‘Artitectura’: os mal-amados (15)


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Igloo, em Brice (Ohio, EUA)

Este igloo de imitação está em Brice, um vilarejo em Franklin County, região de Ohio. A própria promoção de Brice já deixa a desejar («An Early American Village»), mas a pretensa casa de gelo é o toque definitivo da falta de sentido.

Pouco mais se sabe sobre a ideia peregrina de erguer este casinhoto. Podia ser uma loja de gelados, podia ser um quiosque, podia até ser um lavabo público. Mas não: tem uma porta onde não devia ter, tem uma abertura ampla e abrigada com uma espécie de balcão onde devia ter a porta e tem um postigo, mas nada disso alguma vez se abriu. Nasceu como as ervas daninhas em redor e parece estar apenas à espera que arranquem aquilo dali para fora antes que comece a afectar a saúde mental das pessoas.

O mais espantoso é que a “casa de neve” tem ar-condicionado, como pode ver-se no exterior, além de um extractor e de um respiradouro de casa-de-banho (ou de uma chaminé tubular estreita) nas traseiras – se é que pode considerar-se que a construção tem traseiras.

Seria razoável concluir que as pessoas não lhe ligam, indiferentes à minúscula construção. Só que isso não é verdade: Brice não tinha mais de 70 residentes no ano 2000, não consta que tenha mudado por aí além e a incrível casa-obelisco está instalada num espaço largo e desafogado. Num meio assim pequeno, é impossível evitar que todos os olhares esbarrem com uma instalação sem qualquer utilidade e que detestam. E o caso não é para menos: basta vê-la em fotografia para qualquer eventual visitante se desviar e passar ao largo de Brice…

Alguém o viu?


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Em vésperas de Bruxelas dizer ao governo de Lisboa que o PEC é insuficiente, talvez em vésperas de nova ida do governo ao Parlamento, estou convencido de que o governo há-de manifestar-se, talvez até volte a mostrar-se. Porque a verdade é esta: o governo desapareceu há já umas semanas. Nem um ministro, nem uma declaração, nem um acto de marketing político. Nada. O governo está desaparecido, como se confirma pela foto mais recente que quiseram tirar-lhe. O fotógrafo estava lá, mas o governo não.

Não é que faça muita falta. É apenas porque faz muita despesa.

Se bem se lembram de Nemésio


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Conhecida por estar sempre em festa, a Terceira abre o calendário anual de celebrações em meados de Abril e a primeira das tradicionais touradas à corda é a 1 de Maio. Depois, é um nunca-mais-parar até meados de Outubro.

Vem isto a propósito de uma velha fotografia a cores que não sei onde encontrei, faz já um certo tempo, e que aqui vos trago: Vitorino Nemésio pelo início dos anos 60, também ele pelos seus 60 anos, a cavalo durante uma tourada à corda na freguesia de Biscoitos, na costa norte da Terceira, a ilha onde nasceu em 1901.

Por não saber de onde veio a foto – que me parece ser pouco conhecida – pelo menos respeitarei a legenda (e a indicação sobre o original) que a acompanha e que aqui reproduzo.

«Ilha Terceira. Tradicional Segunda-feira dos Biscoitos, no início da década de 60 do século passado. Para além da curiosa particularidade desta foto, focando o Prof. Doutor Vitorino Nemésio passando no arraial a cavalo, há a salientar o facto de, naquele tempo, o povo desta ilha usar as suas melhores roupas durante as festas de Verão, inclusive nas tradicionais touradas à corda. Foto da autoria de António Lino Moniz, da colecção de seu sobrinho Pedro Alberto Leal» (o rosto destacado é da iniciativa do autor deste post).

Académico e intelectual açoriano, poeta e romancista, autor do galardoado Mau Tempo no Canal e inesquecível comunicador popularizado pelo seu programa na RTP Se bem me lembro (1969/75), morreu em Lisboa com 77 anos e está sepultado em Coimbra, por vontade própria. Pela mesma vontade, o seu enterro não se fez ao dobre de finados, mas sim ao som do Aleluia. Surpreendente e desconcertante no fim da vida, como ele sempre tinha sido.

Liverpool & Beatlemania (13)


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A 30 de Janeiro de 1969, o último show dos Beatles chamou-se Let It Be (gravado para o filme com o mesmo título) e foi no topo do edifício da Apple Records, em Londres. Liverpool e o pub The Cavern Club onde tudo começara (e onde tocaram perto de 300 vezes) tinham ficado cada vez mais distantes, à medida que o sucesso ia ultrapassando todas as expectativas ao longo dos anos 60.

