Esta não lembrava, nem ao Chávez!


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A ERC  decidiu impor limites às colaborações de candidatos nos media, com o objectivo de assegurar a igualdade de oportunidades de todas as candidaturas. Em defesa da bizarra decisão, Azeredo Lopes lembra “o peso decisivo” que teve a coluna de opinião de Rui Tavares no Público, para a sua eleição para Estrasburgo, pelas listas do BE. Curiosa esta declaração de Azeredo Lopes, mas adiante…

A ERC toma assim uma decisão para vigorar em período de nojo (desde a data da formalização da candidatura, até ao dia seguinte às eleições)  impondo aos órgãos de comunicação social uma medida de bom senso que deviam ser eles próprios a acautelar.

Já esperava que, mais dia menos dia, fosse dado este passo, que qualifico como uma inadmissível intromissão da ERC no estatuto editorial dos órgãos de comunicação social. Não posso, porém, deixar de esboçar um sorriso complacente perante tal medida e formular uma pergunta: a ERC admite que comentadores como Marcelo Rebelo de Sousa ou António Vitorino continuem as suas charlas semanais, mesmo sabendo que ambos têm uma opção partidária clara que os identifica perante os espectadores, podendo influenciar as suas escolhas?

A ERC vai ainda mais longe… proíbe a participação de candidatos em programas de rádio e televisão  "que lhes proporcionem visibilidade acrescida, nomeadamente de entretenimento e culturais”. Parece-me ridículo. E os mandatários dos partidos – que não são candidatos – poderão intervir nesses programas? Imagine-se “in limine” que um candidato faz parte de um rancho folclórico, de uma banda musical, é um actor  ou figura do espectáculo. Os programas onde intervem ( telenovelas, por exemplo) terão de ser suspensos?

A ERC também exige que os debates sejam com todos os candidatos. Embora me pareça a medida de maior razoabilidade, não deixa de suscitar várias questões relativamente ao benefício daí resultante em termos informativos Vai ser giro assistir a debates das legislativas ou das autárquicas. Uma dúzia de tipos à volta de uma mesa, com direito a uma intervenção de 3 minutos e está o assunto arrumado. Vai ser esclarecedor. Eu creio que os pequenos partidos receberam este engodo como uma boa notícia, mas será?

Eu compreendo que a intenção da ERC até é boa, mas quem vai sair beneficiado? Vão ser os partidos do costume: os do Centrão.

Não lembraria nem ao Chávez, mas a continuar assim não tardará muito que esta medida igualitária da ERC  se estenda aos blogs  colectivos, ao Twitter, ao Facebook e a outras redes sociais.

Não deixa de ser curioso o silêncio de imprensa, rádio e televisão. Talvez estejam a preparar uma estratégia concertada. A ver vamos, mas nestas coisas de solidariedade entre órgãos de comunicação social nunca fiando. Basta lembrar como a RTP e a SIC reagiram recentemente, quando Luís Filipe Vieira proibiu a entrada da TVI nas instalações dos encarnados…

7 comentários em “Esta não lembrava, nem ao Chávez!”

  1. Bom, ao Chávez lembraria, mas apenas se aplicaria a um lado da barricada, como é óbvio.

    Seja como for, no seguimento desta decisão, falta saber se alguma televisão teria problemas em passar um filme com a Inês de Medeiros (talvez a RTP Memória, se passasse a velha rubrica “O Filme da Minha Vida”) durante a campanha para as autárquicas.

    Mas sinceramente, creio que a decisão peca por escassa. É sabido que o partido no poder recebe sempre mais atenção nas notícias, quanto mais não seja porque o governo está por razões óbvias mais sob atenção. Como tal, creio que o ideal era mesmo retirar toda e qualquer figura que tivesse estado, esteja ou viesse a estar envolvida num qualquer acto eleitoral de toda e qualquer atenção dos media. Noticiários inclusive. Poderia ser pouco informativo, mas que se respiraria melhor, lá isso…

  2. “Não posso, porém, deixar de esboçar um sorriso complacente perante tal medida e formular uma pergunta: a ERC admite que comentadores como Marcelo rebelo de Sousa ou António Vitorino, continuem as suas charlas semanais, mesmo sabendo que ambos têm uma opção partidária clara que os identifica perante os espectadores, podendo influenciar as suas escolhas?”

    ou mesmo, proibir a publicação do Diario de Noticias(PS) e afastar a Manuela Moura Guedes da TVI ,durante a campanha eleitoral, face ao posicionamento poltico destes!

    1. Francamente, não entendo. Toda a gente se queixa de que a ERC não faz nada.
      Quando faz, ‘cai o Carmo e a Trindade’.
      Agora a sério: valia mais continuarem quietinhos…
      Terão sido ordens do grande chefe?

      1. Primeiro: nunca ninguém se queixou de que a ERC não faz nada.
        Segundo: toda a gente minimamente sensata se queixa de que a ERC se farta de meter a pata na poça.

  3. Acabo de ver uma notícia em A Bola de que o Cândido Barbosa estará numa lista para a Câmara de Paredes e em lugar elegível. Seguindo a lógica da ERC, ele nem na Volta a Portugal poderia participar, porque cda vez que falarem dele, estarão a fazer campanha e a deixar os outros candidatos em desvantagem…

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