Tinha pensado escrever sobre o momento corporativo do dia, mas depois de ler isto já não vale a pena. Está lá tudo…
Está lá tudo…
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Tinha pensado escrever sobre o momento corporativo do dia, mas depois de ler isto já não vale a pena. Está lá tudo…
E quando os estudos podem atrapalhar a economia, escondem-se:
"A Agência americana para a segurança rodoviária recusou publicar dados apurados há sete anos sobre o perigo de utilizar telemóvel durante a condução devido a pressões políticas, noticiou ontem o New York Times.
Um estudo de 2002 da Administração Nacional para a Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA) mostra que falar ao telemóvel ou enviar mensagens escritas (SMS) ao volante esteve na origem de um quarto dos acidentes rodoviários esse ano. O estudo diz que 955 pessoas morreram em 240 mil acidentes causados pelo uso do telemóvel ao volante. O Centro de Auto-Segurança, de defesa dos consumidores e segurança rodoviária, obteve o relatório e tornou-o público, segundo o jornal americano.
Essas informações não foram publicadas na altura por receio da reacção do Congresso americano, declarou ao New York Times o antigo chefe da NHTSA, Jeffrey Runge. O jornal indica ainda a pressão do sector das comunicações móveis.
Runge afirmou que a sua organização perderia "milhões de dólares" de financiamento se aqueles dados levassem os estados a proibir a utilização do telemóvel nos automóveis.
Nos EUA, apenas a capital do país e sete estados têm hoje a proibição de utilizar telemóvel sem kit mãos livres e enviar SMS ao volante. Outros estados têm interdições parciais para menores de 18 anos e condutores de autocarros escolares. F.M."
( Público de hoje)
Esqueçam que ele foi Primeiro Ministro e leiam a entrevista que hoje dá ao “Público”. Um testemunho de clarividência, de um homem que sabe ler o mundo, porque tem muito mundo lá dentro.
Neste momento, o que o mundo – e a Europa em particular- precisava era de uma dúzia de líderes que lessem o mundo para além da economia e se preocupassem mais com as pessoas. Ou, dito de outra maneira, que pusessem a economia a funcionar em favor das pessoas, em vez de submeterem as pessoas ao jugo dos interesses económicos de uma meia dúzia de gananciosos e trafulhas.
Alguns dirão que tem uma visão pessimista. Discordo. Em minha opinião é realismo puro que só não vê ou percebe, quem não quer.
Refiro-me, claro, a esta entrevista de António Guterres
A propósito deste post do João e depois de ter visto as primeiras pessoas de máscara no Metro, lembrei-me de um mail que recebi há tempos:
"90 pessoas apanham a gripe suína e toda a gente quer usar uma máscara.
Um milhão de pessoas tem SIDA e ninguém quer usar um preservativo. "
Cada vez estou mais céptico em relação ao 27 de Setembro. Clubites partdárias à parte, creio que a escolha dos portugueses vai ser entre o caso Freeport e o caso BPN. A forma como evoluirem os dois casos no âmbito da justiça e o tratamento que lhes for dado na comunicação social pode ser determinante na escolha dos portugueses.
Tenho, porém, uma certeza. No dia 28 de Setembro estaremos metidos num imbróglio e pior do que hoje. Como aconteceu num 28 de Setembro, nos idos de 74.
Na Suécia, os trabalhadores têm direito a 42 dias de descanso por ano. Na Alemanha têm 40, na Dinamarca 38. E por aí adiante.
Em Portugal os dias de férias oscilam entre os 22 e os 25 e com os feriados podem ir, num ano bom, aos 10 ou 11. Somados, os portugueses têm entre 32 e 36 dias de descanso por ano.
No entanto, apesar de haver horários de 45 horas semanais – que, com raras excepções, já não se praticam nos países civilizados- , são muitas as vozes que se levantam a proclamar que somos dos países da Europa onde menos se trabalha. Que temos muitos feriados e muitos dias de férias, blá, blá, blá.
Enchem-se páginas de jornais a corroborar esta afirmação, difundindo “estudos” e fazendo “investigações” com objectivo de demonstrar que somos calaceiros e trabalhamos pouco.
Celebrou por estes dias o segundo aniversário, mas a própria autora não sabe dizer quando tudo começou, porque o blog foi criado de uma forma pouco convencional.
