O Código de Conduta, o Códigozinho de Conduta


Rui Rocha,

A carga de porrada de Ponte de Sor já obrigou o Ministro Santos Silva a manifestar-se, conforme os dias e os órgãos de comunicação social, preocupado, disponível para ajudar a investigação, empenhado em ir até onde for possível, capaz de empreender diligências diplomáticas e, o Diabo seja cego, surdo e mudo, até de avaliar um “eventual talvez possível quem sabe sem precipitações” levantantamento da imunidade. Fico consternado por ver o Ministro tão aperreado com este melindroso assunto num momento do ano que devia ser de descanso e descontracção. Houvesse um módico de Justiça no Mundo e a Providência proporcionaria a Santos Silva um daqueles lampejos de inspiração ocorrendo-lhe que, vai-se a ver, um Código de Conduta para filhos de Diplomatas pode bem ser uma bela solução para encerrar definitivamente o assunto.

A Ministra teve um flash


Rui Rocha,

O perfil do incendiário típico está há muito determinado: indivíduos do sexo masculino, com baixo nível de qualificação profissional, habitantes em zonas rurais, consumidores de álcool ou de drogas e em muitos casos com um atraso cognitivo e com patologias do foro mental. Leio agora que a MAI, regressada de um período de férias retemperador, dividido entre a praia em Cabanas e a festa da FLASH, pretende pôr os incendiários a pagar o combate aos incêndios. Tendo em conta que só a hora do Kamov custa cerca de 35.000€, ou o perfil típico do vencedor do Euromilhões corresponde ao de incendiário ou estamos bem lixados com a ideia. Para isto, se calhar mais vale a Ministra voltar ao Plano A e culpar os parceiros europeus por falta de solidariedade. Ou continuar as férias no Algarve.

A Força Especial


Rui Rocha,

O Dr. Costa, um indíviduo que iniciou funções em Novembro de 2015 e que 8 meses depois já precisa de umas férias que se não tivermos cuidado durarão coisa de mais de três semanas, anunciou com 24 (vinte e quatro) horas de antecedência que se predispunha a interromper o respectivo gozo (apenas o das férias, não nos iludamos) para fazer uma incursão à Protecção Civil. Face à situação dramática que se vive no Funchal, a intervenção do Primeiro-Ministro saldou-se com o envio de uma Força Especial de 30 (trinta) elementos, entre bombeiros, GNR e INEM. Ou seja, bem contados, eram mais os excursionistas da Galp no Portugal/Hungria do que os elementos operacionais que integram essa tão extraordinária Força Especial.

Adenda às 23.50: pelo visto, o Governo decidiu reforçar esta equipa com mais 80 elementos. Obviamente.

Da contenção necessária na divulgação de certas imagens


Rui Rocha,

Os “media” têm o dever de informar mas devem também avaliar as consequências dos factos que divulgam. A utilização de imagens, por exemplo, deve ser rigorosamente ponderada. A difusão de imagens perturbadoras pode promover um contexto emocional susceptível de despertar em mentes mais sugestionáveis uma vertigem de imitação potencialmente perigosa. Há muito que os “media” não imitam a vida, como comentou Jean Baudrillard. É a vida que imita os “media” e o efeito mimético é tão mais poderoso quanto maior é a presença das imagens e o seu impacto emocional. Os “media” deviam pensar duas vezes antes de publicarem imagens de António Costa em calções de banho.

Código de Conduta


Rui Rocha,

Ao que parece, o Ministro Santos Silva acaba de declarar que a conduta de Rocha Andrade e de outros dois Secretários de Estado não merece censura, até porque vão reembolsar a entidade que suportou os custos do passeio. Ao mesmo tempo, promete um Código de Conduta para governantes nos próximos dias. Tendo em conta o padrão ético que os membros do Governo têm vindo a estabelecer, creio que será suficiente um documento simples, com nem meia-dúzia de parágrafos:
1 – Desde que não sejam descobertos, é permitido aos membros do Governo indicar morada no Algarve para receber subsídio de alojamento ainda que tenham residência em Cascais.
2 – Independentemente do respectivo valor, os membros do Governo podem receber benesses, descontos, incentivos, viagens, vales, prendas e o diabo a sete desde que não sejam descobertos.
3 – No caso de serem descobertos, os membros do Governo não serão ainda objecto de qualquer censura ou consequência desde que devolvam ou, quando menos, ameacem devolver a importância correspondente ao benefício obtido.
4 – As regras dos números anteriores deverão ser aplicadas extensivamente ou por analogia a todas as situações em que os membros do Governo assumirem condutas eticamente reprováveis ou em que, genericamente, fizerem merda.
5 – Ahahahah.

