Vivos ou mortos?


jmmcc,

Um deputado socialista tem uma proposta de lei que só peca por tardia: visa tornar «proibida a atribuição de nome de pessoa viva a qualquer bem público, de qualquer natureza, pertencente ao Estado ou a pessoa colectiva de direito público», e «a bens ou actividades privadas que, a qualquer título, hajam recebido apoio financeiro de entidade pública».

Por incrível que pareça, a prática está de tal modo vulgarizada – grande parte das vezes, por auto-decisão para auto-atribuição ao auto-glorificado, o que ainda é pior – que agora só por diploma legal se conseguirá repor um comportamente decente e ético, impedindo que se continue a endeusar por este país fora quem ainda não chegou à História e, em tantos casos, quem nada fez de relevante.

Problema bicudo vai ser com a proliferação das Praças da Liberdade e Avenidas do 25 de Abril, por exemplo. Afinal, a Liberdade e o 25 de Abril estão vivos ou não? Se não estão, então podem continuar a dar nome à toponímia…

21 comentários em “Vivos ou mortos?”

  1. Que sorte o “Magalhães” já ter morrido! Se assim não fosse, não sei que nome se haveria de dar àquela maravilhazinha tecnológica, que tanto tem contribuído para a formação das nossas criancinhas. Quanto mais não seja, ficam a saber que embora esteja vivo e saltitante o projecto das maquinetas, tem nome de defunto.
    Sem dúvida, (mais) uma matéria importantíssima a requerer legislação urgente e a atenção de quem de direito.

  2. Concordo consigo. Como vai ser? Pode aparecer, até o próprio deputado, alguém que possa explicar. Creio até que será o próprio, dizendo que entendemos mal, não foi bem isso que quis dizer……

  3. A Pilar del Rio, por ser mulher do Saramago, já tem o nome numa rua portuguesa, imagine-se.
    Isto diz tudo sobre o país, não?
    Sendo que país é favor, claro…

  4. Concordo em absoluto com esta proposta de lei.

    Toca a enterrar rapidamente os vivos, se estes querem mesmo fazer parte da toponímia dos lugares… será justo no entanto realçar que de alguns nem sentiríamos a falta.

    Já era demais, estava cá uma rebaldaria que se concorria a uma contabilização infernal:
    – eu tenho 6 ruas com o meu nome, e tu?

  5. Proponho uma ida a Elvas para se ver o que é um verdadeiro culto de personalidade. Só falta darem o nome do presidente da camara aos Paços do Concelho.
    Depois pode-se aproveitar para ir a Badajoz comprar caramelos e atestar o deposito do popó.

    PS. Apesar disso, temos que reconhecer que o homem tem obra feita.

    1. Pois aqui em Elvas já existem 400 e tal ruas, pavilhões, instituições e eu sei lá o quê mais com o nome do homem!!!!! Por muita obra (mal) feita que tenha (que eu saiba, cimento não cria emprego…), acho o maior despudor e afronta aos munícipes que REALMENTE trabalham POR e PARA Elvas. Para não falar dos que já não estão no mundo dos vivos…

  6. Claro que estou completamente de acordo que esta proposta de lei só peca por tardia, já que o bom senso não impera por estas bandas. Quanto às Praças da Liberdade e Avenidas 25 de Abril não acompanho o seu raciocínio, o qual, inteligente como sempre, é todavia um pouco capcioso. Por essa ordem de ideias também deveriam desaparecer as Avenidas da Republica .

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