1 – Defendem a liberdade e a democracia como sistemas adequados apenas a certas geografias, raças e credos, sendo que estas são as deles;
2 – Distinguem entre ditadores bons e ditadores maus;
3 – Valorizam aspectos positivos da actuação dos ditadores (Pinochet liberalizou a economia do Chile, Salazar manteve Portugal à margem da II Guerra Mundial, Mubarak conteve o perigo islâmico, Stalin contribuiu para a derrota de Hitler) mas,
4 – Esquecem as restrições à liberdade, a tortura, o roubo ou o nepotismo;
5 – Salientam que as ‘nossas’ democracias também não são perfeitas;
6 – Choram as múmias danificadas, mas
7 – Não dirigem uma palavra ao sangue que corre nas ruas, à fome das crianças, à miséria, à dor e à exclusão, às vidas reais que são mumificadas;
8 – Confundem a paz podre da ditadura com a paz que assenta na liberdade dos povos;
9 – Nunca verteram uma lágrima pelos Nadíes de Galeano que custam menos que a bala que os mata.
A menor das vantagens das revoluções recentes é que já sabemos quem são.

Grande poema.
Só comparável ao ínfimo valor reconhecido aos Nadíes a que se refere, Ana.
Nem mais.
Têm uma visão muito própria do fenómeno.
O vidro do aquário distorce a imagem.
É, em todo o caso, uma distorção muito selectiva, Pedro. Nuns casos, o vidro parece uma lente de aumento. Noutros, permanece fosco.
Muito bem, Rui. Já perfilhei também essa expressão: «democratas de aquário». Nada mais apropriado ao discurso dúplice que emitem: democracia na ala norte do Mediterrâneo, cleptocracia autoritária na ala sul.
Tal e qual, Pedro.