais uma vez, no lugar a seguir nos inúmeros momentos maravilhosos com que a Mulher nos presenteia ao longo da vida.
    Bem sei que para muitos homens, mesmo nas sociedades mais liberais, a demonstração de prazer numa Mulher é sinónimo de leviandade. A mulher que se tem em casa é “séria”, não faz nem pode deixar fazer certas coisas.
    Logo, um orgasmo é coisa que nunca saberão o que é. Infelizmente.

    Imagino que a maioria achará que CPC estava necessitada de alguma promoção mediática e quis dar nas vistas.
    Pois eu acho que este é um grito de libertação, de vitória, de revolta até e que o faz em nome de todas as Mulheres que pelos mais diversos motivos são impedidas de desfrutar a mais maravilhosa sensação de prazer que os sentidos podem experimentar.

    É pena que sejam as próprias Mulheres a repugnar aquilo que lhe deveria ser mais querido.

    Os filhos, devem aprender com os pais.
    O passado teria tido um futuro mais feliz e maravilhoso.

    1. Sendo este acto um grito de libertação de vitória e revolta, sugeria que o mesmo fosse feito á vista de todos, por exemplo num corredor de um Centro Comercial, afinal tratando-se de uma arte fantasticamente inovadora entre uma ida ao supermercado para comprar um shampoo e a compra de uns sapatos, as mulheres poderiam dar-se conta desta arte que lhes é tão ” querida “.
      Aliás perdoe-me, mas até lhe sugeria que fizesse essa excelente proposta a uma das mulheres que lhe estão mais próximas, por exemplo, a esposa, namorada, ou filha…já não digo mãe, porque respeito sempre a geração de trás.
      E já agora, se as mulheres estão pouco á vontade com estas exposições ( o que é diferente de repugnante )já pensou que talvez o Toze esteja muito ” adiantado “?
      Entendo que preze muito o ” trabalho ” da CPC, mas deveria respeitar também as opiniões das senhoras que não gostam, ou não?
      E não me venham com a história que é “Arte “, tenha lá paciência!

      1. Não me sinto muito “adiantado”, acho é que muita gente se deixa ficar para trás, por isso já vem muitos anos atrasado(a)? na sugestão. E por acaso, ate são bem mais bonitos, modéstia à parte, pois sendo todos maravilhosos, há uns mais maravilhosos que outros, claro.
        Se a minha mãe não sabe o que isso é, tendo ficado viúva muito nova e optando por não refazer a vida, a infelicidade dela será ainda maior, não acha?

        Se se pudesse “aprender” num centro comercial, muita coisa mudava e comentários do género; “Não acredito que andei estes anos todos na ignorância”, e outros parecidos, deixavam de existir.
        E tenho, tenho muita paciência.

    2. Sr. Canaveira, há aqui um pormenorzito que me parece não ter entendido. Afirma: “Bem sei que para muitos homens, mesmo nas sociedades mais liberais, a demonstração de prazer numa Mulher é sinónimo de leviandade. A mulher que se tem em casa é “séria”, não faz nem pode deixar fazer certas coisas.”
      A demonstração de prazer numa mulher não é sinónimo de leviandade, a exposição pública da expressão desse prazer é que é uma leviandade.
      Afirma também: “A mulher que se tem em casa é “séria”, não faz nem pode deixar fazer certas coisas.” Meu caro senhor, as mulheres fazem todas as coisas e as coisas certas. Só não pedem ao marido que as fotografe para mostrar aos vizinhos.
      Nada, em todo este assunto, tem a ver com sexo. Tem a ver com a intimidade.

  2. Pedro, com as devidas diferenças e efeitos, esta ” fantástica ” arte, fez-me lembrar o episódio do pobre cão em exposição na Nicarágua, enquanto agonizava de fome, preso por um cordel á parede. Nada como fugir á fantasia e mostrar o real.

    Não acho que a pretensão deste fotografo seja muito diferente da do Habacuc , afinal o que todos procuram mesmo é protagonismo. O que se seguirá? por exemplo a CPC a tratar da higiene íntima?

    Atenção que o que estou comentando é o acto de fotografar e mostrar, situações íntimas das pessoas, nada mais, na verdade não gostaria nada de ver a senhora minha avó, em fotos de êxtase desta natureza, mas se calhar já sou uma ” cota “…

    Agora, esta senhora tem um problema grave em relação ao ” inédito “, uma má interpretação, sei lá…

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