Dizem-me que uma das emissões do Sinais de Fernando Alves (TSF) desta semana foi patrocinada pelo Termas de S. Vicente, Palace Hotel & SPA.
Sinais
Rui Rocha,
Dizem-me que uma das emissões do Sinais de Fernando Alves (TSF) desta semana foi patrocinada pelo Termas de S. Vicente, Palace Hotel & SPA.
De acordo com um sorridente José Sócrates, os resultados da execução fiscal de Janeiro (aumento da receita em 15% face a Janeiro de 2010) devem deixar os portugueses “mais seguros, mais tranquilos e mais confiantes (..)”. Basicamente, para além de sermos fiscalmente executados para pagar as trapalhadas de um incompetente, ainda temos que lhe aturar as graçolas e a falta de respeito. Vai mesmo boa a festa, pá!
Mulher de 70 anos impede assalto:
1 – Defendem a liberdade e a democracia como sistemas adequados apenas a certas geografias, raças e credos, sendo que estas são as deles;
2 – Distinguem entre ditadores bons e ditadores maus;
3 – Valorizam aspectos positivos da actuação dos ditadores (Pinochet liberalizou a economia do Chile, Salazar manteve Portugal à margem da II Guerra Mundial, Mubarak conteve o perigo islâmico, Stalin contribuiu para a derrota de Hitler) mas,
4 – Esquecem as restrições à liberdade, a tortura, o roubo ou o nepotismo;
5 – Salientam que as ‘nossas’ democracias também não são perfeitas;
6 – Choram as múmias danificadas, mas
7 – Não dirigem uma palavra ao sangue que corre nas ruas, à fome das crianças, à miséria, à dor e à exclusão, às vidas reais que são mumificadas;
8 – Confundem a paz podre da ditadura com a paz que assenta na liberdade dos povos;
9 – Nunca verteram uma lágrima pelos Nadíes de Galeano que custam menos que a bala que os mata.
A menor das vantagens das revoluções recentes é que já sabemos quem são.
A discussão sobre o tema dos Deolinda que se diz ser o hino de uma geração está ao rubro. Trata-se, todavia, de uma análise de conjuntura. O bloqueio actual não é um dado estrutural. Bem pelo contrário. Enquanto arrancamos cabelo, estão a acontecer factos de extrema relevância a nível global: i) os baby boomers começaram a reformar-se em 2011. Ao longo dos próximos anos, milhões de boomers abandonarão o mercado de trabalho; ii) o mundo ocidental enfrenta uma crise de natalidade sem precedentes e não existe qualquer indicação de que a situação se possa inverter; iii) nos países ou regiões em que a taxa de natalidade é pujante, persiste um grave problema de qualificações. Nestes casos, o problema não está na escassez de recursos humanos, mas na incapacidade dos sistemas de ensino de prepararem profissionais com as competências necessárias. É o caso paradigmático do Brasil, mas o facto pode ser constatado para todos os países em vias de desenvolvimento. Ora, tudo isto conflui para uma realidade inexorável: a prazo, e a nível global, a procura de profissionais qualificados será muito superior à oferta. Os primeiros sinais estão aí. Em 5 anos, a pressão será significativa. Daqui a 10 anos, será dramática. O poder negocial passará a estar na mão de quem tiver qualificações. Esta é a principal questão estratégica de gestão de recursos humanos para a próxima década. A análise da situação tem assim duas vertentes: uma profunda consciência das enormes dificuldades actuais e uma esperança inquebrantável no futuro. Neste contexto, é fundamental não desanimar e perceber qual a estratégia correcta para responder no momento adequado: i) formação (sempre, muita, cada vez mais, de qualidade); ii) arrendamento (não vão faltar oportunidades; mas, podem não estar na Lourinhã; ninguém deve estar agarrado a uma casa; a oportunidade pode estar no Brasil); iii) soft skills (o conhecimento técnico é muito importante mas, o que vai ser valorizado pelas empresas são o entusiasmo, a auto-motivação, a capacidade de trabalhar em equipa e de promover um bom ambiente, a autonomia, etc.); iv) flexibilidade (a relação laboral poderá não ser unívoca; mas, quem quer trabalhar para uma empresa, se pode trabalhar para várias, que lutam pelo seu conhecimento?; quem quer ter horários rígidos, se pode organizar o seu tempo, gerindo a disponibilidade para a família, para os amigos, para a vida?). A prazo, toda a esperança é, por isso, permitida. E isto envolve total responsabilidade. Daqui a uns tempos, a falta de oportunidades não vai ser desculpa. O Mundo vai precisar de todo o talento disponível e este não vai ser suficiente. Quem tiver unhas e dentes vai tocar guitarra. E não será para entoar a música dos Deolinda.
