Anúncio com ‘portfolio’


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Empresa conceituada vende pontes para todos os fins aos melhores preços.

Temos pontes para rios secos e para rios molhados (v. os dois modelos acima), pontes tipo Indiana Jones (v. modelo à esquerda), pontes para fins-de-semana prolongados e pontes para substituição de feriados.

Todos os modelos disponíveis sem e com instalação de carris em diversas bitolas: bitola europeia, bitola ibérica, bitola socialista, etc., tanto em pontes rodo-ferroviárias como em pontes ferro-rodoviárias.

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Garantimos os melhores preços:

♦ preço de tabela para cumprimento do prazo;

♦ agradável subida do preço por cada atraso;

♦ interessante disparo do preço por obras a mais;

♦ tentadora taxa de inflação sem qualquer motivo;

♦ outras modalidades a pedido do cliente.

Rumores e embates


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A ideia de que os novos impostos possíveis irão reportar-se ao princípio do ano está hoje a espalhar-se. Ora, a legislação aplicada com efeitos retroactivos só acontece em casos muito específicos e raros. E nunca em Direito fiscal.

Provavelmente, cobrar para trás ou cobrar durante mais tempo não aquenta nem arrefenta, mas é razoável perceber-se que muita gente planeia a sua vida com muita ginástica, com dramática acrobacia. Por isso, é bom que não se embarque em qualquer atoarda que surja, porque os tempos são propícios à mais variada especulação. Muitas vezes, são rumores lançados para se saber a reacção e ver se colhe. Preparemo-nos para os embates.

Modos de trepar


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Portugal trepa tudo quanto é escala e aproxima-se vertiginosamente dos países da UE com valores mais altos. Impostos mais elevados, salários mais baixos, ensino mais deficiente, avaliação mais ridícula, língua mais maltratada, ciência mais incipiente, sabedoria mais fraca, autoestradas mais numerosas, défice mais profundo, dívida mais assustadora, política mais ineficaz, políticos mais impreparados, corrupção mais activa, imprensa mais controlada, justiça mais lenta, economia mais débil, finanças mais desperdiçadas, orçamentos mais irrealistas, crescimento mais tímido, trabalho mais precário, desemprego mais dramático, pobreza mais acentuada e homossexuais mais casadoiros.

Só falta sermos felizes. O que se explica: quanto mais o país trepa mais a gente se afunda.

Frases do ano (28)


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“A prova evidente de que essa iniciativa [diploma sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo] não perturbou as medidas necessárias para fazer face às dificuldades do País é que essas medidas estão aí pendentes.”

Jorge Lacão aos repórteres

Avanços e avanços


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Acabo de ouvir o ex-porta-voz do PS Vitalino Canas dizer repetidamente, com o ar mais feliz do mundo, que a promulgação do diploma sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um «imenso avanço civilizacional». Não estou certo, mas isso não vem ao caso — o PS achou que era uma medida fundamental nos tempos que correm, dividiu opiniões e sensibilidades e ganhou a sua.

Do que estou certo é que, entre os imensos avanços civilizacionais, o bem-estar dos cidadãos, com tudo o que isso implica (educação, progresso, segurança, justiça, trabalho, saúde, etc.), é claramente prioritário. Prioritário ao ponto de facilitar o casamento e os nascimentos entre os heterossexuais através da esperança de uma vida decente sem sair do país.

Vitalino Canas, no seu esgar de alegria, não foi capaz de captar o essencial e o PS continua sistematicamente a esquecer-se do que são os imensos avanços civilizacionais aos quais lhe competia abrir caminho. Foi mais uma imagem tristíssima, aquela a que acabei de assistir.

Mas há-de ver um dia destes


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«O que nós vamos fazer é o que está no PEC, Plano de Estabilidade e Crescimento. A senhora deputada já viu lá o aumento de impostos? Não viu…»

(José Sócrates, primeiro-ministro, a responder a Heloísa Apolónia, deputada d’Os Verdes, na Assembleia da República, em meados de Abril de 2010)

A ponte mais cara do mundo


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Há dias, o ministro das Obras Públicas garantia que a terceira ponte de Lisboa sobre o Tejo e todos os grandes investimentos iam em frente.

No dia seguinte, o ministro das Finanças dizia que talvez fosse preciso repensar os grandes investimentos.

Uns dias depois, o primeiro-ministro confirmava que os grandes investimentos não podiam ser adiados.