Condecoração por pontos


Rui Rocha,

Para ver se sobrevivemos a este “ai Jesus” de não ter mãos a medir para tanta comenda, proponho a condecoração por pontos: ao tirar a fotografia para fazer o 1º cartão de cidadão todos os portugueses seriam imediatamente condecorados pelo funcionário do Instituto dos Registos e Notariado. A todos os cidadãos seriam então atribuídos igualmente 12 pontos. A partir daí, determinados comportamentos implicariam a perda dos ditos. Por exemplo, não apoiar a candidatura de António Guterres à ONU determinaria a perda de 3 pontos. Já rir a bandeiras despregadas do Varoufakis valeria a perda de 2 pontos. Apoiar a realização de exames nos diversos níveis de ensino retiraria 1 ponto ao infractor, digo, ao cidadão. E assim sucessivamente. E claro, perdidos os 12 pontos, seria retirada a condecoração. Agora bem. Apesar dos erros, todos os cidadãos manteriam o direito a novas oportunidades. A leitura dos artigos do Nicolau Santos no Expresso daria uma bonificação de 1 ponto. Usar cuecas CR7 valeria 2 pontos. E conseguir o regresso do Tordo ao rectângulo daria jackpot: 7 pontos.

A farsa repete-se como realidade


Rui Rocha,

Em “O Bem Amado” não havia meio de alguém morrer na cidade fictícia de Sucupira para se poder inaugurar o cemitério que o Prefeito Odorico Paraguaçu, acolitado pelo incondicional Dirceu Borboleta, tinha mandado construir. Em Portugal, uma espécie de Sucupira real mas em ponto maiorzinho, desde que Marcelo anunciou as comendas para os futebolistas, ainda não parámos de ganhar títulos desportivos. Marcelo é um Odorico Paraguaçu ao contrário. Vê-se sem mãos a medir para distribuir comendas da mesma forma que ao Prefeito de Sucupira escasseavam defuntos. E nem lhe falta o acólito Borboleta, agora interpretado por Costa, o Primeiro. Em matéria de ridículo, a realidade parece encarregar-se uma vez mais de superar a ficção.

Futebol e Fátima


Rui Rocha,

Li por aí que o Professor Marcelo, o mais alto beato da Nação, rezou muitos terços para que a selecção nacional tivesse um bom resultado e que admite ir a Fátima. Ora, há coisas que não percebo. Quer dizer, se eu fosse crente, era capaz de rezar pela saúde e pela felicidade da minha mulher, dos meus filhos ou da humanidade em geral. Pela nossa saúde ou por uma felicidade nossa que não prejudicasse a dos outros. Mas neste caso, rezar pelo sucesso da selecção de Portugal é pedir o insucesso da selecção de França. E parece-me que isto não é assunto em que se deva meter Nossa Senhora de Fátima. Como é que Nossa Senhora de Fátima fica? Qual é o critério de decisão? Favorece os que pedem mais, os que fazem mais barulho? Beneficia os que se portam melhor? Mas como? O Bruno Alves é melhor do que o Payet? Há coisas que pessoas bem formadas não pedem. Muito menos a Nossa Senhora de Fátima. Na verdade, o que Marcelo e os outros como ele querem é tráfico de influências. Que Nossa Senhora mexa uns cordelinhos, que interceda aqui e ali, para beneficiar uns e prejudicar outros. Aliás, se eu fosse Nossa Senhora de Fátima e me aparecesse o Marcelo ou outros como ele com um tercinho na mão e conversa do tipo “ah e tal podias dar aqui um jeito” mandava-os logo foder.