Mas eu sei que, desde que o descobri, nunca mais deixei de o visitar. Cativa-me a sensibilidade da Ana. Usa as palavras como pincéis e com elas pinta quadros, quase sempre comoventes, acompanhados de música a preceito.
O blog chama-se Isto tem dias, mas por ali os dias são sempre bons. É a minha escolha para blog da semana. Vão lá espreitar…
Confesso que me encanita a forma leviana com que neste país se apregoam falsas verdades, rapidamente erigidas a mentiras verdadeiras.
Com inusitada frequência, essa tarefa é atribuída a uns colunistas escolhidos a dedo, que se prestam a servir de correia de transmissão de interesses partidários, cabendo-lhes o papel de levantar algumas questões laboriosamente urdidas nos gabinetes de estudos dos partidos do poder. Com o desenvolvimento da blogosfera, essas falsas verdades espalham-se como labaredas, cumprindo a premissa de Goebbels – transformam-se em mentiras verdadeiras. Muitas vezes, essas falsas verdades são difundidas com base em estudos e estatísticas, apresentados como âncoras inabaláveis e de validade incontestável.

Não vou dizer que não dou qualquer credibilidade aos estudos e estatísticas. Mas sei, por experiência própria, que um estudo ou um dado estatístico pode ser lido da maneira que mais convém a quem o invoca para defender a sua teoria. E sei, também, que na maioria dos casos existem estudos que demonstram a verdade e o seu contrário. Veja-se, por exemplo, o caso dos telemóveis. Cada vez que é divulgado um estudo confirmando os seus malefícios para a saúde, logo alguém dá a conhecer outro, demonstrando a falsidade das conclusões.
A muitos dos estudos subjaz também um interesse económico escondido. Muitos se lembrarão dos estudos que durante anos consideravam a dieta mediterrânica como um perigo para a saúde, sendo o azeite apontado como uma gordura insalubre e imprestável. Sardinhas em lata a nadar em azeite? Que horror!
Curiosamente, a dieta mediterrânica é considerada, hoje em dia, a mais saudável dieta natural, devido às propriedades de produtos como o azeite, que ajuda a reduzir o colestrol e diminui o risco de acidentes cardio-vasculares.
Em Portugal, quando se aproximam as eleições, é certo e sabido que se começam a multiplicar os artigos visando os privilégios dos funcionários públicos, os horários dos professores, as férias dos juízes e a falta de produtividade dos portugueses. São temas recorrentes que fizeram muito jeito a Manuela Ferreira Leite – e posteriormente a Sócrates – para congelar os salários dos funcionários públicos e lhes retirar algumas regalias. Claro que o povão exultou, porque uma das características peculiares do português é a inveja. Não cuidou de saber se as premissas em que assentavam as medidas eram verdadeiras, nem tentou exigir as mesmas pretensas regalias, porque ao português basta que tirem ao vizinho o que ele não tem, para se sentir feliz.
Outra das mentiras que obteve dividendos, foi a de que os professores trabalham poucas horas. Só quem nunca deu aulas é que pode dizer tamanha parvoíce! No entanto, a mentira tantas vezes difundida serviu de pretexto a Maria de Lurdes Rodrigues para obrigar os professores a ficarem na escola mais horas por dia. Sem proveito para alunos nem professores, mas para gáudio do tuga invejoso.
Outra das ideias macacas que se procura difundir é que Portugal é o país da Europa com mais feriados, o que na verdade não passa de uma falácia, como já demonstrei em tempos no “Expresso”.
No tempo do Dr. Cavaco primeiro-ministro, iniciou-se um ataque cerrado às “pontes” entre um feriado e o fim de semana, apontadas como peculiaridade do nosso país. Mentira! Em França e Espanha são frequentes as “pontes”. Mas elas também existem – embora mais esporádicas – na Holanda ou nos Estados Unidos .
Com o aproximar das eleições vamos assistir a um chorrilho de artigos de opinião com falsas verdades, que pretendem preparar medidas do futuro governo Basta saber a cor política do colunista, para percebermos que tipo de medidas irão ser tomadas, no caso desse partido vencer as eleições. Fácil, não é?
