Ao fim do dia


jmmcc,

O balanço do dia é pouco tranquilizador. Vejam só este apanhado noticioso.

 

1. José Sócrates foi dizer em Marrocos que «o país precisa de quem puxe pelo país». A construção infeliz da frase não perde realismo: precisa, sim, e é suposto ser o governo a puxar pelo nosso país. Só não parece que seja o governo marroquino.

 

2. À margem da cimeira luso-tunisina, Luís Amado declarou que o governo português defende um apoio financeiro da União Europeia à Grécia. Sendo improvável que Portugal esteja em condições de ser útil aos gregos, já se tinha percebido por cá a intenção agora manifestada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros: Portugal põe-se a jeito para receber algum apoio, por via das dúvidas. “Pede o guloso para o desejoso”, como sempre ouvi dizer.

 

3. O ministro das Finanças considerou «que a instabilidade que nalgumas áreas da União Europeia se tem vindo a sentir em torno da situação orçamental de alguns países da zona euro mostrou claramente que Portugal corre o risco de vir a ser afectado também por uma onda de choque dessa instabilidade que se poderá gerar». Teixeira dos Santos fala cada vez mais como um (mau) político e sem tradução possível: a instabilidade que se tem vindo a sentir blá-blá-blá dessa instabilidade que se poderá gerar?! É melhor desistir de tentar traduzir isto. Quanto às ondas de choque, as que já afectam Portugal são constantes e o exercício do governo não é parte menor nisso. Vem aí outra onda de choque? Só se for para substituir uma das que já temos, porque não há lugares vagos.

 

4. Entre seis países europeus estudados, Portugal é o que tem maior percentagem de pessoas a sofrer de perturbações psiquiátricas, um número apenas comparável ao apresentado pelos Estados Unidos. Eis a realidade apurada: um em cada cinco portugueses sofre de perturbações psiquiátricas. Alguém sabe de cor quantos ministros e secretários de Estado temos? Como dizia o outro, é fazer as contas.

 

Assustador? Também acho.

19 comentários em “Ao fim do dia”

  1. Faço minhas as palavras da Ana Margarida. Assustador é, mas dito assim por ti dá pelo menos para rir. Confirma-se: vivemos numa espécie de opera buffa.

    (e parabéns pela referência na Antena 1, ó delituoso famoso!)

  2. Tudo muito bem visto, na verdade.
    1) Sócrates continua a fazer umas corridinhas por esse mundo fora, mas puxar pelo país é que nada: puxa-se apenas a ele e sabe Deus;
    2) O ministro Amado, lá anda de cimeira em cimeira a ver quando, onde e a quem pode lançar a escada;
    3) Teixeira dos Santos está cada vez mais imperceptível e, como alguns técnicos de futebol, começa a falar um dialecto que só ele entende – o Teixeirasantês;
    4) Na verdade, como dizia o outro, “é só fazer as contas”. Eu tenho a impressão de que eles são mais de cem…
    5) Como a notícia saíu ontem, há uma que não conta para estas estatísticas, uma vez que declarou que ontem não ‘havia ministra para ninguém’, dado que ‘tinha tirado o dia’ para ser autora. Deu um ‘pulo de ministra’ de anteontem para hoje.
    Assustador, na verdade. Tenham medo, tenham muito medo.

          1. Ah, como eu sou distraída… cheguei a pensar que não eram só “urricos” (Louçã dixit, o seu a seu dono) a pagar a crise, imagina! Estou muito mais descansada…
            🙂

  3. O putativo primeiro-ministro Teixeira dos Santos tem vindo a emitir crescentes sinais de fadiga mental. É isso, pelo menos, que indicia o trecho de teixeirasantês (expressão bem captada pelo Luís) que aqui nos deixas. “A instabilidade que nalgumas áreas da União Europeia se tem vindo a sentir em torno da situação orçamental de alguns países da zona euro mostrou claramente que Portugal corre o risco de vir a ser afectado também por uma onda de choque dessa instabilidade que se poderá gerar” é paleio de quem está à beira de um esgotamento psíquico.
    Não admira, aliás, que o putativo primeiro-ministro esteja neste estado: tem que aturar ministros como José Sócrates.

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