O PS e a pescada fresca


jmmcc,

É muito interessante verificar, no final de cada audiência da comissão parlamentar de inquérito sobre o caso PT/TVI, o modo como o porta-voz ad-hoc de cada partido dá conta aos repórteres do respectivo resultado. Fazem-me lembrar um taxista que costumava dizer-me que só há duas marcas de carros: os Mercedes e os outros.

A verdade é que o PS sai invariavelmente esclarecido e fresco de cada audiência, sem indiciar a necessidade de ir além por um qualquer caminho. Já os restantes partidos, esclarecidos ou não, dão conta das dúvidas suscitadas e manifestam sempre que os dados obtidos apontam para que se prossiga no apuramento dos factos por esta ou por aquela via.

Como um Parlamento, uma comissão parlamentar de inquérito e os parlamentares só podem ser sérios, é evidente que jamais passaria pela cabeça dos deputados socialistas dificultar um inquérito parlamentar desconfortável para o primeiro-ministro. O que acontece é que o próprio primeiro-ministro, diga-se dele o que se disser, é um político cheio de sorte, por ser também secretário-geral do partido mais esclarecido de todos — tão esclarecido que nem precisa de esclarecimentos. O PS é como a pescada, que “antes de o ser já o era”.

A não ser que o PS seja como aquele soldado que marchava numa parada e que era o único que ia com o passo certo, quando todos os outros marchavam com o passo trocado. Nesse caso, nós é que ficamos esclarecidos. Que é como quem diz: já pescámos a coisa. E o peixe é do graúdo.

7 comentários em “O PS e a pescada fresca”

  1. Pelas declarações prestadas não é só PS que é pescada.
    O deputado Semedo também já tirou conclusões antes das averiguações.
    Este post revela mais uma desonestidade intelectual.
    Se quer comentar o filme, comente o filme todo.

    1. Comento o filme que ando a ver, Frazão, e rejeito a “desonestidade” porque não sofro de partidarites nem tenho dívidas intelectuais. Nem V. me conhece para se dar ares a fazer juízos destes.

      Ouvi Semedo dizer mais ou menos o mesmo que os restantes: esclarecido o bastante para estabelecer o confronto com outras declarações antes feitas e para saber por onde lhe interessa continuar. Por isso, escrevi o que escrevi. Mas não me detive nem vou agora deter-me com Semedo, que não é objecto nem inspiração deste ‘post’.

      Espero que o PS se lembre sempre de si, meu caro. Por mim, continuarei a dizer o que penso, bem e mal, deste e daquele.

    1. Se mal entra na caldeirada ainda é o que estamos para ver. Acredite no que lhe digo agora: não aceito encomendas, nem vindas de si, porque escrevo sempre o que em apetece. Não sou devedor nem credor.

  2. Está a ser noticiado que Paulo Penedos foi lá dizer que não lhe passa pela cabeça que o primeiro-ministro falte à verdade.
    Justíssimo. Só que a notícia omite dois pormenores: a coisa ocorreu numa gravação dos Gato Fedorento e Penedos também garantiu ser o Pai Natal.
    Ai, este rigor informativo…

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