O comentário da semana


jmmcc,

 

«Deixem ver se eu percebi.
Um gajo é apanhado numa tentativa de corrupção e paga cinco mil euros de multa.
Outro gajo chama corrupto ao gajo que foi condenado por tentativa de corrupção e é condenado a pagar dez mil euros de multa.
É mais ou menos isto, não é?

Bem, não sei de que filme é que tiraram isto, mas o guião parece-me fraquinho, pouco realista, quase estúpido demais para acreditar. E depois dizem que o cinema português é isto, que ninguém vê filmes portugueses.
Pois, com argumentos destes, que criam situações que nunca poderiam acontecer na realidade, no mundo real, no dia-a-dia de qualquer português…»

 

Do nosso leitor Dr. Mento. A propósito deste texto do Luís M. Jorge.

PSD: o que vai mudar


jmmcc,

Independentemente das figuras que ficarem a esfregar as mãos de contentes, vamos ver o que mais irá mudar. Para já, é certo que esta entra e que esta sai. Falta perceber se só elas é que mudam. Porque, se for assim, já se sabe o que vai voltar a acontecer…

A magia de Teixeira dos Santos


jmmcc,

O ministro das Finanças deve ter andado a aprender magia. Como se sabe, Teixeira dos Santos disse ter-se enganado no défice do ano passado, que ele garantia em plena campanha eleitoral ser o antes previsto e que passou a ser outro muito superior depois das eleições legislativas. Um erro monstruoso que só foi alterado semanas mais tarde, em tempo conveniente para o PS. Agora, ao falar do PEC e de 2013, Teixeira dos Santos declara que não quer apenas aproximar o défice dos três por cento, nem sequer chegar ao objectivo desejável dos três por cento certos. Não. O que o ministro das Finanças declara é que o défice em 2013 será de 2,8 por cento.

É obra. Em curto tempo, comete erros grosseiros; mas, a três anos de distância, é de uma precisão impensável. Se não é alguma bola de cristal que recebeu por conta do IRS de um vidente, então o mágico é ele. O que significa coisa nenhuma, porque já ninguém acredita em mágicos.

Frustrações


jmmcc,

Os indicadores sobre a nossa criminalidade em 2009 dizem que os crimes violentos desceram 0,6 por cento e que as queixas no seu total desceram 1,2 por cento. Há aspectos que parecem óbvios: roubar, por exemplo, pessoas que andam com os bolsos tesos é uma frustração cada vez mais frequente. Mas não quero com isto estragar a satisfação manifestada pelo ministro da Administração Interna, para não aumentar o número de frustrações no país.

Ao fim do dia


jmmcc,

O balanço do dia é pouco tranquilizador. Vejam só este apanhado noticioso.

 

1. José Sócrates foi dizer em Marrocos que «o país precisa de quem puxe pelo país». A construção infeliz da frase não perde realismo: precisa, sim, e é suposto ser o governo a puxar pelo nosso país. Só não parece que seja o governo marroquino.

 

2. À margem da cimeira luso-tunisina, Luís Amado declarou que o governo português defende um apoio financeiro da União Europeia à Grécia. Sendo improvável que Portugal esteja em condições de ser útil aos gregos, já se tinha percebido por cá a intenção agora manifestada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros: Portugal põe-se a jeito para receber algum apoio, por via das dúvidas. “Pede o guloso para o desejoso”, como sempre ouvi dizer.

 

3. O ministro das Finanças considerou «que a instabilidade que nalgumas áreas da União Europeia se tem vindo a sentir em torno da situação orçamental de alguns países da zona euro mostrou claramente que Portugal corre o risco de vir a ser afectado também por uma onda de choque dessa instabilidade que se poderá gerar». Teixeira dos Santos fala cada vez mais como um (mau) político e sem tradução possível: a instabilidade que se tem vindo a sentir blá-blá-blá dessa instabilidade que se poderá gerar?! É melhor desistir de tentar traduzir isto. Quanto às ondas de choque, as que já afectam Portugal são constantes e o exercício do governo não é parte menor nisso. Vem aí outra onda de choque? Só se for para substituir uma das que já temos, porque não há lugares vagos.

