Ribeira, Porto.
Fotografias tiradas por aí (38)
escafandro,
– Depois de ti nunca mais tive um namorado ou um amante que amasse o meu corpo tanto como tu o amaste.
– Tiveste namorados?
Lá estava eu de novo, com a mesma conversa. Esquece os namorados. Mas não conseguia.
– Tiveste, Consuela?
– Tive, mas não muitos.
– Dormiste regularmente com homens?
– Não. Numa base regular, não.
– Como era o teu emprego? Não houve ninguém no teu emprego que se apaixonasse por ti?
– Apaixonavam-se todos.
– Eu compreendo isso. Mas, e depois? Eram todos homossexuais? Não conheceste homens heterossexuais?
– Conheço, conheci, mas não prestavam.
– Não prestavam porquê?
– Masturbam-se apenas no meu corpo.
Philip Roth, O Animal Moribundo.
Edição D. Quixote, tradução de Fernanda Pinto Rodrigues.
Passo, no Cais de Gaia, por uma mulher segurando um telemóvel no ar, a câmara apontada à outra margem (não, não iria obter uma foto igual à que ilustra este texto, tirada às oito e tal de uma manhã de Outubro em que a cidade parecia não querer acordar). Algo não corre bem e ela começa a bater repetidamente no ecrã com a ponta do indicador direito. Suspira. Lamenta-se: «No me entiendo.» Afasto-me a pensar que é suposto o espanhol comum ter um amor-próprio tão grande quanto o do José Mourinho em dia de especial auto-satisfação e que, todavia, em situação idêntica qualquer português diria «Não entendo», acrescentando depois «esta»… hmmm, digamos «treta», que afinal isto nasce de uma cena ocorrida no Porto, onde toda a gente tem extremo cuidado em evitar o uso de terminologia que possa ferir susceptibilidades alheias. «Não entendo» admite tanto a falha própria (o telefone até é fácil de operar mas eu não o entendo) como a falha do equipamento (ou esta… hmmm, treta se passou ou então é absurdamente confusa). E todos sabemos em que versão pensa mais depressa um português (ainda que seja portuense). Mas «no me entiendo» centra a falha na pessoa. É a mim próprio que eu não entendo. É como dizer: hombre (ou, neste caso, mujer), qé isto diebe ser muy fácil (el materiale tiene siempre razón) e io é que soy tapadito (ou, neste caso, tapadita). O que nos obriga a considerar uma hipótese chocante: a de os espanhóis estarem tão à vontade para se questionarem por falhas que muitas vezes, analisada bem a questão, nem lhes podem ser imputadas que até integraram essa possibilidade na sintaxe das suas frases. No fundo, talvez este seja o melhor tipo de amor-próprio: ter segurança suficiente para considerar primeiro, sem dramatismos, a hipótese de falha própria. Mas, caramba, se isto não condiz connosco, que ou fugimos às responsabilidades ou, caso tal não seja possível, nos mortificamos como filipino em Sexta-Feira Santa, também não condiz com os espanhóis, pois não? Decididamente, no me entiendo.
Adenda: não me venham com… hmmm, tretas acerca do meu castelhano, que ele é perfeito.
P.S.: Conhecem aquele pesadelo clássico dos anos 70 em que, sendo-se filho da Dolly Parton, se era alimentado a biberão?
Em entrevista ao Diário Económico, a Ministra da Agricultura admitiu que a nova lei das rendas poderia ser mais ambiciosa se a Constituição o permitisse (ver aqui, a partir dos 39’30”). Confessou também as dificuldades sentidas para explicar aos elementos da troika não se poder ir mais longe sem arriscar um chumbo por parte do tribunal constitucional. Talvez o governo pudesse, ainda assim, ter feito mais, talvez não. Pouco importa – o ponto fulcral não se prende com uma lei específica, por importante que seja. O que nos devia preocupar é a hipótese de a Constituição estar a funcionar não apenas como garantia de direitos inalienáveis mas também como garantia de empobrecimento colectivo – ajudando a tornar, numa ironia que, não fosse trágica, seria deliciosa, cada vez mais difícil o cumprimento das suas próprias exigências. Infelizmente, pouco há a fazer. Necessitado de provar que ainda é de esquerda e de aproveitar tudo o que não conste do memorando de entendimento para fazer oposição, dificilmente o Partido Socialista aprovará uma revisão digna desse nome.