Gostava de ter escrito isto.

Françoise Hardy
Eu sei que a escolha é suspeita, mas há belezas que vale a pena recordar.
“Sittin’ in the mornin’ sun
I’ll be sittin’ when the evenin’ come
Watching the ships roll in
And then I watch ‘em roll away again…”
(Otis Redding, 1967)
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Estou sentado no meu Rochedo, desfrutando desta magnífica paisagem de mar imenso que o Guincho oferece. Já peguei em vários jornais e revistas de leituras atrasadas. As notícias provocam-me um ligeiro frémito. Rejeito–as com um esgar de enfado. Sinto algum desconforto. Olho outra vez o mar à minha frente. Penso no país de maravilhosas paisagens que está nas minhas costas. O sempiterno Gerês. O Douro beijando as margens do meu amado Porto onde nasci, espreguiçando-se em direcção à Foz, depois de um percurso que o trouxe das profundezas de Sória, atravessando a agreste paisagem transmontana. Recordo as paisagens suaves da planície alentejana. Dou um mergulho no Vale do Tejo. Imagino a costa oeste, nublada e ventosa, oferecendo-se, luminosa, à câmara de Nick Knight. Hesito entre desfrutar o momento presente e o regresso a dias atrás.
Um chiar de travões desperta a minha atenção. Um táxi acaba de evitar, “in extremis”, um atropelamento em cima de uma passadeira. Esta manhã, quando saí de casa para gastar quase 50 euros em notícias que só me trazem desânimo, desgosto, revolta, quase fui atropelado. Atravessei a passadeira com o sinal verde, depois de dois carros terem desrespeitado o sinal encarnado que os mandava parar. Não sabia, mas ainda havia um terceiro transgressor. Um taxista. Provavelmente daqueles que exibem no vidro traseiro auto-colantes do Correio da Manhã e se alinham em manifestações contra o governo gritando “slogans” de estiva.
Mas neste país não vivem apenas taxistas trogloditas e transgressores. Há também camionistas e condutores tresloucados. E empresários gananciosos, trabalhadores desmotivados, classes sócio-profissionais eivadas de corporativismo, olhando apenas para o seu umbigo, juízes que trocam a sua função pelo calor dos holofotes, políticos que se julgam deuses infalíveis e outros que se apresentam como salvadores, brigadas anti-aborto, gente indignada com as coligações à esquerda e vice-versa, e uma comunicação social que se demitiu do seu papel.
Portugal é um país maravilhoso mas, por algum desígnio sobrenatural, foi escolhido para residência da Besta. É a Besta que nos governa (pelo menos desde o tempo do Estado Novo), que põe e dispõe, adormecendo-nos com uma parafernália de bens de consumo com que nos entretemos, na ilusão de que decidimos os nossos destinos.
Admirados com um ministro a fazer corninhos no Parlamento? É talvez a encarnação da Besta, o Sebastião que todos aguardamos, sentados, e abúlicos, à espera que o milagre aconteça. No fundo, os portugueses gostam da Besta e vivem com ela no coração. Por isso olham com nostalgia para o Estado Novo e lamentam o que perderam com a democracia. Os portugueses gostam de “sol na eira e chuva no nabal”, mas isso não é possível, porque a Besta não faz milagres….
Volto a pegar nos jornais. Leio agora que um jardim qualquer quer a Constituição a proibir o comunismo. Desde quando é que os jardins falam? São certamente jardins de papoilas… mas é preciso ter cuidado com os alucinogéneos, por causa dos contágios. Ou será que este país é mesmo um conto de fadas?
Rejeito mais uma vez os jornais e pego num livro de Chatwin. Tal como ele, pergunto-me “O que faço aqui”?
A brisa serena leva-me até paragens distantes, no hemisfério sul, onde me aguarda o descanso final, junto ao Parque Nacional de Los Alerces, em convívio com as lendas de Butch Cassidy. Encarno a personagem de José Mauro de Vasconcellos em “Meu Pé de Laranja Lima”. Aí reside a minha esperança. Um dia destes, recebem um post meu a dizer: “Adeus, vou para a Patagónia”. Chatwin fez isso e não se deu mal…
Chegou o momento de regressar à vida de Méthèque.