 

4. Entre seis países europeus estudados, Portugal é o que tem maior percentagem de pessoas a sofrer de perturbações psiquiátricas, um número apenas comparável ao apresentado pelos Estados Unidos. Eis a realidade apurada: um em cada cinco portugueses sofre de perturbações psiquiátricas. Alguém sabe de cor quantos ministros e secretários de Estado temos? Como dizia o outro, é fazer as contas.

 

Assustador? Também acho.

Coca-Cola e Nostalgia


jmmcc,

Mais uma excelente foto de Chicago dos finais do século XIX (circa 1895/1900). No quarteirão em frente, destacam-se dois prédios: o Great Nothern Hotel, a fazer a esquina virada para a objectiva, e um edifício de escritórios, ainda mais alto. A volumetria variada dos quarteirões compensa os edifícios mais elevados, equilibrando o conjunto.

No ambiente nostálgico da imagem, uma particularidade curiosa é que, numa das lojas comerciais que estão nessa mesma esquina (a que está sem toldo, virada para a rua principal, por baixo do nome do  hotel), há um letreiro que se considera ser o primeiro anúncio da Coca-Cola em espaço público.

Pois


jmmcc,

«Os golos acabaram por marcar o resultado.

(…) Mas acho que nenhuma equipa foi superior à outra.»

(Jesualdo Ferreira ao repórter da SIC)

‘Artitectura’: os mal-amados (14)


jmmcc,

Haines Shoe House, em Hellam (Pensilvânia, EUA)

Esta casa-sapato (ou casa-bota) é a Haines Shoe House e fica em Hellam, um lugar rural na região de York, Pensilvânia. Foi erguida em 1948/49 pelo coronel milionário Mahlon M. Haines, patrão da Shoe Wizard, uma cadeia com 40 sapatarias e muita publicidade, em Pensilvânia e Maryland.

A estrutura é em estuque e madeira, sustentada por rede de arame. Tem sala, cozinha, três quartos e duas casas-de-banho, distribuídos por cinco níveis diferentes. No rés-do-chão havia uma garagem, mais tarde transformada em loja de gelados. A casa deu o nome à via que lhe passa em frente, a Shoe House Road.

As janelas têm vidro temperado, com decoração alusiva, e à entrada está a figura do próprio Haines com uma bota em cada mão e os dizeres: "Haines – The Shoe Wizard".

A verdade é que Haines nunca viveu nesta casa. Em vez disso, começou por oferecê-la a casais de meia-idade para fins-de-semana românticos: 38 casais tiveram a sorte de ser contemplados por ele, que tinha fama de ser um benemérito. Mais tarde, passou a sortear fins-de-semana de sonho a casais em  lua-de-mel, com todo o conforto e serviço completo – tratados  como  "reis e rainhas" – entre os que tivessem uma  Haines Shoe Store na localidade em que morassem. Cada casal recebia ainda calçado de primeira categoria.

Depois de morrer, em 1962, foi comprada por um dentista, que passou a vender gelados, snacks e souvenirs na antiga garagem, até que a casa ficou muito deteriorada e foi fechada, no início dos anos em 80.

Em 1987, foi comprada em leilão por uma neta de Haines, que passou quatro anos a restaurá-la para ser uma pousada. Não chegou a abri-la e vendeu-a em 1991, quando passou a ser uma atracção turística e novamente a vender gelados. Voltou a ser vendida em 2003, com a condição de se manter aberta a turistas e o interior preservado como casa-museu. Finalmente, em 2007, foi restaurada e passou a integrar o programa das Hampton Inn’s "Save-a-Landmark", uma cadeia hoteleira do grupo Hilton. Na loja, pode adquirir-se o livro The Life and Times of Mahlon Haines e o serviço no snack-bar incluiu petiscos  sugestivos, como "heelbasi" e "toedogs".

