Com a verdade m’enganas!


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Depois das declarações inflamadas de  Marques Mendes, alguém do PSD veio declarar que na próxima legislatura  os laranjas irão apresentar uma proposta para serem proibidas as candidaturas de pessoas que estejam a contas com a justiça.  Pena não ter  explicado por que razão  o PSD retirou uma  proposta  que já apresentara na AR sobre esta matéria.

Nesse mesmo dia,  MFL  dizia, no tribunal de VF de Xira, que apoiaria “todas as iniciativas que tenham por objectivo dar maior transparência à vida política e à democracia".

Horas depois,  Isaltino de Morais era condenado a sete anos de prisão e Manuela Ferreira Leite impunha  a inclusão, na lista de deputados por Lisboa, de dois candidatos que  foram constituídos arguidos em processos judiciais, acusados de envolvimento em crimes de fraude fiscal e falsificação. À noite, MFL dizia aos jornalistas que o período pré -eleitoral não era a altura adequada para discutir “questões de transparência”. 

Estou esclarecido. O PSD reclama, nos seus cartazes uma  “Política de  Verdade”. Não explica é a que horas  do dia a pratica, nem se  a líder está isenta dessa  exigência.

O PSD (de MFL) assume-se, cada vez mais, como  uma contrafacção manhosa do PS (de Sócrates). Resta saber se no dia 28 de Setembro vamos ficar com o original ou a versão contrafeita. Pelo sim, pelo não, preparem-se para chamar a polícia! 

A “gaffe” de Cavaco


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Tem-se glosado muito à volta da gaffe de Obama que, sem medir as palavras, acusou a polícia de ter reagido estupidamente, ao prender um professor negro à porta de sua casa.

Creio ter acabado de descobrir a gaffe de Cavaco para esta silly season.

Quando disse que levava como leitura de férias diplomas suficientes para encher um jeep, o PR também foi politicamente incorrecto. Pelo menos ecologicamente incorrecto. Todos sabemos que o jeep é um veículo predador do ambiente, com uma pegada ecológica do tamanho de um dinossauro, por isso Cavaco devia ter  medido melhor as palavras antes de escolher  o veículo de locomoção.

Poderia ter dito, por exemplo, “suficientes para encher uma carroça”  ou “para dar de comer a uma cáfila”. Ou, melhor ainda, conhecendo o apreço de MFL por iates e a confiança que neles deposita, no combate  ao desemprego, poderia ter dito " para encher um iate".  Agora um jeep, nunca! Quando muito, um carro eléctrico…

Esta não lembrava, nem ao Chávez!


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A ERC  decidiu impor limites às colaborações de candidatos nos media, com o objectivo de assegurar a igualdade de oportunidades de todas as candidaturas. Em defesa da bizarra decisão, Azeredo Lopes lembra “o peso decisivo” que teve a coluna de opinião de Rui Tavares no Público, para a sua eleição para Estrasburgo, pelas listas do BE. Curiosa esta declaração de Azeredo Lopes, mas adiante…

A ERC toma assim uma decisão para vigorar em período de nojo (desde a data da formalização da candidatura, até ao dia seguinte às eleições)  impondo aos órgãos de comunicação social uma medida de bom senso que deviam ser eles próprios a acautelar.

Já esperava que, mais dia menos dia, fosse dado este passo, que qualifico como uma inadmissível intromissão da ERC no estatuto editorial dos órgãos de comunicação social. Não posso, porém, deixar de esboçar um sorriso complacente perante tal medida e formular uma pergunta: a ERC admite que comentadores como Marcelo Rebelo de Sousa ou António Vitorino continuem as suas charlas semanais, mesmo sabendo que ambos têm uma opção partidária clara que os identifica perante os espectadores, podendo influenciar as suas escolhas?

A ERC vai ainda mais longe… proíbe a participação de candidatos em programas de rádio e televisão  "que lhes proporcionem visibilidade acrescida, nomeadamente de entretenimento e culturais”. Parece-me ridículo. E os mandatários dos partidos – que não são candidatos – poderão intervir nesses programas? Imagine-se “in limine” que um candidato faz parte de um rancho folclórico, de uma banda musical, é um actor  ou figura do espectáculo. Os programas onde intervem ( telenovelas, por exemplo) terão de ser suspensos?

A ERC também exige que os debates sejam com todos os candidatos. Embora me pareça a medida de maior razoabilidade, não deixa de suscitar várias questões relativamente ao benefício daí resultante em termos informativos Vai ser giro assistir a debates das legislativas ou das autárquicas. Uma dúzia de tipos à volta de uma mesa, com direito a uma intervenção de 3 minutos e está o assunto arrumado. Vai ser esclarecedor. Eu creio que os pequenos partidos receberam este engodo como uma boa notícia, mas será?

Eu compreendo que a intenção da ERC até é boa, mas quem vai sair beneficiado? Vão ser os partidos do costume: os do Centrão.

Não lembraria nem ao Chávez, mas a continuar assim não tardará muito que esta medida igualitária da ERC  se estenda aos blogs  colectivos, ao Twitter, ao Facebook e a outras redes sociais.