Devia ser fácil esconder as opiniões quando tão pouca gente está interessada nelas.
Para a maior parte das pessoas, o mundo só tem dois sítios: o sítio onde elas vivem e a televisão.
Don DeLillo, Ruído Branco.
Edição Sextante, tradução de Rui Wahnon.
O livro é dos anos 80. Agora devíamos acrescentar a internet, claro.
Sempre o achei um tipo estranho. Na universidade tinha um quarto na mesma casa que eu mas era uma espécie de roda sobresselente no grupo em que eu me inseria. Teve um par de relações que não duraram. Fartava-se de falar no cão que os pais lhe haviam oferecido quando fizera doze anos – o canídeo mais inteligente do mundo, a acreditar nos relatos que nos impingia.
Depois da universidade passei a vê-lo mais raramente. Ainda assim, morando na mesma cidade, encontramo-nos de vez em quando. Casou há menos de um ano. Contou-me que conheceu a mulher, Paula, quando o cão dele, filho do que mencionava na universidade, se interessou pela cadela dela. Paula era simpática mas tão estranha quanto ele. Parecia viver para a cadela. Na realidade, apesar de casados, ambos pareciam continuar a viver para os respectivos cães. Demorei algum tempo a perceber que apenas o entusiasmo dos cães um pelo outro os unira. Fora uma espécie de osmose. A atracção dos cães fizera com que se sentissem atraídos. Percebê-los excitados provocara a sua própria excitação. Observá-los a ter relações sexuais levara-os a tomar consciência de que também o desejavam fazer. Evidentemente, durou pouco. O cão dele engravidou uma cadela do prédio em frente e Paula reagiu mal. Disse-lhe: «Isto já não faz sentido.» Não constituiu um grande choque para ele. No fundo, estava de acordo.
Agora encontra-se todos os dias com o dono da cadela (passam imenso tempo a debater com quantos cachorrinhos cada um ficará e o que fazer com os restantes) e começa a sentir-se atraído por ele. «A verdade é que Paula nunca me completou. Bom, talvez no início. Mas depois… Sabes, começo seriamente a pensar que sou gay.»
(Também aqui.)
Reunião com cerca de vinte participantes. Quando começa já estou farto porque, com perfeita pontualidade britânica aplicada aos típicos atrasos nacionais, a hora marcada passou há vinte minutos. Seguem-se cento e cinquenta de discussões requentadas, apartes idiotas e piadas frouxas, mais ou menos sem ordem, mais ou menos sem objectivo. Assuntos importantes são despachados para canto e assuntos irrelevantes são discutidos até à exaustão. Não estou admirado: é sempre assim. Caio num torpor estupidificante. Os meus movimentos ficam mais lentos, a vista embacia-se-me, nos ouvidos ressoa-me a cacofonia que vai pela sala e no meu cérebro os neurónios suicidam-se um após outro. A sério: consigo ouvir o estalido que acompanha cada morte. Plop, plop, plop. Alguns finam-se discretamente, outros soltam gritinhos agudos em que detecto mais raiva do que desespero. Extinguem-se milhares durante aquelas duas horas e meia. E é sempre assim. Sei que estou perdido e até sei quanto tempo me resta. Projecções feitas numa época em que ainda possuía capacidade para as fazer indicam que, nada mudando, em nove anos atingirei o nível de raciocínio de um pedaço de xisto de dimensões médias.
A posição do PS: fechar centros de saúde no interior do país era um acto de boa gestão; fechar uma maternidade em Lisboa é um crime de lesa-majestade.