Por incrível que pareça, as cerimónias fúnebres são muito mais pacatas no metro de Nova Iorque, em hora de ponta, do que no cemitério de Oeiras, num vulgar dia de semana. Sublinhe-se que o conhecimento do mundo que o Correio da Manhã nos proporciona é tal que não sei mesmo se um dia não acusará os leitores mais assíduos, nos quais me incluo, de enriquecimento ilícito.
O João Carvalho já reflectiu ontem sobre a importância das profissões na contextualização de crimes. Ao João parece-lhe, e a mim também, que não importam nada. Existe, todavia, um outro tipo de etiqueta que acompanha frequentemente a notícia de um crime. Trata-se do rótulo da nacionalidade. E a este propósito há que distinguir de acordo com o espaço geográfico em que são cometidos. Se o facto ocorrer no estrangeiro, a nacionalidade relevante é a portuguesa. A notícia há-de referir: ‘português natural de Felgueiras apanhado a roubar cinco figos na Namíbia foi condenado a varrer sete lanços de escadas’. Nestes casos, o que se procura explorar é um sentimento de proximidade. Se a notícia referisse os factos sem indicação da nacionalidade, não nos despertaria qualquer interesse. Assim, é possível que nos dediquemos a explorar os meandros da distribuição moderna dos figos na Namíbia, a altura dos degraus naquele simpático país africano, a qualidade das vassouras, a severidade da justiça local (sete lanços!) ou que nos detenhamos a reflectir, ao menos por uns momentos, sobre as razões que levam um português a roubar figos na Namíbia. Todavia, se o crime for cometido em Portugal, a nacionalidade que interessa salientar é toda aquela que não for portuguesa. A título de exemplo, nos últimos dias, fomos confrontados com a detenção de cinco cidadãos por dois assaltos. Romenos, claro! Ainda mais recentemente, a notícia do rapto de uma mulher. Coisa de chineses, evidentemente. Ora, nestes casos, o rótulo não está dirigido à proximidade. Está directamente relacionado com o distanciamento e com o preconceito. Quem diz romenos ou chineses, diz brasileiros ou cabo-verdianos. A mensagem é ‘estes estrangeiros estão cá para piorar o nosso pacato e desenvolvido país’. Isto é, para além do mais, tremendamente injusto para todos os cidadãos de nacionalidade não portuguesa que ajudam todos os dias a tornar Portugal um país melhor. Trata-se, à nossa boa maneira, de uma xenofobiazinha suave. Não mata, mas aleija. E está tão entranhada que torna possível, por exemplo, que o DN coloque na primeira página a notícia da ilegalidade da base de dados da PSP ao lado de uma outra que propõe um contexto para os crimes dos chineses. Talvez tudo se tornasse mais fácil se prescindissemos dos rótulos e passássemos a avaliar comportamentos em função do seu valor intrínseco.
Através do Correio da Manhã ficámos a saber que Renato Seabra passa a maior parte do tempo fechado à chave. Confirmam-se assim as piores suspeitas. Estar preso constitui uma clara limitação à liberdade! Sobretudo quando fecham a cela à chave. Temo até que a prisão tenha muros. Nesse caso, teremos que concluir que a prisão é tal e qual uma prisão.
O eixo franco-alemão acabou de apresentar o esboço do futuro governo económico da UE. As regras são decalcadas do modelo alemão, mas o entusiasmo é também francês. O objectivo é a convergência e a competitividade das economias europeias. A contrapartida é o reforço do fundo de resgate que poderá ver duplicado o seu valor. As três medidas fundamentais que Berlim e Paris pretendem impor são: i) a indexação dos salários à produtividade e não à inflação, ii) a uniformização da idade de reforma (67 anos parece ser o objectivo) e iii) a constitucionalização de limites de endividamento. Existem já reacções contrárias a estas propostas dos Governos da Bélgica e do Luxemburgo e da Confederação Europeia dos Sindicatos. Por cá serão também estas as questões que vamos discutir nos próximos tempos. Sempre em acesos debates que terminarão alguns dias depois de Sócrates as aceitar. Quem não tem dinheiro, não tem vícios.
