Reunião com cerca de vinte participantes. Quando começa já estou farto porque, com perfeita pontualidade britânica aplicada aos típicos atrasos nacionais, a hora marcada passou há vinte minutos. Seguem-se cento e cinquenta de discussões requentadas, apartes idiotas e piadas frouxas, mais ou menos sem ordem, mais ou menos sem objectivo. Assuntos importantes são despachados para canto e assuntos irrelevantes são discutidos até à exaustão. Não estou admirado: é sempre assim. Caio num torpor estupidificante. Os meus movimentos ficam mais lentos, a vista embacia-se-me, nos ouvidos ressoa-me a cacofonia que vai pela sala e no meu cérebro os neurónios suicidam-se um após outro. A sério: consigo ouvir o estalido que acompanha cada morte. Plop, plop, plop. Alguns finam-se discretamente, outros soltam gritinhos agudos em que detecto mais raiva do que desespero. Extinguem-se milhares durante aquelas duas horas e meia. E é sempre assim. Sei que estou perdido e até sei quanto tempo me resta. Projecções feitas numa época em que ainda possuía capacidade para as fazer indicam que, nada mudando, em nove anos atingirei o nível de raciocínio de um pedaço de xisto de dimensões médias.
Reuniões
escafandro,

Conheço a sensação, mas pelo amor dos deuses salva-me esses neurónios que precisamos deles para continuares a escreveres textos destes 🙂 Muito bom.
Obrigado, Leonor. Ainda tenho uns anos. E, de qualquer modo, as rochas metamórficas não são completamente estúpidas. Sempre são uma evolução das magmáticas…
Filme tantas vezes visto… estupidifica e já cheguei à conclusão que é provavelmente o objectivo social de tais comportamentos: nivelar pela estupidificação. Socialismo Social…
Ó lucky, que o resultado é estupidificação estamos de acordo. Que é propositado já não me parece. E deixe lá o socialismo em paz por um instante.
Deve ser importante esse tal de socialismo. Até no post do Saraiva foi nomeado várias vezes.
Querer que todos sejam iguais . É esse o objectivo dos encontros que nada decidem onde se tenta afugentar as decisões que é algo que distingue e onde por vezes existirão vencedores e perdedores.
Vou lá ver esse post do Saraiva não que o assunto me interesse muito…
Ainda vais a reuniões de condomínio?
lol. São exactamente assim, é verdade. Mas dessas já desisti. Infelizmente, a estas não posso escapar.
Deste lado de cá do Atlântico há outros que morrem do mesmo mal…
Ei, o lado de cá do Atlântico é aqui! 🙂
Ou não, como diria o dialético Caetano Veloso. 🙂
Nunca, mas nunca, fazer reuniões de mais de 1h com mais de 5 participantes. Quanto mais importante o tema, menor a reunião. Ou isso ou, como dizes, a sinapses kaputt.
Ah-ah. Como é que está o tempo aí no país da sensatez?