A posição de muita gente que protesta: sim, o governo deve cortar nos gastos; não, não deve fechar uma estrutura redundante.
Passaram nove meses e o governo perde gás. O discurso permanece globalmente correcto e Passos incomensuravelmente mais suportável do que o flâneur aspirante a filósofo que nos conduziu à bancarrota. Mas surgem actos que lembram os métodos do referido indivíduo (anunciar de mansinho decisões polémicas nas vésperas da Páscoa? Really?) e, pior, as medidas fundamentais não aparecem ou aparecem diluídas. Algumas medidas foram tomadas sem perda de tempo. As que, podendo ser impopulares, dependiam de um pedaço de papel e não colocavam em risco modelos instalados. Por exemplo, a redução de salários na função pública, o aumento generalizado de taxas e impostos e o corte de feriados. Ou algumas que conseguiram aumentar ainda mais os constrangimentos do cidadão na sua relação com o Estado, como os mil e um comprovativos necessários para se receber apoio social ou – coisa menor mas reveladora – a obrigatoriedade de ter não só uma caixa de correio electrónico mas uma caixa de correio electrónico específica para lidar com as Finanças. Não me opus nem oponho a várias delas. Na situação em que nos encontrávamos (e, mais especificamente, em que o Estado se encontrava), eram inevitáveis. Com ou sem Troika, sendo que sem ela os cortes teriam sido muito superiores. A promessa, contudo, era de fazer mais – e, em vários casos, diferente. A promessa era de aumentar a liberdade dos cidadãos e de reduzir significativamente o peso do Estado na economia, de modo a não precisar de extrair dela tantos recursos. E esta é uma área onde os actos concretos demoram a surgir. Existem excepções, como a lei das rendas, que introduz ajustes moderados mas no sentido correcto, mas parece existir ainda mais inércia. Na Educação, se algumas alterações também são globalmente positivas, o modelo permanece inalterado, avesso à liberdade de escolha dos pais e à concorrência entre escolas. Na Economia, o Ministro, por vontade própria ou imposição superior, parece incapaz de renegociar os contratos das PPP e das compensações aos produtores de energia e, se fala amiúde na reforma das empresas públicas de transportes, pouco se sabe do que realmente lá se passa (excepto que – e até admito que seja bom sinal – ocorre pelo menos uma greve por mês). A Ministra da Justiça vai emitindo declarações interessantes sobre a reforma do sistema de Justiça mas, por enquanto, nenhuma alteração de fundo ocorreu. A RTP continua pública, a receber milhões de euros do contribuinte, e o modelo de privatização anunciado só não é ilógico se, mais do que poupar dinheiro, for intenção do governo manter acesso directo à (para não escrever «controlo sobre a») informação – caso em que será apenas errado. A reforma do poder local, que nunca foi particularmente ambiciosa, vem sofrendo diluições. O processo de fusão e extinção de institutos e outras entidades públicas de utilidade duvidosa gera inúmeras dúvidas, desde logo a de saber se está mesmo a ocorrer (exemplo: a Parpública era para extinguir mas parece que já não é). Para piorar as coisas, nas últimas semanas as excepções multiplicaram-se: os militares não vão ter a progressão de carreira congelada, há empresas em que os cortes salariais não se aplicam e certos gestores públicos podem afinal ganhar mais do que o Primeiro-Ministro (havendo ou não lógica em algumas excepções, elas revelam quem tem e quem não tem poder, para além de que muitas seriam desnecessárias ou melhor aceites se as empresas cujos trabalhadores – ou gestores – delas beneficiam já estivessem privatizadas ou perto disso).
