A 30 de Janeiro de 1969, o último show dos Beatles chamou-se Let It Be (gravado para o filme com o mesmo título) e foi no topo do edifício da Apple Records, em Londres. Liverpool e o pub The Cavern Club onde tudo começara (e onde tocaram perto de 300 vezes) tinham ficado cada vez mais distantes, à medida que o sucesso ia ultrapassando todas as expectativas ao longo dos anos 60.
Porém, Let It Be já não era um documentário (que teve 28 horas de gravação) sobre a vida musical dos Fab Four, para passar a ser um filme de 90 minutos sobre o final da banda. Os conflitos entre eles somavam-se e cresciam: ficaram gravadas muitas discussões que acabavam sempre mal.
De Abril a Agosto de 1969, gravaram o álbum Abbey Road (o 12.º e último que gravaram), lançado em Setembro. Estiveram juntos no mesmo estúdio pela última vez a 20 de Agosto e John Lennon anunciou o seu abandono a 20 de Setembro. Foi decidido não dar conhecimento público sobre o fim da banda até que estivessem resolvidos alguns problemas jurídicos, mas os primeiros rumores começaram rapidamente a tomar a forma da verdade que há muito se adivinhava e viria a confirmar-se.
O último álbum a chegar ao mercado já não reuniu o quarteto nas gravações: Let It Be foi gravado aos pedaços e muito material teve de ser repetido e misturado em estúdio; iniciado naquele Janeiro de 1969, foi interrompido após o show no prédio da Apple Records e apenas retomado em Janeiro de 1970, ficou pronto em Março e foi lançado em Maio.
Logo a seguir ao lançamento do Let It Be (o 13.º e último álbum lançado e cujas gravações tinham começado antes do Abbey Road), Paul McCartney declarou publicamente a dissolução dos Beatles. Foi a 10 de Abril de 1970, exactamente há 40 anos.
Em 1971, McCartney abriu um processo judicial para regularizar as relações comerciais com o grupo e assegurar os respectivos direitos de autor, que só foi concluído em 1975. Até à separação legal então decretada pelo tribunal, os quatro foram utilizando a Apple Records para o que produziam a solo, a qual também editou e lançou, nesses anos, nomes como Yoko Ono, Billy Preston, James Taylor e outros.
A banda mais famosa do mundo terminou com o seu 13.º álbum (e esta série atingiu o 13.º post). Cabe dizer que Liverpool deixou de ser uma cidade velha e triste de marinheiros para se tornar a capital da Beatlemania. John morreu assassinado a 8 de Dezembro de 1980 (v. Liverpool & Beatlemania – 7) e George morreu de cancro de pulmão a 29 de Novembro de 2001. Nem eles, nem Paul, nem Ringo reencontraram Liverpool. A cidade nunca mais os viu (excepto em alguma visita solitária e furtiva), mas lavou a cara, preserva e explora as memórias dos Beatles e voltou a estar no mapa. Continua a atrair gente de todos os continentes.




Gostei imenso desta série, João. E aprendi imenso sobre os Beatles e a sua cidade. Só lá estive uma vez, há muitos anos, e achei-a feia e desinteressante.
Agradeço-te a gentileza, Ana, mas não precisas de exagerar.
Nunca estive em Liverpool, mas cheira-me que hoje em dia vale a pena. Já foi cidade europeia de cultura há poucos anos (o que deve ter dado direito a umas verbas interessantes) e parece que tem aproveitado bem o facto de ser destino da ‘beatlemania’.
Esta série acabou? Espero bem que não. Haverá sempre novos motivos para mencionar os Beatles, associados à sua cidade natal.