Os democratas de aquário


Rui Rocha,

1 – Defendem a liberdade e a democracia como sistemas adequados apenas a certas geografias, raças e credos, sendo que estas são as deles;

2 – Distinguem entre ditadores bons e ditadores maus;

3 – Valorizam aspectos positivos da actuação dos ditadores (Pinochet liberalizou a economia do Chile, Salazar manteve Portugal à margem da II Guerra Mundial, Mubarak conteve o perigo islâmico, Stalin contribuiu para a derrota de Hitler) mas,

4 – Esquecem as restrições à liberdade, a tortura, o roubo ou o nepotismo;

5 – Salientam que as ‘nossas’ democracias também não são perfeitas;

6 – Choram as múmias danificadas, mas

7 – Não dirigem uma palavra ao sangue que corre nas ruas, à fome das crianças, à miséria, à dor e à exclusão, às vidas reais que são mumificadas;

8 – Confundem a paz podre da ditadura com a paz que assenta na liberdade dos povos;

9 – Nunca verteram uma lágrima pelos Nadíes de Galeano que custam menos que a bala que os mata.

A menor das vantagens das revoluções recentes é que já sabemos quem são.

7 comentários em “Os democratas de aquário”

  1. Muito bem, Rui. Já perfilhei também essa expressão: «democratas de aquário». Nada mais apropriado ao discurso dúplice que emitem: democracia na ala norte do Mediterrâneo, cleptocracia autoritária na ala sul.

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