Não deixa de ser curioso o silêncio de imprensa, rádio e televisão. Talvez estejam a preparar uma estratégia concertada. A ver vamos, mas nestas coisas de solidariedade entre órgãos de comunicação social nunca fiando. Basta lembrar como a RTP e a SIC reagiram recentemente, quando Luís Filipe Vieira proibiu a entrada da TVI nas instalações dos encarnados…

Orgulhosamente só?


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“Sei que represento as mulheres portuguesas e tenho muito orgulho nisso” – afirma Maria Cavaco Silva numa entrevista a ser publicada amanhã no “i”.

Não sei se as mulheres portuguesas  também se sentem orgulhosas com a sua representante, mas gostaria que me explicassem  o que  significa “cuidar da interioridade” dos filhos. É que a mulher do PR (ou deverei dizer esposa, João?)  diz que gostava de deixar essa marca aos filhos…

Ó p’ra mim, tão inchado!


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Eu ainda não escrevi sobre o programa de governo apresentado pelo PS, porque estava  à espera que algum dos meus companheiros de Delito reconhecesse os meus méritos na sua elaboração. Não estou a brincar! Alguém do aparelho anda a visitar o meu Rochedo e a aproveitar-se das minhas ideias.

Ainda não li o programa todo, mas uma das medidas  anunciadas  é esta, que eu já propusera em Março. 

Pisca-pisca


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Depois de andar quatro anos a governar à direita, Sócrates começou a fingir que é de esquerda.  Todos os dias anuncia uma "medida de alcance social ", acena um apoio (ainda que tímido) a causas de esquerda e procura passar a imagem de que é socialista. Ou, pelo menos, social-democrata.

É tarde… A publicidade pode até nem ser má mas acredite, sr.engº, que não sou o único neste país a não acreditar em coincidências. Como neste caso…

Ternura é (9)


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Ver empresários e trabalhadores a multiplicar-se em jantares de homenagem a Manuel Pinho e recordar que ele (SÓ…) foi demitido por causa de uns corninhos. Inexplicável, num país amante de touradas. Espero que na ementa dos repastos não tenha faltado bife e espetada de novilho.

O silêncio de Joana


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Não me custa nada acreditar que Joana Amaral Dias tenha sido convidada (ou sondada) para integrar as listas do PS. Acredito, até, na história da oferta de um instituto público para ela se entreter. Não reajo, no entanto, como virgem ofendida, indignado com o convite.

É falta de ética? Sem dúvida, mas isso é surpresa para alguém que tenha acompanhado a vida política portuguesa na última década? 

Convém também lembrar que Joana Amaral Dias se pôs a jeito. Ao aceitar ser mandatária de Mário Soares, rejeitando o apoio ao candidato do BE, JAD deu sinais inequívocos de que estava a caducar o prazo de validade do seu apoio ao BE. Daí que acredite que alguém a tenha convidado, convencido de que “uma palavrinha ao Sócrates” resolveria o assunto. Quem o fez, enganou-se.

Também acredito  em Sócrates quando diz que nem ele, nem as pessoas a quem competia  fazer as listas,  a convidaram, ou pediram a alguém para a convidar.

A questão é, no entanto, demasiado séria para cair no esquecimento. É imperioso que JAD diga quem a convidou, para se ficar a saber quem está a mentir. (Se é que alguém está a mentir  e eu acredito que não.) Com a mesma ligeireza com que  anunciou  à comunicação social o convite, JAD devia dizer quem a convidou. Não o fazendo, fico com a impressão de que JAD terá tentado, através da comunicação social, exercer  pressão  para que o convite viesse a ser confirmado. Refugiar-se no silêncio não é digno.

Este episódio, porém, terá consequências. O prazo de validade de JAD no BE expirou. Como muitos outros, que estão no BE apenas à espera de um convite para ocupar um lugar na agência de empregos do Centrão, JAD  terá pensado que tinha chegado a sua hora. Ainda não foi desta. ..

Resta saber (ou não…) quem mais vai sair chamuscado desta novela de (maus) costumes.

Jamais digas Jamais


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Foto retirada do blog Olhares

 

 

Há dias, quando um grupo de apoiantes de Sócrates decidiu criar o SimpleX, levantaram-se na blogosfera vozes críticas, zurzindo de forma desmesurada – por vezes insultuosa – nos autores. 

Não pensava pronunciar-me sobre o assunto, por duas razões:

– O  baixo nível de alguns ataques não merece que se perca tempo com quem os profere.

– Embora os respeite, nunca me atraíram os blogs colectivos de culto, ou de pensamento único.

O tempo – demasiado tempo! – que vivi num regime monocromático deixou-me marcas profundas. 

Gosto de ambientes onde haja diversidade de opiniões e se debata de forma livre e cordata. Foi por isso, aliás, que depois de ter recusado vários convites para escrever noutros blogs colectivos aceitei integrar a equipa do Delito de Opinião, onde a pluralidade estava garantida e o civismo e respeito mútuo asseguravam que o debate se faria de forma aberta e educada, não se deixando os seus autores obnubilar pelas preferências partidárias. O tempo tem-me mostrado que não me enganei e sinto-me orgulhoso de integrar esta equipa plural.