Uma a uma, vão caindo todas as bandeiras dos Governos de Sócrates. Na área da Educação, A Escola a Tempo Inteiro, a Área de Projecto, o Estudo Acompanhado, os CEF e os EFA tinham o evidente objectivo de prolongar a ligação dos alunos e dos formandos à escola. Por mais horas e durante mais anos. Em 2011, com o implodir de muitas dessas medidas, o prolongamento da ligação aos estabelecimentos de ensino será assegurado, sobretudo, pela abertura das cantinas de muitas escolas aos fins-de-semana para que os alunos mais carenciados não passem fome. É toda uma nova abordagem de profundo sentido pedagógico e educativo. Ao eduquês sucede o sopadopobrês. Agora, é a vez do badalado Magalhães. O Governo acaba de anunciar que a aquisição desse símbolo da revolução socrática do conhecimento deixará de ter um apoio especial para os alunos mais carenciados. Ao programa e.escola sucede, diz-se, o e.escola 2.0. Faz sentido. O 2 implica o reconhecimento de que se trata de uma segunda abordagem, completamente oposta à primeira. Quanto ao 0, traduz o valor exacto e actual das políticas do Governo em matéria de protecção social e de educação.
A democracia portuguesa já conhecia o refrão ‘Uma Maioria, um Governo, um Presidente’. Com José Sócrates e a sua Bancarrota Boys Band a música é outra: ‘Uma Maioria Relativa, um Grupo Parlamentar e Alguns Não Poucos Governos’. Sim, porque existem o Governo de Lacão e o Governo de Silva Pereira. Que se somam ao Governo de Amado que, como se sabe, não tem qualquer relação com o Governo de Sócrates. Sendo certo que não podemos esquecer o Governo de Ana Jorge que, manifestamente, não é o Governo de Teixeira dos Santos. E que António Mendonça vai mudando de Governo dia sim, dia não (nos dias sim é do Governo Em Que o TGV Avança e nos dias não é do Governo Que Defende a Reavaliação do TGV). Da mesma forma que o Governo de Rui Pereira não é o Governo de Pedro Silva Pereira. Nada disto é demasiado confuso se tivermos em conta que calha ser que Jorge Lacão, Ministro dos Assuntos Parlamentares já não sei bem de qual destes Governos que estão actualmente em funções, não se entende com a maioria parlamentar que suporta, pelo menos, alguns dos Governos (não necessariamente os Governos em que Lacão é Ministro). Daí que, digo eu sem de todo me considerar dono da verdade, talvez fizesse mais sentido reduzir o número de Governos antes de pensar em baixar o número de deputados. Até porque o rácio de deputados por Governo deve ser dos mais baixos do Mundo dito civilizado. Aliás, parece-me bem que temos aqui um caso típico de rácio que os parta.
Os ecos das revoluções tunisina e egípcia não chegam apenas aos países vizinhos. Na China, a elite que detém o poder também os escuta. E quer abafá-los. A ideia de que os chineses comuns possam sentir-se inspirados pelos ventos da liberdade aterroriza os seus dirigentes. Por isso, a palavra Egipto foi banida nos motores de busca utilizados em território chinês. Sempre presente, está o fantasma de Tiananmen. À partida, a situação da China não é comparável à de qualquer dos países em que o processo revolucionário está em curso. A China atravessa um período de fortíssima expansão económica. E, apesar de alguns desequilíbrios evidentes, é previsível que a economia chinesa possa continuar a crescer a um ritmo acelerado. À primeira vista, o contexto parece favorável ao aproveitamento pelos dirigentes da expansão económica para melhorar o nível de vida, assim se perpetuando o poder. Todavia, o gráfico infra, roubado no blog de Paul Krugman, poderá ter parte da explicação para o nervosismo das autoridades chinesas. O Egipto, apesar de tudo, tem um perfil bem diferente daqueles que, por exemplo, as Filipinas e a Indonésia apresentavam antes de sofrerem graves convulsões. No fundo, a pista que o gráfico deixa no ar é a de que a razão fundamental do descontentamento não está sempre indexada aos indicadores de crescimento económico. Em certas circunstâncias, será ainda mais relevante a capacidade de promover a redistribuição da riqueza criada. E poderá bem acontecer que seja isso que os dirigentes chineses não querem ou não sabem fazer. Sendo esta uma pista de análise, resta uma outra justificação para a inquietude dos líderes chineses. O estômago vazio é um bom detonador do sentimento da revolta. Mas, a liberdade é um valor em si mesmo. O seu aroma é inebriante e a sua ausência agride igualmente o mais básico sentido da dignidade humana. E é particularmente preocupante para o regime que esta aragem chegue através do Google às imediações da cidade proibida. Até porque pode bem acontecer que numa futura revolta, tal como aconteceu na Tunísia, o exército se recuse a tomar partido contra o povo.