Enfim, chega. É um lugar-comum: as reformas fazem-se nos primeiros tempos de mandato ou já não se fazem. Começa a parecer que muitas não se farão. Que o governo cai no erro de esperar que tudo acabe por correr bem sem ter de alterar os modelos instalados. Entretanto, os resultados da execução orçamental, não sendo catastróficos, são preocupantes. Pode acontecer que Passos Coelho e Vítor Gaspar tenham razão e novas medidas de austeridade se revelem desnecessárias. Mas, apesar dos sinais vindos da Troika de que o objectivo para o défice poderá ser revisto em alta (o que, constituindo um alívio, também significa que o Estado irá contrair mais dívida), tanto um como outro deviam evitar promessas – e os trabalhadores do sector privado começar a prever o cenário de também eles acabarem sem subsídio de Natal. Escrevi-o tantas vezes que já me enjoa fazê-lo: a curto prazo é inevitável que empobreçamos. Nem o meritório comportamento das exportações (ah, cambada de empresários inúteis) permite evitá-lo. Resta saber quando poderemos recomeçar a crescer e quão adaptado à realidade será o modelo de Estado existente nessa altura. Com pouco mais do que alterações cosméticas, dificilmente a recuperação será rápida ou o crescimento duradouro (que clamor pela reposição de tudo o que foi cortado – e por compensações pelo facto de o ter sido – se ouvirá logo que pareça haver dinheiro para tal). A tarefa deste governo era difícil, sem dúvida, e há pontos positivos a registar. Mas é necessário fazer mais. Infelizmente, tudo indica que as inércias, as incapacidades e os interesses permanecem demasiado fortes – e o Estado irreformável.
É o fim dos tempos, continuamos a viver acima das possibilidades, a América finge que encontrou outro caminho mas é tudo mentira – a Sra. Merkel tem sempre razão, vocês vão ver, etc.
Reveladas nessoutro momento seminal do hip-hop deste princípio de década chamado Black Up, dos Shabazz Palaces, as THEESatisfaction são tão hip-hop quanto são soul ou jazz. Ocupam um território onde antes já foram avistados os Floetry ou por onde Erykah Badu e Ursula Rucker por vezes ainda param para abastecer, mas a verdade é que não são nada disto. […] Stasia e Catherine permitem-se igualmente ir a um experimentalismo claustrofóbico que mais facilmente associaríamos à troca de ideias dos Anti-Pop Consortium com o pianista Matthew Ship (God, Enchantruss), ao mesmo tempo que se percebem nas entrelinhas Q-Tip, os De La Soul ou os Handsome Boy Modeling School.
Da crítica de Gonçalo Frota a awE naturalE, das THEESatisfaction, no Ípsilon de Sexta-Feira passada. Cinco estrelas.
Dr John encontrou em Dan Auerbach, dos Black Keys, o parceiro no crime perfeito. Não porque este lhe tenha mostrado um novo caminho ou promovido uma modernização (expressa pavorosa) da música do homem que nos deu Gris Gris e que se moldou enquanto personificação do espírito musical dopado, assombrado, miscigenado de blues e funk, de jazz e Mardi-Gras de Nova Orleães. […] A banda reunida por Auerbach não dá tréguas. […] São aqueles metais (senhores, aqueles metais!) que emergem das profundezas de um sonho africano (etíope como Mulatu Astakte?, nigeriano como Fela Kuti?) para transformar Dr John no nosso soberano incontestado.
Da crítica de Mário Lopes a Locked Down, de Dr John, no Ípsilon de Sexta-Feira passada. Cinco estrelas.
O arranque, The Whip Hand, é uma das melhores peças da sua discografia, colocando-nos na inimaginável pista do que poderiam ser os N.E.R.D. se a sua fórmula de R&B/funk mais rock tivesse nascido na cabeça destes dois e não nas de Chad Hugo e Pharrell Williams.
Da crítica de Gonçalo Frota a Noctourniquet, dos Mars Volta, no Ípsilon de Sexta-Feira passada. Três estrelas.
Camp é hip hop pós Kanye West, ou melhor, é hip hop à Kanye West. […] Camp ouve-se sem sobressaltos e com curiosidade. Porque Childish tem bom flow e porque vemos nele algo como que a versão hi-tech de Tyler The Creator. […] Mas Camp, por outro lado, tem um grande contra si. Kanye West. O Kanye West do hip hop sintético de 808 & Heartbeat. […] Uma sombra da qual Childish Gambino não se liberta.
