Pergunto ao vento que passa…


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Estive fora de Portugal mais de três semanas. Durante 24 dias procurei não ler jornais, não ver televisão, não ligar a Internet, nem saber notícias de Portugal. Durante a primeira semana, na Suécia, o meu distanciamento foi tão grande que nem me apercebi que lá  estava a decorrer um Europeu de futebol de sub-21. A única notícia a que não consegui escapar foi a realização da Volvo Race, já que se realizava bem no coração de Estocolmo.

No dia em que cheguei a Copenhague, enquanto esperava que o semáforo me deixasse atravessar a Hans Christian Andersen, vi no placard luminoso do Politiken a notícia da morte de Michael Jackson. Ou melhor: deduzi, pelo que li em dinamarquês (bastante parecido com o sueco – de que ainda guardo algumas reminiscências) que provavelmente Michael Jackson teria morrido nessa manhã. Confirmei que não estava enganado quando, depois do jantar, tentei atravessar a praça principal de Copenhague e uma multidão compacta cantava e dançava ao ritmo de músicas do autor de “Thriller”.

Nunca fui admirador de MJ. Irritam-me os tipos que se metem em banhos de lixívia para ficarem mais brancos… De qualquer modo fiquei curioso e, quando cheguei ao hotel, liguei a BBC. Ao fim de 10 minutos já estava cansado de notícias especulativas e mudei  para a CNN, onde também só se falava de MJ. Desliguei e fui dormir.

No entanto, a partir daquele dia, sempre que chegava ao hotel, ligava a televisão. Foi assim que fiquei a saber do golpe nas Honduras (sobre o qual a CNN fez uma excelente cobertura) e, dois dias depois, decidi ir à internet para ver o que os blogs portugueses diziam sobre o assunto. Curiosamente, o assunto parece não ter merecido comentários por cá. Contrastando com a preocupação de uma possível fraude eleitoral no Irão, o golpe das Honduras que derrubou um presidente democraticamente eleito não mereceu uma única linha da maioria dos blogs que costumo ler. Pensei que a notícia nem tivesse chegado a Portugal mas, quando consultei os jornais on line, lá consegui ler umas pequenas notícias.

Estar distante de Portugal permite-nos fazer melhor algumas comparações entre a nossa imprensa e a imprensa estrangeira. Bastava ler os jornais espanhóis, franceses e ingleses para perceber a diferença de tratamento que era dada à golpada, com o inevitável apoio da Igreja Católica local que, na América Latina, está sempre do lado dos bandidos e dos que desprezam os pobres ou as vítimas de ditadores sanguinários.

Adiante…

Sobre Portugal, apenas soube três notícias em 24 dias. Duas sobre Cristiano Ronaldo e uma sobre um ministro que terá ofendido o Parlamento, exibindo uns inapropriados chifrinhos que terão irritado até o Presidente da República, sempre tão compreensivo e condescendente com os dislates de Alberto João Jardim.

Durante a cimeira dos G-8, ainda pensei que o meu orgulho nacional seria despertado com as múltiplas referências ao nosso Eusébio da política, o subserviente Durão Barroso. Oh, tristeza! Oh, injustiça! Oh, ignomínia! Não é que nem a BBC, nem a CNN, nem a Sky News fizeram uma única referência a Durão Barroso?

O panorama melhorou um bocadinho quando cheguei a Espanha. Cristiano Ronaldo a toda a hora, em todos os noticiários e nas primeiras capas dos jornais. Presumo que por cá os nossos canais televisivos também tenham gasto horas em “prime time” com CR9 – e eventualmente com MJ – e não tenham poupado loas ao importante papel desempenhado por Durão Barroso na cimeira do G-8.

Voltei a dar uma espreitadela a alguns blogs. O panorama do país parece não se ter alterado muito durante estes 24 dias. Despertou-me, porém, especial atenção a nova postura ambientalista de MFL, que finalmente aderiu à política dos 3R. No entanto, em vez de Reduzir, Reutilizar, Reciclar, parece que o lema de MFL é Rasgar, Repudiar, Romper. Vou pensar no assunto…

Hoje, quando vi os telejornais, pensei que tinha passado apenas uma noite fora do país: Constâncio na AR, o caso Freeport, os 70 anos de Cavaco, as ameaças de Alegre, Costa e Lopes na corrida a Lisboa, a dupla candidatura de Elisa Ferreira e Ana Gomes e, novidade, o ar humilérrimo de Sócrates.

Bem, ainda não li jornais, mas já ali estão à minha espera. Pode ser que tenha alguma surpresa. Amanhã eu conto. 

18 comentários em “Pergunto ao vento que passa…”

  1. Bom, aqui pouca a dizer. Resta apenas “the terror” nos EUA:

    No Daily Show – A nossa única hipótese como país é o Osama bin Laden colocar e detonar uma grande bomba nos Estados Unidos

    Jon Stewart: Ontem à noite estava a ver o programa do Glenn Beck na Fox News. Ele estava a falar com um ex-analista da CIA, Michael Scheuer, sobre como esta Administração não nos está a proteger dos terroristas… E depois ouvi uma coisa tão demente que ia caindo…

    Michael Scheuer: A nossa única hipótese como país é o Osama bin Laden colocar e detonar uma grande bomba nos Estados Unidos. Só o Osama é capaz de executar um ataque que obrigue os americanos a exigir que o Governo os proteja.

    Jon Stewart: Mas que m… foi aquela? E, já agora, sabem o que é fascinante na nossa cultura? Aposto que censuraram quando eu disse merda. Porque o Governo Federal decidiu proteger-vos e aos ouvidos dos vossos filhos desse tipo de linguagem. Entretanto, o gémeo malvado do Pai Natal [Michael Scheuer]… está à vontade para propor um massacre de americanos, para conseguir apoios para o programa de segurança dele.

    Jon Stewart: Pois, aquele bin Laden é um desmancha-prazeres! Quando não queremos que ele mate americanos, ele mata, e quando queremos, não mata. É um parvalhão! E quando ele detonar uma bomba na América, esperemos que não seja nas partes “boas e verdadeiras”.

    Vídeo (http://citadino.blogspot.com/)

  2. Esqueceu-se de uma!
    Do Porto, andar a roubar jogadores ao Benfica!
    Devia de ver os comentários de Pinto da Costa rodeado de deputados portistas todos sorridentes.
    já agora, o Filipe Vieira ganhou as eleições! É o novo presidente do Benfica e o seu maior adversário foram as providencias cautelares.

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