Magalhães 2.0


Rui Rocha,

Uma a uma, vão caindo todas as bandeiras dos Governos de Sócrates. Na área da Educação, A Escola a Tempo Inteiro, a Área de Projecto, o Estudo Acompanhado, os CEF e os EFA tinham o evidente objectivo de prolongar a ligação dos alunos e dos formandos à escola. Por mais horas e durante mais anos. Em 2011, com o implodir de muitas dessas medidas, o prolongamento da ligação aos estabelecimentos de ensino será assegurado, sobretudo, pela abertura das cantinas de muitas escolas aos fins-de-semana para que os alunos mais carenciados não passem fome. É toda uma nova abordagem de profundo sentido pedagógico e educativo. Ao eduquês sucede o sopadopobrês. Agora, é a vez do badalado Magalhães. O Governo acaba de anunciar que a aquisição desse símbolo da revolução socrática do conhecimento deixará de ter um apoio especial para os alunos mais carenciados. Ao programa e.escola sucede, diz-se, o e.escola 2.0. Faz sentido. O 2 implica o reconhecimento de que se trata de uma segunda abordagem, completamente oposta à primeira. Quanto ao 0, traduz o valor exacto e actual das políticas do Governo em matéria de protecção social e de educação.

10 comentários em “Magalhães 2.0”

  1. Caro Rui,
    Como mãe e encarregada de educação, estou mais preocupada em que a escolaridade seja de qualidade, do que com o facto de se “acabarem” com a Aréa de Projecto, o Estudo Acompanhado, os CFE, EFA e quejandos.
    Errar é humano e a formação de crianças é sempre uma experiência e uma lição de vida.
    Para crianças com 10 anos, por exemplo, acabadas de entrar para o 5.º ano, é muito mais importante que tenham tempo para brincar (com o Magalhães ou, de preferência, na rua com outros colegas e amigos) do que “estudar acompanhadas”, visto que, diz-me a experiência, quem estuda são os pais (que, alías, precisam dada a actualização das matérias e as novas “nomenclaturas”). Em vez de darmos tempo ao tempo, temos todos (Estado, Pais e entidades patronais) muito interesse em que as crianças permaneçam muito tempo “ocupadas” na escola. Ora, se essa “ocupação escolar” for no recreio (em vez de na Área de Projecto e no Estudo Acompanhado) estamos a formar melhor e mais autónomos cidadãos, do que mantendo as crianças distraídas com tais “monumentais empates de tempo”.
    Devemos querer que a escola forme cidadãos em vez de amorfos, repetitivos, acéfalos e dependentes “estudantes acompanhados” em vagas “áreas de projecto”.
    Quanto ao Magalhães, se não fosse a deriva do dito (Fernão de Magalhães), acredito que teríamos descoberto o tal caminho marítimo…embora mais tarde.

    1. Concordância de princípio a quanto refere, AS. O que não nos impede de formular um juízo de valor sobre quem diz ontem A e hoje o seu contrário. Já percebi que a AS está numa fase em que já não perde tempo com esse tipo de sublinhados. Pela minha parte, ainda vou cedendo a essa tentação.

      1. Sim, Rui.
        Não perco tempo quando a incoerência (o que se disse ontem é desdito hoje) aponta na direcção correcta e repara um erro anterior.
        Ántes mudar, reconhecendo o erro, do que persistir nele só par ser coerente.
        E, garanto-lhe, dizer mal por dizer mal…não dá votos, Rui! (Para quem quer ser governo, fica o “aviso”).

  2. “Quanto ao 0, traduz o valor exacto e actual das políticas do Governo em matéria de protecção social e de educação.”

    Esta foi em cheio! Ninguém diria melhor. Nunca tão poucas palavras disseram tanto sobre este governo.

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