Logo a seguir, o primeiro-ministro regressava de Bruxelas e explicava que os grandes investimentos precisavam de ser recalendarizados.

Dois dias passados, o ministro das Obras Públicas considerava que a nova ponte é dispensável por existir a possibilidade de criar uma via ferroviária para o TGV na Ponte 25 de Abril.

Poucos dias mais tarde, o primeiro-ministro afirmava que a nova ponte sobre o Tejo tem de ser feita.

Agora, o secretário de Estado das Obras Públicas anuncia que a nova ponte avança já e vai ser rodoviária e ferroviária.

 

O que vale é que vamos receber menos salários e pagar mais impostos. Calha bem, porque não vai ser fácil pagar a ponte e cheira-me que ela vai ser a mais cara do mundo. Se uma ponte a direito já custa para cima de um dinheirão, fazer uma ponte com tantos eSSes e eRRes não há-de ser pera doce.

‘Artitectura’: os mal-amados (16)


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Palais Bulles, em Théoule-sur-Mer,

Cannes (Côte d’Azur, França)

O Palais Bulles é sobranceiro à baía de Cannes, em Théoule-sur-Mer, uma comuna francesa que pertence aos Alpes Marítimos, em plena região administrativa da Provença-Alpes-Côte d’Azur. Foi concebido pelo arquitecto finlandês Annti Lovag, pioneiro (nos anos 70) das chamadas casas-bolhas em ferrocimento, que permitem deixar de lado as divisórias verticais e respectivos ângulos e, supostamente, dão azo a um design de interiores mais flexível.

 

Trata-se de uma habitação com múltiplos corpos e desníveis que começou a ser erguida em 1975 para um industrial milionário, com 1200 metros quadrados de área de construção e 8500 metros quadrados de arvoredo, jardins e piscinas, tudo enquadrado pelas escarpas envolventes.

Porém, o industrial morreu antes da sua conclusão e a obra parou. Quem acabou por se chegar à frente, na década seguinte, foi o italiano naturalizado francês Pietro Cardin, mais conhecido como o estilista de alta-costura Pierre Cardin. Comprou a propriedade por 50 milhões de francos, em 1989, e ainda teve intervenção na adaptação do projecto e no evidente sublinhado da excentricidade a seu gosto.

Com o complexo terminado, Pierre Cardin passou a viver aí grande parte do ano e a receber muitos amigos, instalados principescamente nas amplas alas da casa. Começou também a aproveitar a propriedade para uma cintilante apresentação anual de novas colecções da sua cobiçada marca, na presença de muitas estrelas convidadas e não menos cobiçadas.

Há vários casos de habitações de idêntica concepção um pouco por todo o mundo e talvez outros exemplos ainda venham a esta série, como um que já aqui passou (v. Arquitectura: os mal-amados – 3), mas nada com a grandeza e extensão do Palácio Bolhas (é de supor que soe melhor em francês…) e a sua associação a Cannes, Cardin, Côte d’Azur, etc., nomes que deixam os olhos a brilhar e que geram naturais hesitações aos críticos.

É possível que isso justifique as palavras cautelosas dos poucos que se atrevem a tecer considerações “levemente” mais ousadas, do género “parece uma coisa de outro mundo” e “talvez não seja do mais bonito que há, mas ninguém recusaria passar lá uma temporada”. Claro que não, porque é enorme, possui todo o conforto e a praia e o mar estão logo ali, depois do imenso portão.

Como palácio pós-modernaço, está suficientemente bem implantado para que a vizinhança (afastada) pudesse chamar-lhe mal-amado — e os convidados ainda menos. Mas sofre de todos os inconvenientes das bolhas: àquela ideia peregrina sobre a flexibilidade do décor interior opõe-se a óbvia dificuldade (ou melhor: impossibilidade) de encaixar mobiliário, equipamento e adereços que acompanhem as paredes (imaginem só a colocação de uma cama, do frigorífico ou de um quadro).

Já quanto ao arquitecto Annti Lovag pode contrapor-se o nosso Mestre Afonso Domingues: uma bolha em ferrocimento (apoiada por uma quantidade de paredes internas, por muito arredondadas que sejam) deve ficar um bocadinho aquém de uma abóbada gigantesca há seis séculos.

Em suma: o projecto é mais difícil do que juntar uns quantos balões, mas convenhamos que parece mais simples do que erguer mosteiros abobadados. De resto, na bela costa sul francesa há mais algumas moradias do género e o próprio Lovag tem uma casa-bolha na região, só que está à venda há uns tempos…