Espanha é agora o último bastião socialista da Europa continental civilizada. Boas notícias.
No pasarán!
josegomesandre,
Espanha é agora o último bastião socialista da Europa continental civilizada. Boas notícias.
Manuel Alegre diz que “curiosamente” os “responsáveis” pela crise económica estão a ganhar eleições por todo o lado. Pois. Se calhar é porque os “responsáveis” são outros.
A diferença entre PS e PSD até nem é assim muito grande.
Louçã está em muito maus lençóis.
Em semana de grandes discussões políticas, fica a recomendação de um blogue muito sagaz nestas matérias. Vira à Direita – como provavelmente o país – e é sobretudo um espaço onde se pensa e escreve bem. É o Quarta República.
Desde o “Código Da Vinci” que não via tanto entusiasmo por coisa tão inócua. A nova música dos Deolinda já serviu para centenas de textos, mobilizações e “reflexões”, e parece que há quem lhe chame “hino” não-sei-do-quê. Se não chegasse a instrumentalização que dela fez a extrema-esquerda para me desinteressar, bastar-me-ia a pobreza do objecto em causa, que alude a problemas vagos e não se esforça por apontar uma única saída. Para “hino”, convenhamos que é pouco.
Pior: em meia dúzia de versos, consegue promover uma ideia absolutamente errada e de consequências devastadoras (se alguém insistir em levar isto a sério): que não vale a pena estudar. Já nem falo do “problema filosófico” da questão, ficando-me meramente por uma informação estatística: em Portugal (e em praticamente todas as democracias ocidentais), os licenciados têm mais facilidade em encontrar emprego que os não-licenciados e têm melhores salários que estes, especialmente no mesmo grupo demográfico. Isto não é uma “reflexão”. É um facto.
Ainda se fosse só essa, não estávamos mal. O pior é a colecção de opiniões numa “notícia” supostamente imparcial (bolds meus): “Cavaco [surpreendeu] pela agressividade. Uma táctica de debate que procurou inverter a atitude defensiva e autojustificativa que adoptou face aos outros candidatos. De forma paternalista, acusou Alegre de mentir e de não estar informado.”
“Já Alegre surpreendeu pela forma elegante com que ignorou a crispação de Cavaco e como nunca se irritou. E apenas foi dizendo que Cavaco lidava mal com as críticas e com opiniões políticas diferentes. […] A divisória ideológica entre os dois principais candidatos foi a marca do confronto mais político do ciclo de debates. E foi chamada à colação por Alegre ao assumir-se como senhor de uma “visão mais aberta” e “progressista”[…]”
“Esta divisão manifestou-se depois no papel do Estado e do Presidente face aos mercados e à crise económica. Em que Alegre defendeu a necessidade de o Presidente ser uma voz activa de defesa dos interesses de Portugal e em que sustentou ainda a necessidade de que sejam revistas as soluções para a crise pelos dirigentes políticos da Europa, já que se trata de um problema político.” […] “E [Cavaco] irritou-se mesmo quando Alegre o colou a soluções assistencialistas de combate à pobreza que põem em causa e têm como fim “esvaziar” os serviços públicos“.
A maioria das pessoas gosta do Natal porque pertence a dois grupos plenamente reconciliados com a época: os crentes (que o festejam com maior ou menor religiosidade) e os secularistas (que se apropriaram do evento religioso, conferindo-lhe contornos puramente laicos e transformando-o numa grande celebração do real, da matéria e – curiosamente – da família). Os primeiros constroem presépios, vão à Missa do Galo e recolhem-se em oração. Os segundos invadem os centros comerciais, embrulham e etiquetam presentes, ornamentam árvores e enviam MMS com renas e céus estrelados.
Resta um pequeno grupo, de quem Dante parecia falar quando escreveu “os lugares mais quentes do Inferno estão reservados para aqueles que, numa época de grandes desafios, mantenham a sua neutralidade”. Falta-lhes a crença para celebrarem o nascimento de Jesus e o entusiasmo materialista para festejarem o mito da modernidade. Sobra-lhes, pois, o Inferno – não a punição numa vida futura a que aludia o mestre florentino, mas o castigo de viver todos os dias de Dezembro como proscritos.