Porém, Let It Be já não era um documentário (que teve 28 horas de gravação) sobre a vida musical dos Fab Four, para passar a ser um filme de 90 minutos sobre o final da banda. Os conflitos entre eles somavam-se e cresciam: ficaram gravadas muitas discussões que acabavam sempre mal.

De Abril a Agosto de 1969, gravaram o álbum Abbey Road (o 12.º e último que gravaram), lançado em Setembro. Estiveram juntos no mesmo estúdio pela última vez a 20 de Agosto e John Lennon anunciou o seu abandono a 20 de Setembro. Foi decidido não dar conhecimento público sobre o fim da banda até que estivessem resolvidos alguns problemas jurídicos, mas os primeiros rumores começaram rapidamente a tomar a forma da verdade que há muito se adivinhava e viria a confirmar-se.

O último álbum a chegar ao mercado já não reuniu o quarteto nas gravações: Let It Be foi gravado aos pedaços e muito material teve de ser repetido e misturado em estúdio; iniciado naquele Janeiro de 1969, foi interrompido após o show no prédio da Apple Records e apenas retomado em Janeiro de 1970, ficou pronto em Março e foi lançado em Maio.

Logo a seguir ao lançamento do Let It Be (o 13.º e último álbum lançado e cujas gravações tinham começado antes do Abbey Road), Paul McCartney declarou publicamente a dissolução dos Beatles. Foi a 10 de Abril de 1970, exactamente há 40 anos.

Em 1971, McCartney abriu um processo judicial para regularizar as relações comerciais com o grupo e assegurar os respectivos direitos de autor, que só foi concluído em 1975. Até à separação legal então decretada pelo tribunal, os quatro foram utilizando a Apple Records para o que produziam a solo, a qual também editou e lançou, nesses anos, nomes como Yoko Ono, Billy Preston, James Taylor e outros.

A banda mais famosa do mundo terminou com o seu 13.º álbum (e esta série atingiu o 13.º post). Cabe dizer que Liverpool deixou de ser uma cidade velha e triste de marinheiros para se tornar a capital da Beatlemania. John morreu assassinado a 8 de Dezembro de 1980 (v. Liverpool & Beatlemania – 7) e George morreu de cancro de pulmão a 29 de Novembro de 2001. Nem eles, nem Paul, nem Ringo reencontraram Liverpool. A cidade nunca mais os viu (excepto em alguma visita solitária e furtiva), mas lavou a cara, preserva e explora as memórias dos Beatles e voltou a estar no mapa. Continua a atrair gente de todos os continentes.

Senhora de Aparecida


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Depois de um dia inteiro a ouvir perguntar pela senhora e a ouvir dizer que continuava ausente, eis que Manuela Ferreira Leite encontrou hoje o caminho para o pavilhão de Carcavelos. Para os repórteres, é «então o fim do tabu» e a sua presença está «então a marcar este dia do congresso». Enfim, faltavam os disparates, que então também já apareceram.

Uma coisa é assinalável: Manuela Ferreira Leite apareceu sem ser perseguida por José Pacheco Pereira. Não há dúvida de que o PSD está a mudar.

A quem interessar


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Na sequência disto, aproveito para lembrar: se não acompanhar o congresso do PSD que vai durar todo o fim-de-semana e estiver interessado em ficar a saber o essencial do que se tiver passado no pavilhão de Carcavelos onde ele tem lugar, não se apoquente. Na segunda-feira, logo pela manhã, bastará ligar a televisão para saber tudo sobre asche ã-intervençõesche ã-dosche ã-congressistasche ã-sociaische-ã-democratasche ã-e osche ã-apoiosche ã-laranjasche ã-àsche ã-propostasche ã-de Passosche ã-Coelho. No sítio do costume.

Sabia que… (16)


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… os dois esqueletos encontrados há ano e meio na África do Sul podem ser de uma nova espécie de australopitecos. mais próxima do género humano? Pois é: os cientistas que têm andado a estudá-los acreditam na possibilidade de estar perante uma nova espécie de hominídeos com quase dois milhões de anos.

Talvez falar em nova espécie seja exagero, mas pela fotografia se percebe que estão muito bem conservados, não concordam? Pelo menos ao australopiteco aqui visível ninguém lhe daria a idade que tem. Talvez um milhão e meio… Vá lá, um milhão e setecentos mil anos, no máximo.