Os prémios que a crise produz


jmmcc,

Não há dúvida de que o sortudo presidente da EDP está a ser um mau exemplo: os pilotos da TAP arrecadam mais oito milhões de euros, quatro milhões de aumento salarial e mais quatro milhões em prémios de produtividade. Portugal é um país que produz pouco, mas é evidente que produz prémios de produtividade como nenhum outro.

António Mexia diz que o seu chorudo prémio é devido por a EDP ter ultrapassado os objectivos traçados. E os pilotos? Puseram-se a voar por rotas que a TAP não tem e aterraram em destinos onde a TAP não vai?

Uns respondem e outros perguntam


jmmcc,

Na Comissão de Ética da Assembleia da República, Emídio Rangel dirige-se aos deputados disparando sobre o jornalismo que se pratica e alarga os alvos: «Nesta roda entraram há pouco tempo a Associação Sindical dos Juízes Portugueses e o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público: obtêm processos para os jornalistas publicarem; trocam esses documentos nos cafés, às escâncaras.» Inesperadamente e para que nada lhe escape ou saia a contragosto, não o faz de modo espontâneo, mas através da leitura de um texto previamente escrito, no qual garante que a ASJP e o SMMP «são duas centrais de gestão de informação processual». Ou seja: fá-lo com premeditação e acréscimo de consciência do que diz. Das duas, uma: ou é irresponsável, ou está preparado para concretizar as acusações. Porque é impensável que fiquem todos a assobiar para o lado.

António Martins, em nome da ASJP, não teve dúvidas: anunciou imediatamente que vai mover uma queixa-crime contra Rangel. Já João Palma, líder do SMMP, “escusou-se a comentar as declarações a quente” e preferiu consultar primeiro os seus pares “para perceber qual a melhor forma de responder“; em comunicado posterior, quer que Rangel concretize o que disse e ameaça processá-lo judicialmente. Duas atitudes distintas: os juízes reagem como era de esperar e os magistrados do MP pensam e perguntam antes de agir. Eles lá saberão porquê.

O bolo de Sócrates


jmmcc,

Sócrates é o autor daquelas casitas na Guarda ou não? Pela resposta só ficamos a saber que são da sua responsabilidade. É a resposta típica do primeiro-ministro que temos. Sabia ele do negócio PT/TVI? Não teve conhecimento oficial. Mas, afinal, sim ou não? Nim.

Para um primeiro-ministro que passa o tempo a apregoar uma receita de «excelência» e «rigor» como se fosse a sua especialidade, o problema está no acabamento que lhe estraga ciclicamente o esforço: o Cerejo em cima do bolo.

Seguramente


jmmcc,

António José Seguro considera «obscenos» os valores pagos ao presidente da EDP, que classifica como «uma imoralidade»: «Em fase de enormes dificuldades e de exigência de sacrifícios aos portugueses, é incompreensível como se atingem estes valores remuneratórios.»

À medida que o tempo passa, Seguro afirma-se e mostra-se cada vez mais solto em relação à maioria dos seus pares socialistas com peso na vida pública. Sem pressa, vai trilhando um percurso próprio do qual sobressaem valores e critérios de justiça social que revelam um padrão que tem andado muito arredado.

Seguramente, ainda tem muito para dar.

O comentário da semana


jmmcc,

 

«Boa Viagem e “Yokoso” (Bem-Vinda)!

Algumas sugestões, se me permite.

1. Em Tokyo-To não se esqueça de ir bem cedinho pela fresca à Lota de Tsukiji, o maior mercado pesqueiro do mundo — em si mesmo, um Mundo à parte.
2. Passe uma tarde pelo Ginza — sempre fascinante —, e não se assuste com os preços de um simples café ou de um gelado, afinal está no Ginza — a artéria comercial do metro quadrado mais caro e cobiçado à face da Terra.
3. Pessoalmente, gosto mais de Shinjuku do que de Shibuya, se bem que os níveis de concentração populacional podem ser insuportáveis em ambos, especialmente ao final da tarde.
Se tiver a chance de se ‘perder’ à noite em Shinjuku, procure um pequeno quarteirão de barzinhos minúsculos chamado Goruden Gai (Golden Guy — merece algum destaque em certos guias de viagens). Muitos dos bares são realmente claustrofóbicos na estreiteza das suas dimensões — alguns só podem suportar a presença de 3 ou 4 fregueses de uma assentada — e alguns não são particularmente receptivos à presença de estrangeiros que não falem japonês, mas aqueles onde toda a gente é bem-vinda, saiba ou não saiba exprimir-se na língua de cá, reconhece-os logo. Lugar genuinamente carismático.
4. Ah! Quase me esquecia! Ao passar pela lota de Tsukiji (sugest.1) dê um passeio por Hama’Rikyu — antigo jardim privado da família Tokugawa (o clã que deteve o cargo de Shogun, de 1603 a 1867, e instituiu Edo [hoje Tóquio] como capital “de facto” do Japão), um pequeno refúgio idílico entre arranha-céus. Daí pode apanhar um barco que sobe o Rio Sumida e a leva até Asakusa, um verdadeiro “must” para quem por aí passa.
5. Também entre Shibuya e Shinjuku, a não perder, uma passeata entre Aoyama e Meiji-Jingu, pela frenética Omote-Sandô, espécie de Champs Elysées de Tóquio, a alcançar Harajuku — o grande “freakshow” ao vivo e a cores dos domingos à tarde — e a serenar os ânimos pelo inefável Santuário de Meiji adentro. Imperdível.
6. Por último, e a salvo de polémicas, se considerar de interesse, passe pelo ‘infame’ Yasukuni-Ginja — sim, esse mesmo Yasukuni-Ginja, espécie de Vale dos Caídos daqui, que sempre que visitado por um político japonês, põe toda a gente na China e na Coreia em histeria colectiva a queimar Hinomarus (Hi-no-Maru = Bandeira do Japão) e a berrar “slogans” anti-nipónicos.
Não se assuste se vir por lá as sinistras carrinhas negras dos Uyoku-Dantai (fachozinhos de serviço por cá): são absolutamente inofensivos, não se importam minimamente com a presença de estrangeiros no seu lugar sagrado predilecto, e limitam-se a apregoar os seus “Banzai” e outros “slogans” patrioteiros em grandes altifalantes ou amplificadores em níveis decibélicos próximos do insuportável. Mas é mesmo só isso e só por lá passam de quando em vez. O museu militar — Yashukan —, paredes meias com o Santuário, apesar do seu notório tendenciosismo, é realmente fascinante para quem se interesse pela História do Japão, uma história de armas, por definição, quer se aceite bem ou não a ideia.

