Vícios de antena enchem pneus


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Os vícios da moda na linguagem são muitos e têm dois aspectos comuns: são todos lançados por políticos e são todos insuportáveis. Mas embirro solenemente com um, que é a ocupação de tempos de antena através de truques básicos que apenas alongam as intervenções do forma inútil. Chama-se "pingo a pingo enche o político o espaço". Por vezes, acontece que o truque é usado porque se põem a falar sem saber bem o que vão dizer e menos ainda como irão acabar a frase.

Um desses truques é utilizado com altíssima frequência por Sócrates. Funciona assim (para os distraídos, marcarei a negro as palavras a mais): «nós queremos que o nosso sistema de impostos seja um sistema de impostos mais justo», ou «esta nova escola é uma nova escola que passa a integrar a rede blá-blá-blá-blá».

Como Sócrates usa e abusa desta forma básica, não falta quem a tenha adoptado. Teixeira dos Santos, por exemplo: «esta crise é uma crise que atingiu blá-blá-blá-blá», ou «estamos a passar um momento que tem sido um momento que requer blá-blá-blá-blá». E assim por diante. Não faltam seguidores dispostos a fazer parte do grupo dos que falam sem dizer nada. É moda e serve para encher pneus.

Vivos ou mortos?


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Um deputado socialista tem uma proposta de lei que só peca por tardia: visa tornar «proibida a atribuição de nome de pessoa viva a qualquer bem público, de qualquer natureza, pertencente ao Estado ou a pessoa colectiva de direito público», e «a bens ou actividades privadas que, a qualquer título, hajam recebido apoio financeiro de entidade pública».

Por incrível que pareça, a prática está de tal modo vulgarizada – grande parte das vezes, por auto-decisão para auto-atribuição ao auto-glorificado, o que ainda é pior – que agora só por diploma legal se conseguirá repor um comportamente decente e ético, impedindo que se continue a endeusar por este país fora quem ainda não chegou à História e, em tantos casos, quem nada fez de relevante.

Problema bicudo vai ser com a proliferação das Praças da Liberdade e Avenidas do 25 de Abril, por exemplo. Afinal, a Liberdade e o 25 de Abril estão vivos ou não? Se não estão, então podem continuar a dar nome à toponímia…

O congresso na TV


jmmcc,

Seguir hoje o congresso do PSD pela SIC-N é emocionante. Se alguém estiver interessado nas propostas de alteração dos estatutos do partido e na forma como estão a ser votadas, talvez tenha muita dificuldade para abarcar os acontecimentos. «Vou ser franco» – dispara em directo o próprio Ricardo Costa às tantas. «Nem sei o que é que estão a votar.»

Em compensação, fica-se a perceber facilmente o que o Ricardo Costa pensa sobre tudo e sobre todos. Condenada a estar sentada ao lado dele, a Raquel Alexandra até tem palpitações. É o que se chama fazer um trabalho de cobertura do congresso a que só falta descobrir onde pára o congresso.