O silêncio de Joana


imagenscomhistoria,

Não me custa nada acreditar que Joana Amaral Dias tenha sido convidada (ou sondada) para integrar as listas do PS. Acredito, até, na história da oferta de um instituto público para ela se entreter. Não reajo, no entanto, como virgem ofendida, indignado com o convite.

É falta de ética? Sem dúvida, mas isso é surpresa para alguém que tenha acompanhado a vida política portuguesa na última década? 

Convém também lembrar que Joana Amaral Dias se pôs a jeito. Ao aceitar ser mandatária de Mário Soares, rejeitando o apoio ao candidato do BE, JAD deu sinais inequívocos de que estava a caducar o prazo de validade do seu apoio ao BE. Daí que acredite que alguém a tenha convidado, convencido de que “uma palavrinha ao Sócrates” resolveria o assunto. Quem o fez, enganou-se.

Também acredito  em Sócrates quando diz que nem ele, nem as pessoas a quem competia  fazer as listas,  a convidaram, ou pediram a alguém para a convidar.

A questão é, no entanto, demasiado séria para cair no esquecimento. É imperioso que JAD diga quem a convidou, para se ficar a saber quem está a mentir. (Se é que alguém está a mentir  e eu acredito que não.) Com a mesma ligeireza com que  anunciou  à comunicação social o convite, JAD devia dizer quem a convidou. Não o fazendo, fico com a impressão de que JAD terá tentado, através da comunicação social, exercer  pressão  para que o convite viesse a ser confirmado. Refugiar-se no silêncio não é digno.

Este episódio, porém, terá consequências. O prazo de validade de JAD no BE expirou. Como muitos outros, que estão no BE apenas à espera de um convite para ocupar um lugar na agência de empregos do Centrão, JAD  terá pensado que tinha chegado a sua hora. Ainda não foi desta. ..

Resta saber (ou não…) quem mais vai sair chamuscado desta novela de (maus) costumes.

13 comentários em “O silêncio de Joana”

  1. Não posso estar mais de acordo, Carlos.

    Quando ouço o porta-voz do PS dizer, com imensa precisão, que Sócrates não a convidou, o que ele está a afirmar é exactamente isso e não mais ou menos do que isso: Sócrates não a convidou.

    Alguém a convidou, por certo. Ou não? É o que continua por esclarecer. E a Joana não sai bem desta história, porque já perde por tardar. Será bom não esquecer isto.

  2. “JAD terá pensado que tinha chegado a sua hora. Ainda não foi desta. ..”

    Se o fez revela uma falta de senso comum notável…

        1. Claro. Por isso é que eu corri o risco de responder que a opinião do dr. Soares sobre mais um eventual ‘aproche’ da Joana ao PS não deve ser muito favorável, atendendo ao resultado que ele então obteve.

  3. O silêncio ensurdecedor
    de uma ópera silenciada,
    num negócio revelador
    de gentalha depreciada.

    Com prazos de validade
    desgastados e expirados,
    a fedorenta prolixidade
    de políticos dessorados!

  4. É lamentável. Apesar de não concordar com muito do que Sócrates faz acho que está a ser feito um aproveitameto exarcebado deste caso. Acredito que infelizmente seja prática corrente e que extrapole o Partido Socialista. Não há ingénuos em política. Para esclarecer o que se passou na realidade JAD devia falar.

  5. Parece-me que há um erro nesta teoria:

    “Com a mesma ligeireza com que anunciou à comunicação social o convite, JAD devia dizer quem a convidou.”

    Não foi JAD quem anunciou à comunicação social, foi Louçã.

    Ora, pode então ser que Louçã tenha anunciado à comunicação social algo que JAD lhe disse, mas que não autorizou que ele anunciasse.

    Pode também (mais verosímil) acontecer que JAD tenha contado o convite a alguém seu amigo, e que esse alguém, sem o conhecimento de JAD, tenha depois contado a coisa a Louçã, tendo este decidido divulgar o convite à comunicação social sem primeiro ter falado com JAD para confirmar. Como JAD deve estar de relações cortadas com Louçã, esta hipótese parece-me a mais provável.

    Em suma: JAD pode estar completamente inocente. Ela foi convidada, contou isso a alguém, esse alguém deu com a língua nos dentes perante Louçã, e Louçã decidiu aproveitar politicamente a coisa. JAD estará a esta hora totalmente lixada. Ela não pode vir desmentir a coisa, mas também não tem vontade nenhuma de a confirmar, uma vez que o assunto não foi divulgado por sua iniciativa e desejo.

    A minha teoria (que não é mais do que isso) é que o mau da fita neste caso é Louçã, que divulgou à comunicação social algo que não tinha autorização para divulgar. JAD não tem culpa e, coitada, põe-se incomunicável (o que certamente será incómodo para ela) paa não ter que desmascarar Louçã.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *