O comentário da semana


jmmcc,

 

«Boa Viagem e “Yokoso” (Bem-Vinda)!

Algumas sugestões, se me permite.

1. Em Tokyo-To não se esqueça de ir bem cedinho pela fresca à Lota de Tsukiji, o maior mercado pesqueiro do mundo — em si mesmo, um Mundo à parte.
2. Passe uma tarde pelo Ginza — sempre fascinante —, e não se assuste com os preços de um simples café ou de um gelado, afinal está no Ginza — a artéria comercial do metro quadrado mais caro e cobiçado à face da Terra.
3. Pessoalmente, gosto mais de Shinjuku do que de Shibuya, se bem que os níveis de concentração populacional podem ser insuportáveis em ambos, especialmente ao final da tarde.
Se tiver a chance de se ‘perder’ à noite em Shinjuku, procure um pequeno quarteirão de barzinhos minúsculos chamado Goruden Gai (Golden Guy — merece algum destaque em certos guias de viagens). Muitos dos bares são realmente claustrofóbicos na estreiteza das suas dimensões — alguns só podem suportar a presença de 3 ou 4 fregueses de uma assentada — e alguns não são particularmente receptivos à presença de estrangeiros que não falem japonês, mas aqueles onde toda a gente é bem-vinda, saiba ou não saiba exprimir-se na língua de cá, reconhece-os logo. Lugar genuinamente carismático.
4. Ah! Quase me esquecia! Ao passar pela lota de Tsukiji (sugest.1) dê um passeio por Hama’Rikyu — antigo jardim privado da família Tokugawa (o clã que deteve o cargo de Shogun, de 1603 a 1867, e instituiu Edo [hoje Tóquio] como capital “de facto” do Japão), um pequeno refúgio idílico entre arranha-céus. Daí pode apanhar um barco que sobe o Rio Sumida e a leva até Asakusa, um verdadeiro “must” para quem por aí passa.
5. Também entre Shibuya e Shinjuku, a não perder, uma passeata entre Aoyama e Meiji-Jingu, pela frenética Omote-Sandô, espécie de Champs Elysées de Tóquio, a alcançar Harajuku — o grande “freakshow” ao vivo e a cores dos domingos à tarde — e a serenar os ânimos pelo inefável Santuário de Meiji adentro. Imperdível.
6. Por último, e a salvo de polémicas, se considerar de interesse, passe pelo ‘infame’ Yasukuni-Ginja — sim, esse mesmo Yasukuni-Ginja, espécie de Vale dos Caídos daqui, que sempre que visitado por um político japonês, põe toda a gente na China e na Coreia em histeria colectiva a queimar Hinomarus (Hi-no-Maru = Bandeira do Japão) e a berrar “slogans” anti-nipónicos.
Não se assuste se vir por lá as sinistras carrinhas negras dos Uyoku-Dantai (fachozinhos de serviço por cá): são absolutamente inofensivos, não se importam minimamente com a presença de estrangeiros no seu lugar sagrado predilecto, e limitam-se a apregoar os seus “Banzai” e outros “slogans” patrioteiros em grandes altifalantes ou amplificadores em níveis decibélicos próximos do insuportável. Mas é mesmo só isso e só por lá passam de quando em vez. O museu militar — Yashukan —, paredes meias com o Santuário, apesar do seu notório tendenciosismo, é realmente fascinante para quem se interesse pela História do Japão, uma história de armas, por definição, quer se aceite bem ou não a ideia.

 

E tantos tantos, tantos, tantos, tantos outros lugares e ideias que aqui podia partilhar. Quiçá para outra oportunidade.

Por último, não sei se tem planos para outras paragens no Dai Nippon, mas se não pensou no caso, ‘imploro-lhe’ que vá a Kyoto…

“Ki O Tsukete”! Excelente viagem! Aproveite muito!»

 

L.F. Afonso, NAN BAN JIN, Hakata, Japão

 

Do nosso leitor NanBanJin. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

4 comentários em “O comentário da semana”

  1. Excelente escolha, João.
    E já fui dar uma espreitadela ao blog do nosso leitor. Merece também ele uma visita. De vez em quando vou passar por lá para matar saudades do país do sol nascente. As fotos são magníficas, relaxantes, inspiradoras.

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