Nota: este post foi escrito (quase) em estereofonia com o Rochedo.
Estive fora de Portugal mais de três semanas. Durante 24 dias procurei não ler jornais, não ver televisão, não ligar a Internet, nem saber notícias de Portugal. Durante a primeira semana, na Suécia, o meu distanciamento foi tão grande que nem me apercebi que lá estava a decorrer um Europeu de futebol de sub-21. A única notícia a que não consegui escapar foi a realização da Volvo Race, já que se realizava bem no coração de Estocolmo.
No dia em que cheguei a Copenhague, enquanto esperava que o semáforo me deixasse atravessar a Hans Christian Andersen, vi no placard luminoso do Politiken a notícia da morte de Michael Jackson. Ou melhor: deduzi, pelo que li em dinamarquês (bastante parecido com o sueco – de que ainda guardo algumas reminiscências) que provavelmente Michael Jackson teria morrido nessa manhã. Confirmei que não estava enganado quando, depois do jantar, tentei atravessar a praça principal de Copenhague e uma multidão compacta cantava e dançava ao ritmo de músicas do autor de “Thriller”.
Nunca fui admirador de MJ. Irritam-me os tipos que se metem em banhos de lixívia para ficarem mais brancos… De qualquer modo fiquei curioso e, quando cheguei ao hotel, liguei a BBC. Ao fim de 10 minutos já estava cansado de notícias especulativas e mudei para a CNN, onde também só se falava de MJ. Desliguei e fui dormir.
No entanto, a partir daquele dia, sempre que chegava ao hotel, ligava a televisão. Foi assim que fiquei a saber do golpe nas Honduras (sobre o qual a CNN fez uma excelente cobertura) e, dois dias depois, decidi ir à internet para ver o que os blogs portugueses diziam sobre o assunto. Curiosamente, o assunto parece não ter merecido comentários por cá. Contrastando com a preocupação de uma possível fraude eleitoral no Irão, o golpe das Honduras que derrubou um presidente democraticamente eleito não mereceu uma única linha da maioria dos blogs que costumo ler. Pensei que a notícia nem tivesse chegado a Portugal mas, quando consultei os jornais on line, lá consegui ler umas pequenas notícias.
Estar distante de Portugal permite-nos fazer melhor algumas comparações entre a nossa imprensa e a imprensa estrangeira. Bastava ler os jornais espanhóis, franceses e ingleses para perceber a diferença de tratamento que era dada à golpada, com o inevitável apoio da Igreja Católica local que, na América Latina, está sempre do lado dos bandidos e dos que desprezam os pobres ou as vítimas de ditadores sanguinários.
Adiante…
Sobre Portugal, apenas soube três notícias em 24 dias. Duas sobre Cristiano Ronaldo e uma sobre um ministro que terá ofendido o Parlamento, exibindo uns inapropriados chifrinhos que terão irritado até o Presidente da República, sempre tão compreensivo e condescendente com os dislates de Alberto João Jardim.
Durante a cimeira dos G-8, ainda pensei que o meu orgulho nacional seria despertado com as múltiplas referências ao nosso Eusébio da política, o subserviente Durão Barroso. Oh, tristeza! Oh, injustiça! Oh, ignomínia! Não é que nem a BBC, nem a CNN, nem a Sky News fizeram uma única referência a Durão Barroso?
O panorama melhorou um bocadinho quando cheguei a Espanha. Cristiano Ronaldo a toda a hora, em todos os noticiários e nas primeiras capas dos jornais. Presumo que por cá os nossos canais televisivos também tenham gasto horas em “prime time” com CR9 – e eventualmente com MJ – e não tenham poupado loas ao importante papel desempenhado por Durão Barroso na cimeira do G-8.
Voltei a dar uma espreitadela a alguns blogs. O panorama do país parece não se ter alterado muito durante estes 24 dias. Despertou-me, porém, especial atenção a nova postura ambientalista de MFL, que finalmente aderiu à política dos 3R. No entanto, em vez de Reduzir, Reutilizar, Reciclar, parece que o lema de MFL é Rasgar, Repudiar, Romper. Vou pensar no assunto…
Hoje, quando vi os telejornais, pensei que tinha passado apenas uma noite fora do país: Constâncio na AR, o caso Freeport, os 70 anos de Cavaco, as ameaças de Alegre, Costa e Lopes na corrida a Lisboa, a dupla candidatura de Elisa Ferreira e Ana Gomes e, novidade, o ar humilérrimo de Sócrates.