Da crítica de Mário Lopes a Camp, de Childish Gambino, no Ípsilon de Sexta-Feira passada. Três estrelas.
Cada um destes elementos podia estar no museu, há tanto tempo que as subespécies a que pertencem foram reconhecidas e etiquetadas. Mas posto sob esta ordem, com esta reverberação nas guitarras e este timbre de voz, quase parece que é novo. […] Com uma variante: é possível que apreciemos mais quando essa repetição não se esgota na simples emulação, quando há um miligrama não de originalidade mas sim de individualidade. […] E que tem atrás de si uma banda que percorre todos os truques da cartilha R&B parecendo estar sempre a descobri-los pela primeira vez. […] A soul conhece isto desde os tempos em que os pretos eram só pretos e a mulata não era a tal. […] os truques estão aqui todos […] Parece pouco, né?
Da crítica de João Bonifácio a Girls & Boys, dos Alabama Shakes, no Ípsilon de Sexta-Feira passada. Quatro estrelas e meia.
Havia um sexto álbum em análise mas era de música clássica.
Jesus ressuscitou mas não ficou cá por baixo.
A viragem interessa sobretudo a Hollande, que se antecipou ao líder conservador, apresentando, na quarta-feira, 35 propostas que pretende cumprir no primeiro ano de mandato. “Os franceses querem decisões rápidas e concretas”, disse o candidato socialista, comprometendo-se a rever a reforma das pensões aprovada por Sarkozy, a bloquear o aumento do preço dos combustíveis, a apoiar a criação de 150 mil postos de trabalho e a aprovar uma reforma fiscal, criando um taxa de 75 por cento para os rendimentos superiores a um milhão de euros.
No Público de hoje.
1. A esquerda continua sem perceber as regras da matemática.
2. A avaliar pelas sondagens, os eleitores continuam a gostar de promessas vãs.
3. Por que raio é que os socialistas prometem sempre 150 mil empregos?
Como forma de protesto contra o corte das pensões de reforma para as quais descontara ao longo da vida, um cidadão grego de 77 anos atolado em dívidas suicidou-se na Praça Syntagma, em frente ao Parlamento. Trágico? Sem dúvida. Tão trágico que despoleta inevitavelmente respostas baseadas na emoção e dificulta qualquer análise objectiva. Mas procuremos fazê-la. Mantendo-se dentro do euro, a Grécia foi obrigada, entre outras medidas desagradáveis, a cortar pensões (em média, cerca de 15%). Fora do euro, o que teria feito? Olhemos para a Argentina. O que fez o governo argentino quando, eliminada a paridade entre o peso e o dólar e declarado o incumprimento da dívida, ficou sem acesso a crédito? Cortou salários e pensões para diminuir a despesa (na verdade, já o tinha feito antes do default) e recorreu (há quem utilize o verbo “saquear”) ao dinheiro que os cidadãos haviam colocado nas contas poupança-reforma (encontram-se calhamaços na internet sobre a crise argentina mas este artigo do The Independent serve perfeitamente como comprovativo e tem a vantagem de descrever bastante bem os efeitos de um default). Desconheço se algum argentino se suicidou na Plaza de Mayo (que houve tumultos, houve) mas a verdade é que, atingidos certos pontos, as tragédias tornam-se difíceis de evitar. Devíamos ter isto em consideração nas épocas em que os sinais de crise começam a surgir em vez de os ignorarmos, atribuindo-os a pessimistas militantes. Agora é tarde. Atolados nas consequências da nossa cegueira, resta-nos tentar escolher o mal menor. E quanto a isto, numa altura em que a situação espanhola volta a degradar-se, a pergunta fulcral (até por ser aquela cuja resposta depende integralmente de nós) permanece: dentro ou fora do euro?