Quando soube que surgira um novo blog de apoio a Manuela Ferreira Leite, fui consultá-lo com a mesma curiosidade e expectativas com que o fizera em relação ao SimpleX. Tive, porém, uma surpresa. Entre os nomes da equipa do Jamais encontrei alguns dos que nos últimos dias zurziram sem dó nem piedade no SimpleX, acusando-o de “grupo de seguidistas”, “militantes de seita” ou “clac socialista”, numa manifestação exaltante de falta de cultura democrática e compostura cívica.  Percebi, de imediato, o alcance do nome que escolheram. Na verdade,  NUNCA se deve dizer NUNCA, para evitar que o efeito “boomerang” nos cubra de ridículo.

Dou demasiado valor à democracia para a espezinhar em contradições  oportunistas.  Por isso, ao ver  que alguns nomes  tão críticos do SimpleX  integram o Jamais, leio  um sinal que me explica o tipo de alternativa que nos prometem: mais do mesmo. Ou, por outras palavras mais apropriadas ao espírito da  época, a dança das cadeiras. O Centrão  continua efervescente…

Votos de felicidades aos dois, especialmente aos companheiros do Delito de Opinião que integram ambas as equipas. 

Postais de Estocolmo


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Às sete da tarde, a temperatura em Estocolmo era de 24º, convidando a desfrutar, numa esplanada, as soberbas paisagens que a cidade oferece. Atravessei Gamla Stan, em direcção a sul. Subi no elevador até ao bairro de Mosebacke, no intuito de me sentar na soberba esplanada do  Södra Teatern, de onde se podem admirar os canais, espreguiçando-se entre o casario, desde Djürgarden até  Kungsholmen – o bairro aristocrata, onde vivem os mais endinheirados. Mosebacke é, por contraste, a porta de entrada para Soddermälm, onde habita a classe operária. Curiosidades…

A esplanada estava  a abarrotar,  as pessoas acotovelavam-se junto aos balcões para pedir uma bebida, mas  lá descortinei uma mesa para seis pessoas, de onde podia gozar todo este esplendor que vêem na imagem.

Estava de máquina aperrada, hesitando em ferir com a minha imperícia de fotógrafo, a imaculada paisagem, quando duas jovens suecas pediram para se sentar. Como é natural, entabulámos conversa, ficaram muito curiosas quando lhes disse que vivera em Estocolmo há 30 anos e fartaram-se de me fazer perguntas sobre as diferenças entre a cidade de  hoje e daquela época.

A determinada altura uma delas levantou-se, regressando alguns minutos depois com três copos  de cerveja.  Soltou um desabafo em sueco – que não traduzo –   e depois disse em inglês:

– Com a crise, a Suécia está a ficar irreconhecível*. Agora temos que nos levantar para ir buscar bebidas ao balcão! Não seria mais normal que, em plena crise, empregassem pessoas, diminuindo o desemprego?  Em Portugal também é assim?

 

 – Não! De maneira nenhuma, minha cara…. Em Portugal os patrões empregam as pessoas, mas depois não lhes pagam os salários ao fim do mês, o que é muito mais cómodo para quem tem trabalho e vencimento assegurado ao fim do mês.

Olharam-me, meio incrédulas e depois soltaram uma gargalhada.

– Estás a brincar, não estás? Aqui, um sujeito desses ia logo preso e confiscavam-lhe os bens, até pagar as dívidas. Sempre que uma empresa vai à falência, os primeiros credores são os trabalhadores.

– Mais ou menos como em Portugal –  respondi tentando esconder o riso.

Bebi um gole de cerveja e desviei a conversa para outro tema menos confrangedor, evitando mostrar-lhes que vivo num país terceiromundista, onde grassa o egoísmo e os vigaristas são sempre recompensados.

 

*Na segunda metade da década de 90, do século passado, os trabalhadores suecos foram confrontados com três opções: um aumento dos impostos, a redução do salário, ou cortes nas  reformas, que atingiriam os trabalhadores já reformados. Trabalhadores, patrões e  Estado chegaram a acordo e a decisão foi reduzir os salários entre 0,1% e 0,5 % (de acordo com o vencimento) e  aumentar os impostos  para os salários mais elevados. Foram igualmente cortadas algumas mordomias dos administradores das grandes empresas, revertendo o valor desses custos anuais para a segurança social. Ficou assim assegurado o valor das reformas actuais e futuras, durante um período de 30 anos.

Mais postais da Suécia no sítio do costume.

 

Ela lá sabe…


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É perfeitamente normal – e útil para o país- que MFL  pretenda  uma nova avaliação extraordinária das contas públicas. Ela sabe do que fala. Quando foi  ministra das finanças fez umas operações  cosméticas  para reduzir  virtualmente o défice em mais de 50% . Talvez tenha esperança de aprender algumas técnicas que ainda não domine.