Começa a ser recorrente a comparação entre a revolução egípcia e aquela que ocorreu no Irão em 1979. Esta é uma das declinações do argumento do perigo islâmico. O risco que se acena existe. Todavia, devem sublinhar-se algumas diferenças entre uma situação e outra. Até este momento, a revolução egípcia tem apresentado uma origem não ideológica. A actividade da Irmandade Islâmica tem sido discreta e não é comparável com a intervenção dos seguidores de Khomeini na revolução iraniana. Por outro lado, um dos factos que precipitaram o desenlace iraniano foi o ataque, ainda em 1978, das forças de Reza Pahlevi sobre manifestantes. A carnificina ocorrida (4000 a 5000 mortos?) eliminou qualquer possibilidade de sucesso de correntes moderadas. O banho de sangue radicalizou as posições e acabou por abrir a porta para os resultados que se conhecem. No Egipto, adivinha-se uma escalada de violência. Para evitar a concretização da ameaça de repetição da história é fundamental evitar que o ódio e a ira atinjam o ponto de não retorno. No estado actual da situação só a queda imediata de Mubarak assegura este objectivo. Às diplomacias americana e europeia não resta outro caminho senão promover esse desenlace antes que seja tarde demais. Os acontecimentos de ontem são bem a evidência de que o desastre pode acontecer nas próximas horas.
Uma certa casta de comentadores continua a investir o seu esforço na tarefa de encontrar argumentos que contrariem a legitimidade das revoluções populares da Túnisa e do Egipto. Depois de invocada a ameaça islâmica, há quem tenha avançado para i) a constatação da falta de alternativas credíveis às lideranças dos ditadores desses países; ii) para a tese da inviabilidade da democracia em certas geografias, iii) para a defesa das múmias. Estamos, ainda e sempre, perante a afirmação da mais bacoca superioridade civilizacional. Para os egípcios e tunisinos, dizem, é melhor um ditador competente do que um democrata impreparado. Este é um argumento com inaceitável conteúdo totalitário. A liberdade é um valor. A competência é uma qualidade. A competência nunca poderá ser moeda de troca da liberdade. A ausência de lideranças alternativas é um desígnio da própria ditadura. Não é por isso que se deve beneficiar o infractor. Para além disso, a premissa é falsa. Seria bom que estes postadores ilustrados pudessem apresentar o seu argumento sobre a preparação e competência de Mubarak às centenas de milhares de pessoas que vivem na mais miserável indigência nos arredores do Cairo. Por outro lado, não consigo encontrar racionalidade na ideia de que um país ou uma região, não estando preparados para a democracia, possam estar preparados para uma ditadura. Francamente, a fábula do ditador útil e bonzinho não é para gente crescida. Como teste definitivo à validade destas teses proponho um caso de estudo. Em que posição ficaria nesse argumentário o Portugal que foi entregue às mãos de Vasco Gonçalves? No que diz respeito à tese da defesas das múmias, parecem-me estas muito importantes. E penso que devem ser feitos todos os esforços para preservar o património cultural que é uma marca da humanidade. Mas, não encontro ponto de partida que nos permita aceitar que uma parte de humanidade viva em privação de liberdade e dignidade com o objectivo de preservar as múmias. No fundo, o que este tipo de argumentos esconde é uma desorientação e um incómodo. O erudito geo-estratega da bloga ou da imprensa tem o seu quadro mental preparado para uma certa tipologia de acontecimentos: as revoluções não acontecem em países liderados por ditadores ‘amigos’. Perante a evidência de que esta asserção estava errada, resta-lhes recolher do baú dos trastes uma ou outra sentença de condenação dos povos em causa a uma vida de injustiça. Antes isso que pôr em causa as verdades absolutas em que querem continuar a acreditar. Para além do mais, sempre asseguram a si próprios o conforto de poderem acertar nas piores previsões. Equiparam-se, neste aspecto, aos relógios parados que têm razão duas vezes ao dia. E esquecem-se que tornam evidente a diferença que existe entre os que defendem a liberdade em qualquer lugar e os que pensam que a liberdade é o lugar onde se defendem os interesses (ainda que este interesse seja a mera validação das suas teses auto-confirmatórias).
Porter esqueceu-se de o referir mas, existem vantagens competitivas verdadeiramente insustentáveis. Felizmente, há sempre um empresário português disponível para desenvolver o modelo teórico enquanto esfrega as mãos de contente.
Dizem-me que, de acordo com o novo acordo ortográfico, os habitantes do velho Egito continuam, apesar de tudo, a ser egípcios.
Protagonizado pela Vice-Primeira Ministra belga, Laurette Onkelinx: