“Portugal tem das mais altas taxas de mortalidade por gripe A“. Quem o diz é a subdirectora-geral da Saúde (onde andará o comunicativo e sempre disponível George?), referindo-se aos números contabilizados e divulgados pelo Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças. Um ano depois dos primeiros casos detectados no México, os mesmos números indicam que a gripe A afectou 214 países, que houve 17.798 mortes no mundo, que Portugal registou 121 mortes, que Espanha, França e Itália se ficaram pelas 0,31 a 0,6 mortes por cem habitantes e que Portugal teve 0,91 a 1,2 mortes por cem habitantes.
Com números tão precisos, fica por entender o quadro de variações das mortes por cada cem habitantes, mas isso são minudências. Adiante. Vale a pena dar atenção aos lucros fabulosos à custa da produção de vacinas, do alarme generalizado e da aquisição atabalhoada à sombra das campanhas de vacinação. Porém, a mesma subdirectora diz que “ainda é cedo para saber se estes números traduzem diferenças reais de mortalidade e não diferentes taxas de detecção e notificação” e que “os números são tão pequenos que a comparação se torna estatisticamente difícil”.
Avancemos, pois, para outro dado: a Suécia, por exemplo, alcançou uma taxa de vacinação que parece ter rondado os 60 por cento; já em Portugal, referem as nossas autoridades que a cobertura se ficou pelos cinco por cento. O que diz sobre isto a subdirectora da Saúde? Diz, como não podia deixar de ser, que «os governos tiveram capacidade para se organizar», que “é preciso melhorar a comunicação” e que “com os media convencionais (jornais, TV, rádio) até correu bem”, mas acrescenta: «Temos muito que aprender.» Porquê? Porque, «onde circularam as notícias mais estranhas sobre as vacinas, foi em blogues anónimos, no YouTube, Facebook, Twitter».

Ó ignomínia! Ainda bem que o DELITO DE OPINIÃO não é um blogue anónimo e não fica abrangido pela ilustre subdirectora, porque a verdade é que nos fartámos de andar aqui a desmascarar os disparates sobre a gripe A que foram sistemática e insistentemente oficializados pelas nossas instituições. É só reler o que temos arquivado no mesmo tag aqui patente. Claro que o DO é muito bem frequentado e por muita gente, mas nunca nos passou pela cabeça influenciar 95 por cento da nossa população. Tudo gente influenciável e pouco amiga de vacinas, pelos vistos.
Sendo assim, preferimos começar a colaborar:
— Senhora subdirectora, se é preciso melhorar a comunicação, deve ser por vir aí outra pandemia parecida, certo? É só dizer-nos, para não pormos a circular notícias estranhas. Já agora, talvez seja melhor encomendar mais vacinas, porque devem andar por aí umas toneladas fora de prazo, não?