O eixo franco-alemão acabou de apresentar o esboço do futuro governo económico da UE. As regras são decalcadas do modelo alemão, mas o entusiasmo é também francês. O objectivo é a convergência e a competitividade das economias europeias. A contrapartida é o reforço do fundo de resgate que poderá ver duplicado o seu valor. As três medidas fundamentais que Berlim e Paris pretendem impor são: i) a indexação dos salários à produtividade e não à inflação, ii) a uniformização da idade de reforma (67 anos parece ser o objectivo) e iii) a constitucionalização de limites de endividamento. Existem já reacções contrárias a estas propostas dos Governos da Bélgica e do Luxemburgo e da Confederação Europeia dos Sindicatos. Por cá serão também estas as questões que vamos discutir nos próximos tempos. Sempre em acesos debates que terminarão alguns dias depois de Sócrates as aceitar. Quem não tem dinheiro, não tem vícios.
O governo económico franco-alemão e o que aí vem
Rui Rocha,

O Governo da Bélgica não deve contar muito, que a Bélgica está habituada a viver sem Governo, e o do Luxemburgo deve contar pouco, porque calculo que seja só para dizer que existe e há-de continuar sem grandes dores de cabeça.
Por cá, podemos contar com a irresponsabilidade dos queixinhas do costume: a esquerda-esquerda e a Inter. Salários indexados à produtividade??? Onde é que já se viu isso?!?!?!
Quanto a mim, há muito que sou a favor da Europa federal, por uma razão que se encaixa nas políticas comuns centralizadas: quanto mais políticas nos vierem de Bruxelas melhor, porque de Lisboa nunca sai nada de bom.
Sócrates, entalado como sardinha, engole em seco que não tem espaço para salivar. E é como dizes: «quem não tem dinheiro, não tem vícios.»
Não encontro argumentos para contrariar as tuas conclusões, João. E imagino que elas te serão tão doloras como são para mim.
A Bélgica é o país ideal. Tem um Rei que não reina e um Governo que não existe. De resto, e como sublinhas, quem não tem dinheiro não tem vícios. Nós andámos anos a fio a comportar-nos como se nadássemos em dinheiro: basta recordar os dez estádios do Euro-2004.
Os resultados estão à vista. Somos hoje um protectorado do eixo franco-alemão. Nunca fomos tão dependentes desde 1640. Falar em ‘soberania nacional’, no actual contexto, é uma liberdade poética. E o Sr. César, nos Açores, continua a estabelecer excepções à regra da austeridade não só na administração pública regional como nas empresas públicas regionais. Ainda ninguém lhe disse que o tempo do regabofe terminou? É favor alguém arranjar-lhe com urgência um tradutor-intérprete de alemão.
A Bélgica tem também cerveja sublime,mexilhões de pirueta e meia com mortal empranchado à rectaguarda,chocolate de orgasmo múltiplo e uma malta simpatiquísssima, lá pelas Ardenas. Os flamengos não são(nem querem…) belgas !!
abraço
Fora uns queijinhos daqueles que tanto faz serem francófonos como neerlandeses!

Parece-me que o Fernando deve preferir o manchego.
Queijo, também prefiro o manchego. Mas os belgas têm também o Tintim, o Brel e o Simenon – uma trilogia de luxo.
Além do Poirot.
E o Sapateiro prefere o KÁKÁ ao CR, e não é por causa do preço, enquanto a mulher se sente uma frigideira a arder em Madrid.
Se somarmos a isso o tal Governo que não governa e o Rei que não reina referidos pelo Pedro, parece-me que temos aqui uma aproximação ao paraíso, Fernando.
Deveria ter visto o líder do grupo parlamentar açoriano falar na RTP-Açores no telejornal de ontem como se autonomia e PS-Açores fossem um mero sindicato que vai lutar contra tudo e todos na defesa dos trabalhadores Açorianos… nenhuma ideia, apenas isto: hão-de dar dinheiro aos funcionários e trabalhadores ilhéus.
À falta de outros méritos, a aposta cai sempre na demagogia e no clientelismo.
Um dia destes tropecei num blogue com um nome genial: ‘je suis belge mais je me soigne’. Infelizmente, os exemplos que referes e todos os outros que vamos constatando no dia a dia levam-me a concluir que já nem a ironia está ao nosso alcance.
É esta vinda a alternativa definitiva à vinda do FMI provisoriamente, aquilo que em guerra a Alemanha não conseguiu, o poderia económico dos germânicos em democracia pode vir a conseguir, sobretudo devido aos nossos erros: o domínio de grande parte da Europa.
Das ist richtig, Carlos.