Que os preconceitos ideológicos não vos afastem deste documentário (nas últimas semanas de exibição), uma vez que se trata de um filme imprescindível. Trata-se de uma crua e acutilante tentativa de descrever as causas da grande crise económica e financeira da actualidade, nomeadamente a partir do seu epicentro: os Estados Unidos.
Registe-se que sou um social-democrata com pouquíssima propensão para hostilizar a priori banqueiros e instituições financeiras, que não vejo qualquer falácia ou incorrecção moral no desejo de enriquecer e sou um fã absoluto do sistema político e da cultura norte-americanas.
Mas nada disto obsta a reconhecer alguns factos indesmentíveis desta película, que ajudam a perceber o que aconteceu e o que está de essencialmente errado na nossa sociedade e organização político-económica. A saber: 1) os efeitos perversos de uma absoluta desregulação do sistema financeiro (uma coisa é não acreditar numa “economia de Estado” – o meu caso – outra é defender a total ausência de supervisionamento); 2) a irresponsabilidade dos administradores de grandes empresas, quer na forma como jogaram (e como jogaram!) com as poupanças das pessoas num insano casino, quer no modo como se mantêm à margem de qualquer “mea culpa” ou responsabilidade criminal; 3) a execrável promiscuidade entre CEOs, conselheiros económicos, académicos, políticos e “financial gamblers”. E isto é só a ponta do iceberg…
Em dia de eleições americanas, a TVI24 faz uma edição especial do “Combate de Blogs” dedicada ao tema, entre as 0h30 e as 2h. Eu e o Nuno Gouveia (com quem partilho o “Era uma vez na América”) estaremos em directo a debater os resultados e o significado desta eleição, juntamente com Miguel Morgado, Filipa Martins e Nuno Ramos de Almeida (modera Filipe Caetano).
À falência moral (registada há largos meses) este Governo junta agora a sua própria falência técnica. As notícias sobre o absoluto descontrolo das contas públicas revelam uma incapacidade tão gritante que só o mais fanático socialista pode ainda confiar nas capacidades de Teixeira dos Santos & Ca. para resolver qualquer desafio político-financeiro. E falar de negociações e de compromissos com esta gente é o mesmo que dialogar com uma porta: serve para passar o tempo, mas não leva a lado nenhum.
Manuel Alegre.
…discute-se o modo de eleição do Senado. Escolha dos parlamentos estaduais ou eleição popular directa? Reforçar a dimensão federal do sistema (em que o Senado representa os Estados e não o “povo” dos mesmos) ou preservar a democraticidade do modelo político americano? Simpatizo formalmente com a primeira opção, mas inclino-me por razões “práticas” para a segunda. Explico o caso no Era uma vez na América.
A política norte-americana é uma antiga e mui confessada paixão. Em inglês escrevem-se toneladas de posts sobre o assunto. Na língua de Camões, nem por isso. Mas há quem o faça e bem. É o caso do João Luís, que vai mantendo a sua Máquina Política bem oleada…
Acho que estamos conversados sobre a qualidade, isenção e rigor da Agência Lusa.
Pela primeira vez na vida, decidi alugar um carro num país estrangeiro. Recomendo vivamente. Fica-se com a oportunidade de sair da “zona de conforto”, abandonar os centros urbanos e perdermo-nos em regiões tipicamente fora da rota “turística”. Conhece-se melhor o país, a cultura, os costumes e a paisagem.

Dispondo de apenas um dia para a aventura, não saí da Zelândia (a ilha onde se situa Copenhaga), mas ainda deu para fazer 300 quilómetros bem prazeirosos. Fui a Helsingor, onde se situa o Kronborg Slot, que acolhe a acção do Hamlet (e que Shakespeare nunca visitou). Passeei pela belíssima costa junto ao mar Ore, repleto de parques, villas e um excepcional museu de arte contemporânea (o Louisiana). Descobri Roskilde, portentosa cidade milenar, onde outrora os vikings se estabeleceram (existe por lá um grande museu com barcos vikings originais) e onde hoje se encontra a maior catedral de tijolo do Norte da Europa (belíssima). E ainda deu para a pitoresca Koge (centro medieval excepcional) e as rochas calcárias de Stevns Klint, antes do regresso à capital.
