Cada macaco no seu galho


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Uma das críticas mais veementes vulgarmente lançada sobre o jornalismo diz respeito a casos noticiados que não correspondem à verdade ou que foram deturpados de forma grosseira e que, depois, não são corrigidos ou que, quando o são, não merecem relevo igual.

Esta queixa não é apenas comum, como ainda ganha contornos dramáticos quando parte do poder. Imagine-se agora a cena quando estamos perante um poder com particular apetência para dar abrigo aos jornalistas na jaula dos leões, como é decididamente o caso do actual poder executivo.

Acontece que o poder devia preocupar-se sobremaneira com a ética, por ser razoável esperar que o papel de quem conduz sirva sempre de exemplo aos conduzidos. A este propósito, ainda ontem o ministro Teixeira dos Santos teve uma intervenção infelicíssima no Parlamento que foi capaz de gerar um coro de mais do que legítima indignação por parte de todos os deputados da oposição (e seguramente alguns engulhos aos seus pares).

Hoje, ainda há quem se sinta ofendido e manifeste de viva voz que não desiste de esperar por um pedido de desculpas de Teixeira dos Santos pelo que ele afirmou ontem. Não sei se ele o fará ou não, mas sei que, se o fizer, já virá tarde. Tê-lo feito logo a seguir no mesmo lugar e perante os mesmos ouvintes seria dar igual importância ao disparate e ao pedido de desculpa pelo disparate, o que anularia por certo o momento infeliz.

Passado um dia e perdida a ocasião, poderá já não apresentar desculpas, mas jamais será perdoado pela afronta que proferiu. No entanto, se ainda vier a fazê-lo, também parecerá sempre que se sentiu pressionado e que preferiu o pior: corrigir a manchete de um jornal com um texto publicado em corpo minúsculo no fundo de uma página par do interior.

Em suma: o poder nem precisava de ter atenção quando lhe apetece atirar pedras aos outros; bastava-lhe dispensar-se de ter pedras para não se sentir tentado a arremessá-las. Já lhe chega ser poder. E aceitar que cada macaco tem o seu galho.

O novo faz-tudo


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Aqui está a última versão  do faz-tudo contemporâneo. É um sinal dos tempos, sem dúvida. Hoje em dia, um faz-tudo é um ser complexo: já não lhe basta a tradicional versatilidade; tem de ser multifuncional.

É português? Não. É brasileiro. Mas isso já não interessa. Graças à CPLP, internacionalizou-se.

Que reuniões e que condições?


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Parece sina. Já não bastava que se verificasse a falta de segurança de uma ponte e ficasse à espera que ela caísse. Ciclicamente, em Portugal começa a betonar-se uma ponte ou um viaduto e a estrutura abate e ceifa as vidas que apanha. Depois, fecha-se um perímetro em volta do sinistro e aparecem invariavelmente uns figurões a dizer para as câmaras com ar solene: "A normalidade só será restabelecida quando estiverem reunidas todas as condições de segurança."

Hoje, em Amarante, não é diferente. O IP4 está cortado e a reabertura tem sido sucessivamente anunciada e adiada desde a madrugada. À hora do almoço, já apontavam para o fim da tarde. Pelas imagens que vi, será adiada mais uma vez. "A normalidade só será restabelecida quando estiverem reunidas todas as condições de segurança."

São "reuniões" tardias. O IP4 devia ter sido cortado antes de se ter iniciado a colocação de toneladas de betão por cima dessa via. E é isto que me faz espécie: não será tempo de começar a pensar se estão "reunidas todas as condições de segurança" de cada vez que uma obra avança e fechar um perímetro antes que surja a tragédia?

Não estou a falar de prejuízos materiais por não estarem "reunidas todas as condições". Estou a falar de quem morreu antes da hora. Será exagero pedir que sejam "reunidas todas as condições de segurança" antecipadamente?

De partida


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Independentemente das partidas que o clima tem andado a pregar um pouco por toda a parte, o certo é que a Primavera está à porta. É quanto basta para uma pandemia que se preze fazer as malas e voar para outras bandas.

Sabia que… (14)


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… o seu telemóvel pode ser uma arma eficaz do seu adversário? Sabia, evidentemente. Cada vez mais, o seu telemóvel pode ser o seu pior inimigo. Tem aqui pormenores para se acautelar, divulgados pela ABC News: Beware of cell phone spying. Conheça também alguns conselhos para se defender disso.

