Notas de viagem (1)


josegomesandre,
Com vinte anos fiz um inter-rail. Munido da arrogância – e da ingenuidade – próprias da idade, fiz-me à estrada (ou melhor, aos carris) e visitei meia Europa. Que me lembre, passei por Paris, Frankfurt, Praga, Cracóvia, Budapeste, Bratislava, Viena, Salzburgo, Veneza, Florença e Siena. Gastei dois anos de poupança, comi sandes mistas até ficar mortalmente enjoado de queijo, dormi em hotéis de uma estrela, fui assaltado três vezes. E ganhei uma companhia para a vida.

 

Nove anos depois, voltei a ter vontade de saltitar de cidade em cidade, em vez de me limitar ao mais tradicional (one) city-break. Infelizmente, já passaram também 14 quilos e adquiriram-se, pelo caminho, hábitos burgueses (quem for capaz de dormir em comboios do Leste, levante o braço) que dificultam tal projecto. “No meio está a virtude”, digo para comigo. Faça-se portanto um mini-inter-rail, que contemple ao menos o prazer de acordar mais do que uma vez num país diferente – na comida, na moeda, na língua, no cheiro. Eis o programa: voar até Copenhaga (esqueçam o Sud-Express), visitar a cidade, alugar um carro e espraiar-me na Dinamarca, meter-me num comboio para Hamburgo (tem de haver uma parte sobre carris, certo?), espreitar Lübeck e terminar em Berlim. Dez dias, se o estômago e a carteira aguentarem. Sounds right?

16 comentários em “Notas de viagem (1)”

    1. Obrigado, caro João! Embora o texto tenha sido propositadamente escrito para deixar a questão em aberto (quanto ao “tempo” da mesma), já fiz a viagem… E correu muito bem! Trarei aqui mais notas 🙂 Abraço!

  1. Sounds fine, Zé! Eu sugeriria a mota em vez do carro, mas isso são os meus resquícios de woodstock a falar. Tu tens mais juízo, está visto.

    Boa viagem e queremos os relatos, claro.

    1. Obrigado, Ana! Embora o texto tenha sido propositadamente escrito para deixar a questão em aberto (quanto ao “tempo” da mesma), já fiz a viagem… E correu muito bem! Trarei aqui mais relatos 🙂

      Mota? És tão doida!

      1. Foi quando nos encontrámos no aeroporto? Nem de propósito!

        Chama-me doida, mas a mota é a melhor maneira de se viajar desde que não se ultrapasse um diâmetro de 500 quilómetros. Ou então, desde que se tenha muuuuuito tempo para a viagem.
        🙂

  2. Três conselhos:

    (1) Não perca muito tempo em Hamburgo, não é particularmente interessante.

    (2) Dedique pelo menos um dia, mas de preferência dois, a Luebeck. É uma verdadeira jóia.

    (3) Berlim vale muitíssimo tempo. Tem o melhor museu (em qualidade da exposição, isto é, em apresentação) da Europa – o Staatliche Museen Preussischer Kulturbesitz (SMPK).

    (4) Não deixe de ir passar (pelo menos!) um dia a Dresden, que fica relativamente perto de Berlim. Dresden é absolutamente maravilhosa!!!

    1. Obrigado, caro Luís! Embora o texto tenha sido propositadamente escrito para deixar a questão em aberto (quanto ao “tempo” da mesma), já fiz a viagem… E correu muito bem!

      Acabei por adoptar alguns dos seus conselhos, mesmo que inadvertidamente 🙂 Depois eu conto…

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