Infelizmente, nem tudo foram rosas. Os dinamarqueses são um desastre ao volante, precisamente porque cumprem as regras em demasia. Estes olhos que a terra há-de comer viram BMW’s a 40 km/h em estradas planas e novinhas em folha. Este vosso escriba percorreu em fila longos troços porque ninguém ultrapassava tractores, não fosse o diabo tecê-las. É toda a gente tão bem comportadinha que dá vontade de desatar aos berros e conduzir embriagado. Não podendo correr tal risco, fiquei-me por uma pequena diabrura: nada como estacionar ilegalmente e receber uma multa para me sentir um pouco mais tuga, um pouco mais humano. Pena ter-me ficado cara a rebeldia…
Há uns dias, dizia-me um amável comentador ser Copenhaga “a cidade perfeita”. Estaria disposto a corroborar esta opinião, não fossem dois pormenorzinhos: o clima e os preços. O clima dinamarquês prima pela diversidade: o céu pode ter nuvens escuras, nuvens muito escuras ou estar negro como breu; a chuva oscila entre miudinha, regular ou diluviana; a temperatura situa-se estavelmente entre os 16 e os 22 graus. Também há períodos de sol aberto, com a duração máxima de meia hora. E isto em pleno verão (nem quero imaginar um inverno copenhaguense). Se isto não é o purgatório climático, não sei o que possa ser.

A esta nota negativa juntam-se preços calamitosos. Desde logo, é uma maçada ser necessário converter coroas dinamarquesas para euros. Com a taxa de câmbio em 1=7.53, requerem-se extensas capacidades matemáticas para sobreviver em Copenhaga. Uma vez feitas as contas, os resultados são invariavelmente desastrosos. O custo de vida é, no mínimo, o dobro dos hábitos lusitanos. Não se janta por menos de 30 euros, os transportes públicos são caríssimos (3,5 euros é o preço mínimo de uma viagem de metro), as entradas em museus, parques e outros locais de interesse anda sempre pelos 15 euros, uma coca-cola numa esplanada fica à volta dos 5 euros. Entrei em pânico quando descobri que não há café (chamemos assim a uma zurrapa de tez escura servida numa chávena pequena) por menos de 4 euros. E quase desmaiei ao verificar a conta do hotel…

Andando um pouco para Norte, encontramos aprazíveis jardins públicos e encantadores palácios reais, bem apresentados e com valiosos conteúdos. Por vezes têm aquele tom excessivamente de “conto de fadas”, mas antes um castelo mais ou menos piroso, repleto de mostras de porcelana chinesa, do que estatelar o olhar num muito português “estamos fechados ao almoço” ou encontrarmos trancas à porta, imaginando que o edifício está encerrado por falta de verbas para abrir ao público.

A estética urbana, embora claramente devedora da arquitectura holandesa, é apelativa e está muitíssimo bem preservada, sendo disto prova o magnífico Nyhavn (a zona do porto antigo). Local de peregrinação, a convidar à foto e a uma estadia demorada. Retemperadas forças, é hora de rumar aos célebres Jardins do Tivoli, local dificilmente classificável. Imaginem um espaço gigantesco no centro de uma capital europeia onde podemos, simultaneamente, ouvir um concerto de jazz ou uma super-produção pop, comer as mais oleosas bifanas ou jantar em restaurantes finíssimos, andar na montanha russa ou alimentar carpas num repousante lago. E agora, juntem-lhe um pagode chinês, dezenas de casas de diversão, carrosséis, um barco pirata e um palco onde decorre um espectáculo de pantomima. É um nadinha surreal – mas igualmente divino…
Nove anos depois, voltei a ter vontade de saltitar de cidade em cidade, em vez de me limitar ao mais tradicional (one) city-break. Infelizmente, já passaram também 14 quilos e adquiriram-se, pelo caminho, hábitos burgueses (quem for capaz de dormir em comboios do Leste, levante o braço) que dificultam tal projecto. “No meio está a virtude”, digo para comigo. Faça-se portanto um mini-inter-rail, que contemple ao menos o prazer de acordar mais do que uma vez num país diferente – na comida, na moeda, na língua, no cheiro. Eis o programa: voar até Copenhaga (esqueçam o Sud-Express), visitar a cidade, alugar um carro e espraiar-me na Dinamarca, meter-me num comboio para Hamburgo (tem de haver uma parte sobre carris, certo?), espreitar Lübeck e terminar em Berlim. Dez dias, se o estômago e a carteira aguentarem. Sounds right?