Pela primeira vez na vida, decidi alugar um carro num país estrangeiro. Recomendo vivamente. Fica-se com a oportunidade de sair da “zona de conforto”, abandonar os centros urbanos e perdermo-nos em regiões tipicamente fora da rota “turística”. Conhece-se melhor o país, a cultura, os costumes e a paisagem.

Dispondo de apenas um dia para a aventura, não saí da Zelândia (a ilha onde se situa Copenhaga), mas ainda deu para fazer 300 quilómetros bem prazeirosos. Fui a Helsingor, onde se situa o Kronborg Slot, que acolhe a acção do Hamlet (e que Shakespeare nunca visitou). Passeei pela belíssima costa junto ao mar Ore, repleto de parques, villas e um excepcional museu de arte contemporânea (o Louisiana). Descobri Roskilde, portentosa cidade milenar, onde outrora os vikings se estabeleceram (existe por lá um grande museu com barcos vikings originais) e onde hoje se encontra a maior catedral de tijolo do Norte da Europa (belíssima). E ainda deu para a pitoresca Koge (centro medieval excepcional) e as rochas calcárias de Stevns Klint, antes do regresso à capital.
Infelizmente, nem tudo foram rosas. Os dinamarqueses são um desastre ao volante, precisamente porque cumprem as regras em demasia. Estes olhos que a terra há-de comer viram BMW’s a 40 km/h em estradas planas e novinhas em folha. Este vosso escriba percorreu em fila longos troços porque ninguém ultrapassava tractores, não fosse o diabo tecê-las. É toda a gente tão bem comportadinha que dá vontade de desatar aos berros e conduzir embriagado. Não podendo correr tal risco, fiquei-me por uma pequena diabrura: nada como estacionar ilegalmente e receber uma multa para me sentir um pouco mais tuga, um pouco mais humano. Pena ter-me ficado cara a rebeldia…

A autonomia do rent-a-car compensa o preço. Fiz isso algumas vezes sem me arrepender. A melhor de todas talvez tenha sido Singapura e a costa Oeste da Malásia, de Sul para Norte, com várias paragens e hotéis pelo caminho (incluindo Malaca e Kuala Lumpur).
Acho que tens de iniciar o teu “notas de viagem”, João! Singapura? Malásia? Oh, the joy!
Já serão mais memórias do que notas de viagem, José.
Que sorte a tua teres conseguido ver o castelo, é que quando cheguei a Elsinor pôs-se um nevoeiro tão denso que não consegui ver nadinha. Acontece-me com frequência, estive três dias sem conseguir ver o Cristo Redentor no Rio e quando fui a Chichén Itzá choveu copiosa e furiosamente, sem dó nem piedade.
Concordo que de carro se vê mais e de forma diferente mas ainda não me aventurei a alugar carro num país estrangeiro.
Mas convenhamos: Elsinore (ou Helsingør) sem brumas não tem o mesmo encanto. Nem é devidamente shakespeariana.
Lá isso é verdade e sempre me valeu um post na altura 🙂
Já vi que o nevoeiro te atormenta…! Mas deixa lá, eu não apanhei nevoeiro mas tive chuva que deu para o resto do ano…
Tens de experimentar o carro. Já estiveste pelo menos dentro de um Trabant, que eu vi no Facebook! 🙂
Eu e tempo cinzento e invernoso não nos damos bem, mas abro uma excepção para quando viajo. No entanto, convém que quando nos deslocamos a um sítio para o ver, ele se mostre e se deixe ver;-)
Não só estive dentro de um Trabi como o conduzi pelas ruas de Berlim e foi excelente, embora ele seja ronceiro. Quando lá voltar vou fazer o mesmo 🙂
Então aqui vão conselhos gratuitos de quem usa e abusa da Avis: os cartões «frequent flyer» dão bons descontos; ao alugar pela net qdo chega ao aeroporto de destino já tem o carro à espera e pode devolvê-lo com o mesmo conforto e custa menos; o melhor país pª alugar carros é a Alemanha porque tem a melhor relação qualidade/preço, além de eficácia e profissionalismo totais, e a posição geográfica dos hubbs da Alemanha permite gerir avião com andar pª todo o lado rapidamente. Vá, pª Inglaterra a coisa é muito mais complicada mas aí usa-se o comboio (que tb é mto bom de usar na Europa ocidental).
Usei algumas vezes no Oriente o sistema fly drive, que me parece idêntico: companhia aérea e Avis. De preferência, com hospedagem ao longo do percurso estudada sem apertos (distâncias, estado das estradas, etc.) e marcada previamente.
Obrigado, vou tomar em consideração valiosos conselhos 🙂 Na inglaterra é melhor nem tentar. Aquela coisa do volante ao lado é de loucos!
Era a vantagem de Macau e Hong Kong, José. Qualquer dos lados passa a ser bom para o volante.