O terreno em volta da casa conserva elementos em forma de sapato: a casota do cão, o motivo colocado no portão, a caixa do correio, o campo de jogos e por aí fora.

 

Seria injusto dizer que a Haines Shoe House é vista com maus olhos, até porque está no campo. Ou seja: é uma bota ao pé de coisa nenhuma.  Mas representa um problema social sem solução: ninguém se sente muito atraído pela ideia de levar à boca (ou sequer ao nariz) um gelado ou um snack que sai de um sapato! Por isso, é  previsível que continue a mudar de mãos. Só não se prevê que mude de pé…

Quem se vê na TV (20)


jmmcc,

Os autocolantes compulsivos

São sabotadores perversos. Os autocolantes compulsivos distinguem-se dos restantes grupos por nunca aparecerem na pantalha (ou, se aparecem, não se assumem), mas são os mestres da sabotagem televisiva.

Andam sempre entretidos com toda a programação, seja ela qual for, e nunca se dão por satisfeitos. Inventam, inventam sempre. Contudo, as notícias é que constituem os seus momentos verdadeiramente orgásmicos. Eu explico.

Imagine-se a assistir às notícias. No canto superior esquerdo, por exemplo, tem o logótipo do canal emissor. Por baixo, lá está o relógio com as horas. No canto superior direito, lê-se o nome do enviado especial que está a falar do exterior. Abaixo, está escrito o lugar em que se encontra o enviado especial. No canto inferior esquerdo, está escrito um grande tema (cultura, economia, desporto, política, etc.), só que o tema não tem qualquer relação com a notícia transmitida nesse momento, mas sim com o rodapé. Este rodapé ocupa a faixa inferior a quase toda a largura e tem quatro linhas: uma primeira que é temática (espécie de subtema que caracteriza o grande tema anterior), duas linhas reservadas à narrativa específica e ainda uma quarta em que passam sucessivamente flashes noticiosos, uns atrás dos outros. No canto inferior direito, é possível que esteja a passar informação sobre o tempo que faz em diversas localidades, ou sobre o trânsito na capital, ou as duas coisas, ou outras coisas quaisquer.

O modelo descrito pode sofrer variações. Os autocolantes compulsivos estão sempre a inventar. Por isso é que não dão a cara. Ficam lá atrás, entretidos a inventar novos métodos para tapar as duas linhas da tradução do que aquele árabe está a perorar sobre a próxima crise do petróleo em resultado da rede de abastecimento eléctrico de automóveis anunciada por Sócrates.

Por causa da sabotagem dos autocolantes compulsivos é que vou ter de comprar um televisor igual ao daquele café que enche pelas costuras quando há jogo num canal desportivo codificado: com tantos autocolantes no ecrã, só um aparelho gigante me permitirá sentir que tenho um televisor normal. Afinal, a gente compra um televisor para ver o que estão a mostrar ou para ficar com tudo escondido atrás dos autocolantes?

Por via das dúvidas, comprarei um daqueles televisores sem fundo que não dão para pousar uma jarra com flores de plástico, não vá saltar de lá um dos autocolantes compulsivos para lhe pôr um naperon no topo com uma ponta a cair para cima do nariz da Ana Lourenço, que é a única coisinha que ainda consigo ver…

Alarme espantoso?


jmmcc,

Os deputados interromperam hoje os trabalhos parlamentares, quando ficaram espantados por causa de um alarme que disparou na Assembleia da República. Se fosse coisa séria, podiam ter ficado espantados e encurralados.

Mas não compreendo o espanto face a um alarme. Não sei se concordam comigo, mas eu olho para o actual funcionamento do regime e também fico alarmado. Às vezes, até me apetece disparar.