“Embora as humanidades não humanizem, como dizia o Steiner, a ética e a estética são territórios tangentes. As casinhas do Sócrates é, de tudo aquilo que se fala quando se fala do primeiro-ministro, o que mais me repugna. Estarei em minoria, mas estou absolutamente convencida que quem assina coisas daquelas e, sem passar por nenhuma via sacra, aterra passados uns anos pugnando histericamente pela modernidade, vestindo armani ou similar e comprando um envidraçado da Braamcamp armado ao pingarelho só pode ser um aldrabão. Um aldrabão piroso. Combinação explosiva. E que não se venha com a conversa do snobismo estético que o povo não percebe, etc , etc . Porque quem se der ao trabalho de procurar perceberá facilmente que as casinhas do Sócrates não são arquitectura popular nem aqui nem na China. São fruto do assalto ao poder de construtores civis endinheirados que usaram e abusaram do facto de em Portugal, por falta de cultura, por nunca termos tido uma guerra que nos destruísse as casas para lhes darmos valor e por 40 anos de casinhas pobrezinhas com certeza, como no fado da Amália, tiveram campo aberto para destruir tudo à sua frente, arrasar lugares, paisagens naturais e tudo num vê-que-te-avias. Sócrates é essa gente + a “novidade” do Magalhães. Pindéricos, foleiros, ignorantes, primários. Chicos espertos. Uma tristeza.”
Da nossa leitora Ana Cristina Leonardo. A propósito deste texto da Ana Margarida Craveiro.


Bem observado. Por mim, só há mais uma coisa que me faz espécie: tira-se um curso e depois dá-se andamento a não-sei-quantas casas à borla? Ou faz de nós parvos, ou condena ao desemprego os profissionais da mesma área. Certo?
Ora exactamente. As casas e a licenciatura de Sócrates são uma trafulhice, isso é obvio para a larga maioria dos portugueses e sinalizam exactamente isso que diz. Mas já é discutível quais as consequências a tirar desses factos.
A verdade é que o governo de Sócrates fez melhor que o de Durão, e falar em Santana faz rolar os olhos.
O programa Magalhães é um excelente exemplo de pensar fora da dinâmica do “eu quero o que tu não queres e sou contra precisamente o que tu queres”.
É verdade também que tem havido negócios opacos que chegue e criticáveis de sobra mas o PSD de MFL não estava interessado nisso, pois não? Porquê? Mas interessou-se em deitar lodo na avaliação dos professores – o PSD a rejeitar premiar o mérito num dos sectores que mais critica por imobilismo? Porquê? Aderiu aos princípios do PCP de quanto pior, melhor?
Outro excelente exemplo, que fica, é o programa Simplex – faz mais marketing que o necessário, ok, mérito dele – mas tem tido resultados (ainda esta semana marquei uma consulta em casa a partir da internet, com registo no sistema e tudo demorei cerca de 10 minutos).
Pode-se continuar com o lavar as mãos dos médicos e enfermeiros; o fecho das maternidades e urgências; a preocupação e pensamento estratégico na energia e na balança comercial; a limitação de mandatos e das derrapagens nas obras públicas. Pois são todos pequenos exemplos – fantástico – até esses faziam falta.
O que se espera do PSD é essa mesma capacidade, de pensar e de fugir à lógica da trincheira politica, de preferência atacando as grandes negociatas com o nosso dinheiro, combatendo a corrupção e aumentando drasticamente a transparência. Se no meio disso conseguir fazer combate político e lançar dúvidas sobre os adversários, mérito a eles. E o PSD pode e deve fazer isso sentado na oposição, deixo um exemplo: o PS fez as directas e com isso mudou o país.
se eu tivesse sabido disto tinha-me esmerado mais…
obrigada
Muito bom. O ‘faux chic’ deste homem diz tudo sobre tudo o resto.
Esmerado ainda mais, Ana Cristina?