Bem, ainda não li jornais, mas já ali estão à minha espera. Pode ser que tenha alguma surpresa. Amanhã eu conto.
Já havia no PS um grupo de tendência chamado “Margem Esquerda”. Agora, os descontentes com a decisão de Manuel Alegre decidiram criar um movimento – que será inscrito no Tribunal Constitucional como partido – denominado “Nova Esquerda”. Curiosamente, Manuel Alegre não integra esse movimento/partido. A conclusão que tiro é esta: Alegre pretende continuar a ter um trunfo mas, estrategicamente, demarca-se dele para contar com o apoio do PS em 2011.
Estamos perante um partido que nasce órfão. Ou muito me engano, ou vai ter o destino da UEDS, criada por Lopes Cardoso, com a diferença de que terá vida ainda mais efémera. Até porque, pelos nomes que até agora vieram a lume, não há um único que tenha o peso que, à época, tinha Lopes Cardoso.
O problema do PS é ter desistido de ser um partido de esquerda. Só é possível recolocá-lo na sua posição original, lutando por isso lá dentro, como procura fazer a “Margem Esquerda” (embora sem sucesso).
O Tio Patinhas tinha um sobrinho azarado que se chamava Donald. Como acontece naqueles contos de fadas que um dia se tornaram reais, esta saga da BD humanizou-se em Portugal em duas versões.
Para os adeptos do Tio Patinhas, temos a história de um sobrinho azarado (Sócrates) tramado por um tio (Júlio Monteiro). A história ainda não acabou, mas acredito que tenha um final feliz para o sobrinho, para desgosto dos fãs do Tio Patinhas.
Para os adeptos do Pato Donald, temos um tio (Isaltino Morais) que decidiu dar parte da sua fortuna a um sobrinho taxista que vive na Suíça, fazendo-o finalmente feliz.
Só que esta história não tem um final feliz para os fãs do Pato Donald. O sobrinho de Isaltino não teve cabecinha e delapidou a fortuna em três tempos. Acabou constituído arguido por prestar declarações falsas em Tribunal. O tio, provavelmente, safa-se.
Assim se demonstra que os contos de fadas podem ter finais felizes, mesmo quando são os “maus” a vencer.
Quem foi o dirigente do PSD que, em tempos, afirmou: "Essa senhora ( MFL) deprime o pais"?
Eu sei que a resposta é muito fácil, mas de vez em quando vale a pena exercitar a memória.
Muito se tem escrito sobre o escandaloso subsídio atribuído a Tiago Monteiro, mas poucas são as pessoas que se lembram de recordar que a atribuição foi da responsabilidade de Pedro Santana Lopes e Gomes da Silva – depois confirmada pelo actual governo.
Nada de espantar… Durão Barroso também “jurara” não pensar no TGV e no novo aeroporto de Lisboa enquanto houvesse uma criança com fome, mas rapidamente se esqueceu da “jura”, como é sabido. Depois, ainda foi preciso o actual governo pedir a Bruxelas o adiamento do projecto.
Vale a pena começar a recordar estas coisas quando se aproximam as eleições legislativas e o PSD insiste que o actual governo não deve avançar com o TGV…
Talvez percebamos tudo melhor se o PSD ganhar as legislativas e avançar com a concretização do TGV. Há grupos de interesses que é preciso satisfazer.

Há dias estive, com mais onze jornalistas de vários países europeus, à conversa com Saramago na sede da sua Fundação. Foi uma conversa deveras interessante, que me permitiu confirmar aquilo que vinha pensando há muito tempo. Embora continue a discordar de algumas posições de Saramago, identifico-me cada vez mais com a análise que faz sobre o mundo em geral e as questões sociais em particular. Contrariando a opinião de muitos, as suas ideias não são correntes de transmissão do Partido Comunista. São opiniões de um homem de cultura, que conhece bem o mundo e tem o privilégio de o interpretar com base em valores que hoje estão esquecidos, mas serviram de base à ascensão de muitos líderes que hoje governam a Europa.
