Olha-se para aquelas imagens de gente triste escutando com reverência o chefe e não se detecta um vestígio da centelha revolucionária que sacudiu a ilha de Cuba na década de 50 e transformou os “barbudos” de Fidel Castro em símbolos de ousadia e vitalidade política. Celebrava-se o IX Congresso da União dos Jovens Comunistas há dias em Havana mas muitas das pessoas que figuram nessas imagens tão formais já têm cabelos grisalhos. E só houve notícia da intervenção de um orador, um ancião de 78 anos, teimosamente apegado ao poder: o general Raúl Castro, senhor absoluto de Cuba não por escolha do povo mas por delegação de poderes do irmão mais velho. Há já 51 anos que a família Castro domina a maior ilha das Caraíbas, transformando-a numa prisão onde são vedados os mais elementares direitos cívicos e políticos.
Ao tomarem o poder em 1959, Fidel e Raúl prometeram liberdade e prosperidade aos compatriotas fartos da tirania de Fulgencio Batista. Mas, tal como na parábola de George Orwell, nada verdadeiramente mudou a não ser o agravamento dos mecanismos da repressão.
Antes Cuba era um protectorado de Washington, depois tornou-se uma das mais fiéis sucursais de Moscovo: apenas se trocou de tutela. Os cubanos nada ganharam com a troca: há meio século, Havana era a capital do terceiro país mais próspero da América Latina. Faltava a liberdade, mas não rareava o pão. Hoje é o terceiro mais pobre, forçado a comprar 80% dos bens alimentares que consome e a endividar-se ao estrangeiro para obter crédito que lhe permita o acesso a esses bens. Tudo ali escasseia, excepto a retórica dos irmãos Castro – únicas vozes autorizadas a falar num país povoado de silêncios.
E o que disse o velho general no congresso dos jovens emudecidos? O mesmo de sempre: que “a vacilação é sinónimo de derrota”, que “mais vale Cuba desaparecer do que aceitar chantagens dos EUA e da Europa”. Isto enquanto equiparava os opositores que resistem corajosamente nos cárceres do regime a “delinquentes comuns”.
Os jovens comunistas aplaudiram mecanicamente estas palavras, sem um assomo de contestação ou irreverência. Estão condenados a aplaudir o chefe, mesmo que já não o escutem. Reparo nas fotos de Raúl Castro e o rosto que vejo é o de Fulgencio Batista. O rosto de um tirano.


É pena, mas este retrato é muito bom.
Mérito do fotógrafo que a vendeu à Associated Press.
Refiro-me ao retrato em prosa, compadre.
Ah, a prosa não é da AP, garanto.
Estou como o João, escolheste mal a fotografia. Aqui, tem ar de avôzinho ternurento…
A foto é da intervenção dele no congresso dos jovens comunistas. Um jovem de 78 anos. Não consigo ver nada de simpático nele, Ana.
Porque sabes quem ele é. Um desprevenido que não o conheça acha-lhe um ar de velhinho simpático, até um bocadinho gagá. As aparências iludem.
É verdade que tem envelhecido razoavelmente. A “revolução” cubana envelheceu muito pior.
Eu só consigo ver uma figurinha ridícula com muito poder.
E juventude comunista, em Cuba, como na China, é um eufemismo engraçado Pedro.
A idade miníma requerida anda pelos 60 anos, não é?
Entre os 50 e os 60 são lobitos.
Caro Pedro, aconselho-o a marcar uma consulta de oftalmologia, entao e já agora, percorra uma série de sitios na internet como o cubadebate, kaos en la red, rebelion entre outros e confirme por si, se existe ou nao debate em Cuba. E já que estamos nesta de debate, leia as cartas ao director do granma e as suas respostas, talvez assim consiga ver algumas discrepâncias…
já agora, deixo-lhe o link deste artigo: http://www.kaosenlared.net/noticia/condi cionantes-socialismo-cuba
parece que é um cubano, até oficialista e defende que a “discrepância nunca deve ser vista como um problema” na sociedade cubana. e pelos vistos, nao está preso…