«Pai de juíza mata advogado com seis tiros» Este é o título de uma notícia em que pode ler-se o seguinte: «Um advogado foi hoje assassinado, em Oliveira do Bairro, com seis tiros atirados pelo antigo sogro», pai de «uma juíza de Ílhavo»; «a vítima, um advogado residente no Porto, estava separada da juíza, moradora em Mamarrosa, Oliveira do Bairro, mas o processo de divórcio era litigioso, já que os pais não se entendiam quanto à custódia da única filha do casal, de quatro anos de idade»; o antigo genro foi «atingido com pelo menos dois tiros»; o «homicida confesso entregou-se pouco tempo depois» e é «engenheiro de profissão».
Ora, se as profissões de cada um fossem relevantes para o caso, o título bem podia ser: “Engenheiro mata advogado». Mas as profissões não têm especial interesse, como não é certo que a morte tenha sido com seis tiros, já que a notícia, afinal, diz que o morto foi «atingido com pelo menos dois tiros».
Além disso, não pode ser verdade que estivesse em curso um processo de divórcio que «era litigioso, já que os pais não se entendiam quanto à custódia da única filha do casal». Faz tempo que a custódia de menores filhos de pais separados é preferencialmente partilhada com co-responsabilidade de ambos e, de resto, nenhum processo de poder paternal tem de correr apenso a um processo de divórcio (que não é nem deixa de ser por mútuo consentimento ou litigioso por razões de poder paternal).
Um jornalista, se não for outra coisa específica, tem de ser um especialista em generalidades. Mas há cada vez menos a saber isso.

Hoje em dia todo o jornalismo é tendencialmente tablóide. Como esta notícia demonstra de forma exemplar.
É isso, compadre.
Lamentável para não dizer assustador!
A qualidade da nossa sociedade vê-se pelo Políticos que cria, MAS também pelo jornalistas que deixou de criar.
Abraço.
Estou muito de acordo.
Um abraço.