Falou-se sobre muita coisa. De literatura, jornalismo, cultura, política, relações humanas, globalização e, claro, de Berlusconi… e da Europa.
A determinada altura, Saramago fez uma afirmação em jeito de pergunta:
– Que se pode esperar de uma Europa constituída por países como a República Checa, que rejeitam os princípios da União Europeia?
Curiosamente, nessa manhã, tinha recebido por mail um vídeo (que a minha incompetência blogueira não permite colocar aqui) onde se vê o PM checo a agredir um ministro, a quem acusou de ser responsável pela derrota eleitoral.
O ministro levantou-se e fez menção de abandonar a sala mas, antes de chegar à porta, voltou atrás, aproximou-se do microfone e chamou cobarde ao PM, envolvendo-se de seguida os dois numa cena de pugilato.
A cena passou-se durante uma conferência de imprensa, despertando a ávida cobiça dos repórteres de imagem.
Exemplos destes são tão desprestigiantes para a Europa como as orgias organizadas por Berlusconi. Bem vistas as coisas (dada a idade de algumas das jovens), as festas do novo “Duce” são ainda mais degradantes do que a cena de pugilato entre dois membros do governo.
Alguém perguntou a Saramago como explicava que os italianos continuassem a votar em Berlusconi. A resposta pareceu-me óbvia: metade dos italianos vive à custa do império empresarial de Berlusconi e a outra metade aspira ser como ele.
No fundo – como escrevi há uns tempos – é também isso que se passa em Portugal e um pouco por toda a Europa. Uma crise de valores de uma geração que se traiu a ela própria e aos seus descendentes, como explico aqui .
Uma semana volvida sobre as eleições europeias, dissecados os resultados até à exaustão, feitas as análises e projecções para eleições futuras, creio ter chegado o momento de pensar o futuro desta nova Europa onde a direita proclama vitória, sem aparentemente ter percebido que apenas terá direito a recolher os despojos de um sonho que começou nas palavras de Vítor Hugo, se concretizou com Schumann e entrou em estertor quando, galvanizada pela queda do muro de Berlim, decidiu que as suas fronteiras não poderiam ter limites.
Vislumbro, ao longe, os contornos da nova Europa. Xenófoba, envelhecida, utilizando como bengala slogans caducos que exacerbam as virtudes do individualismo, o triunfo do Eu sobre a força do colectivo.
Retirada a maioria dos direitos sociais aos trabalhadores, engordadas as contas bancárias do capital à custa de horários de trabalho de 65 horas semanais, alcançada a autonomia de alguns territórios como o Kosovo (outros se seguirão a curto prazo), aos governantes europeus que emergiram da geração de 60, resta-lhes aguardar que se cumpra o seu último desígnio: uma democracia com novo rosto. O modelo inspira-se em Mugabe. Depois de convocar novas eleições, recusando assumir a derrota, teve esta frase lapidar: só comigo morto é que a oposição governará.
Traduzida para a nomenclatura moderna destes governantes sem passado e sem futuro, democracia significa: hás-de votar como eu quero, nem que tenhamos de fazer eleições e referendos as vezes que for preciso. Foi assim com o Tratado de Lisboa, será assim noutros momentos em que a Europa se veja na contingência de ter de aprovar medidas que a mantenham ligada à máquina que lhe permita viver uma vida artificial
Estaremos preparados para a "grande chacina" dos actuais líderes europeus? Não me parece…
Ninguém estará disposto a dar-lhes a extrema-unção, nem a conferir-lhes o direito a uma morte digna, concedendo-lhes o direito à eutanásia.
A Europa morrerá de morte natural no dia em que alguém desligar a máquina. Mas a Europa dos valores, defendida pelos que ajudaram à sua construção, já morreu há muito. Os resultados das eleições de domingo foram apenas a certidão de óbito.
Este ano, Cavaco Silva ainda não falou do Dia da Raça.
Nesse aspecto fez progressos. Quanto à escolha das personalidades condecoradas é que vai de mal a pior. Moita Flores? Oh My God!
Ou muito me engano ou Paulo Rangel começa a revelar uma outra faceta escondida. Se estava contra, porque votou a favor?
Será que ainda vou engolir o que sobre ele escrevi desde 2007?