Não está farto de ouvir políticos dizerem que «quem não deve, não teme»? Esqueça. Quando lhes batem à porta, são os primeiros a refugiar-se no "segredo de justiça" e no sigilo profissional. Já reparou que todos eles parecem motores de corda a afirmar que estão «de consciência tranquila»? Desengane-se. Se estivessem, não passavam o tempo a repetir-se.

Portanto, já sabe: cuide de si porque o Estado não tem tempo para isso. E nem é de fiar, nos dias que correm.

Violência quê?


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A lembrar este Dia Internacional da Mulher, o ministro da Presidência falou a uma plateia quase toda feminina sobre preocupações que afligem hoje as mulheres. Melhor fôra que uma mulher do governo falasse para uma plateia de homens, mas adiante. Silva Pereira apontou o dedo, designadamente, ao que hoje se chama «violência de género».

Acontece que, por acaso, o Dia da Violência de Género é 25 de Novembro, mas não faz mal. Só que embirro com a expressão. É importada, obviamente, mas embirro. Violência de género, afinal, é o quê? A violência é sempre uma coisa do género mau, ou não? A violência passou a ter sexo?

Blogue da semana


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Convido-vos a seguirem-me numa viagem ao passado da minha terra-natal. Vamos juntos ver cantos e recantos da velha urbe p’ra norte de Marrocos, conhecer coisas e loisas de gente que mora p´ra lá dos mouros. Vamos ao encontro de «Histórias e Imagens da Cidade» nostálgica, através de um completo e bem organizado índice temático, onde ainda encontramos um conjunto de links que é uma tentação.

O Porto Antigo tem Gabriel Silva como guia e é o nosso Blogue da semana, esta semana.

Sabia que… (13)


jmmcc,

 

… o fim dos dinassauros foi provocado pelo embate de um asteróide gigante na Terra? Claro: já tinha ouvido essa teoria antes. Só que a explicação passou a ser oficial e pacificamente aceite, apoiada e anunciada agora por um painel global de 41 cientistas de diferentes proveniências, liderado por especialistas europeus, norte-americanos, mexicanos, canadianos e japoneses.

A conclusão põe um ponto final na polémica que andava a dividir a comunidade científica há 20 anos, sobre o que podia ter acontecido no Mundo há 65 milhões de anos. O super-meteoro atingiu a Terra com a força de mil milhões de bombas atómicas e extinguiu mais de metade das espécies do nosso planeta em poucos dias.

Cai assim a teoria que apontava a causa para onde hoje é a Índia, região onde houve muitas e violentas erupções vulcânicas até há 1,5 milhões de anos. 

O asteróide, com 15 quilómetros de perímetro, teria caído em Chicxulub (actualmente, o México) e o impacto provocou enormes incêncios, violentos sismos acima de 10 na escala de Richter e tsunamis devastadores em consequência dos movimentos das placas tectónicas.

Se alguns dinossauros se safaram, foram apenas estes que se vêem aqui nas imagens. Mesmo assim, como se constata, ficaram muito mais magrinhos do que eram e sem problemas de colesterol. E sem dinossauras, que se saiba.

Posto isto, percebe-se melhor o ar de enfado dos bichos: estão à espera do próximo asteróide, porque perderam o anterior, mas não sabem a que horas é que ele chega. Se já tinham ficado pele-e-osso, ficaram osso-e-osso de tanto esperar. Milhões de anos depois, é isso que nos vale.

Mas que pressa é essa?


jmmcc,

José Sócrates foi visto a correr logo de manhãzinha na marginal de Maputo.

Perguntar-se-á: se ele ainda mal começou a trabalhar nestes cinco meses de governo, que bicho lhe terá mordido para ficar com tanta pressa assim de repente?

Nem as razões que invocou me parecem plausíveis: «cercado», «comem-nos vivos», «tenham piedade». Estaria a fugir dos tubarões? Ou tinha avistado algum pirata da Somália tipo sereia? (Isto é: um pirata anfíbio com corpo de antropófago e rabo de piranha.)

Uma coisa que me ficou cá a remoer no toutiço foi a expressão que o primeiro-ministro utilizou: «comem-nos vivos». A ele e a mais quem?

Sabia que… (especial)


jmmcc,

… todos nós podemos montar um carro desde o parafuso até ficar completo e sem que sobrem peças? Pois podemos, sim. Qualquer um de nós, se tiver força de vontade, tempo disponível e espaço bastante. O único risco é não ficar tudo no lugar certo. Mas isso são minudências, não é? Nem todos somos especialistas e perfeitos.