 

E tantos tantos, tantos, tantos, tantos outros lugares e ideias que aqui podia partilhar. Quiçá para outra oportunidade.

Por último, não sei se tem planos para outras paragens no Dai Nippon, mas se não pensou no caso, ‘imploro-lhe’ que vá a Kyoto…

“Ki O Tsukete”! Excelente viagem! Aproveite muito!»

 

L.F. Afonso, NAN BAN JIN, Hakata, Japão

 

Do nosso leitor NanBanJin. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

Sabia que… (15)


jmmcc,

… o maior ovo de Páscoa do mundo feito em chocolate foi fabricado na Bélgica, em 2005, por seis pessoas durante oito dias? Pois é verdade. Ficou registado com oito metros de altura, seis metros de diâmetro e 1,9 toneladas.

O DELITO DE OPINIÃO fez agora um ainda maior, mas não vai registá-lo. Destinamo-lo a todos os nossos amigos e frequentadores do blogue, com votos de boa Páscoa.

Só por causa das coisas…


jmmcc,

«Estou solidário com Manuela Ferreira Leite, mas convém lembrar que eu não fiz parte da direcção de Manuela Ferreira Leite.»

(José Pacheco Pereira a António Costa, pela referência que este lhe dirigiu sobre a “derrota pesadíssima da anterior direcção do PSD”, na Quadratura do Círculo, SIC-Notícias.)

Frases do ano (20)


jmmcc,

“Um tipo que vive à custa de bens não-transaccionáveis do mercado doméstico, considero um escândalo.”

Mira Amaral na SIC-N, sobre os mais de três milhões de euros de “prémio de gestão” do presidente da EDP, António Mexia

Confusão de uma ‘pessoa humana’


jmmcc,

Chama-se Isabel Moreira e escreve aqui. Escreve, por exemplo, sobre a «dignidade da pessoa humana» (o itálico é meu). Ou seja: escreve sobre a dignidade daquele grupo especial de gente que consegue essa coisa extraordinária de juntar a qualidade de pessoa à qualidade de ser humano. Sim, sim, essa gente especial que não devemos confundir com pessoas que são simples mortais e não seres humanos e menos ainda confundir com seres humanos confrangedoramente vulgares e que nada têm de pessoas.

Chama-se Isabel Moreira e escreve: «Eu insisto e insisto e insisto. Quando escrevo sobre estes temas não estou a pensar em Sócrates, mas no Estado de direito. Todos têm direito ao bom nome e à privacidade. E a imprensa tem de respeitar as decisões judiciais.» Claro que não é por insistir e insistir e insistir e por não pensar em Sócrates que tem razão. É evidente que todos têm direitos e todos têm deveres, mas o que caracteriza um Estado de Direito democrático é precisamente o direito de não cumprir os deveres, sejam leis ou sejam decisões judiciais. Contrapõe-se a esse direito o risco de assumir o incumprimento, como é óbvio. E contrapõe-se ao invocado respeito pelas decisões judiciais o direito ao recurso a instâncias judiciais superiores, bem como a possibilidade de alcançar revogação de decisões judiciais anteriores.

Por outras palavras: ao direito de um não corresponde necessariamente um dever de outro; ao direito de um pode opor-se um direito de outro. Com uma excepção corriqueira, talvez: o direito de escrever sobre certos temas é capaz de implicar o dever de conhecer um pouco mais.

Happy Easter


jmmcc,

O nosso amigo e comentador regular Luís Reis Figueira fez-me portador deste cartão e dos seus votos de boa Páscoa a todos nós e aos nossos comentadores habituais.

O excesso de chocolate proposto é inaceitável e inevitável. (Onde é que eu já ouvi isto?)