Futebol e Fátima


Rui Rocha,

Li por aí que o Professor Marcelo, o mais alto beato da Nação, rezou muitos terços para que a selecção nacional tivesse um bom resultado e que admite ir a Fátima. Ora, há coisas que não percebo. Quer dizer, se eu fosse crente, era capaz de rezar pela saúde e pela felicidade da minha mulher, dos meus filhos ou da humanidade em geral. Pela nossa saúde ou por uma felicidade nossa que não prejudicasse a dos outros. Mas neste caso, rezar pelo sucesso da selecção de Portugal é pedir o insucesso da selecção de França. E parece-me que isto não é assunto em que se deva meter Nossa Senhora de Fátima. Como é que Nossa Senhora de Fátima fica? Qual é o critério de decisão? Favorece os que pedem mais, os que fazem mais barulho? Beneficia os que se portam melhor? Mas como? O Bruno Alves é melhor do que o Payet? Há coisas que pessoas bem formadas não pedem. Muito menos a Nossa Senhora de Fátima. Na verdade, o que Marcelo e os outros como ele querem é tráfico de influências. Que Nossa Senhora mexa uns cordelinhos, que interceda aqui e ali, para beneficiar uns e prejudicar outros. Aliás, se eu fosse Nossa Senhora de Fátima e me aparecesse o Marcelo ou outros como ele com um tercinho na mão e conversa do tipo “ah e tal podias dar aqui um jeito” mandava-os logo foder.

0 comentários em “Futebol e Fátima”

  1. O Rui não entende os mistérios da fá católica.
    Marcelo pediu a Nossa Senhora de Fátima (NSF). François Hollande pediu a Nossa Senhora de Lourdes (NSL). As duas Nossas Senhoras (que são distintas e, no entanto, uma e a mesma pessoa – um dos mistérios do catolicismo – é como a Santíssima Trindade) intercederam junto de Deus. Fizeram lóbi. Verifica-se que NSF venceu por 1-0, no prolongamento. NSL chorou.

  2. Porque não um pouco da nossa história, a propósito desta vitória no europeu de futebol?
    Ainda não vi recordar as três invasoes francesas, entre 1807 e 1810 e as consequências das mesmas no nosso Portugal.
    Junot, Soult e Massena: esta vitória é a nossa vingança por tantos danos que nos causaram.
    Viva Portugal!

  3. E o Camané, jurou compor e cantar um Fado
    Fica completa a trilogia!
    FFF

    —–

    Será que irão todos parar ao panteão?

  4. Já escrevi sobre isto.

    Tanta BEATOlice.

    Mais parece bruxaria branca de católico analfaPARVO.
    Ao nível da grei mais ignara. Que claro, gosta de rezas propiciatórias…

  5. Tráfico de influências…
    Há uns anos fui ao Oriente e perguntei sobre a dimensão dos pagodes.
    Ou seja, como inculto, pensei que o maior pagode fosse para o deus mais importante.
    – Nada disso!
    Explicaram-me que era muito mais pragmático.
    Um falecido deixava dinheiro para construir um templo, depois era uma questão de sucesso das preces.
    A pessoa investia num templo para favorecer uma causa. Se, do outro lado, o morto conseguisse favorecer essa causa, pois então continuava o investimento, e o pagode atingia grandes proporções.
    Caso contrário, ninguém cuidava de investir num pagode que nada fazia em prole das preces ali pedidas.
    Accountability… no mundo dos mortos!
    Portanto, acho que aqui não foi uma questão de Lourdes versus Fátima… mas foi boa ideia colocar a foto do Eusébio no autocarro e no avião.

  6. Eu sou católico e acho que tem toda a razão. Por coisas mais importantes não tive coragem de pedir a Nª Srª pelo que jamais pediria para ganhar um jogo. Como católico entendo que Marcelo, católico que é, cometeu blasfémia! Acho que se eu fosse a Nª Srª seguiria o seu conselho, Rui Rocha.

  7. São os mistérios da Fé.
    Fé, por definição, não é racional.
    Se o fosse, não seria fé e passaria a ser um argumento, um raciocínio ou uma outra coisa do género.
    Eu, um agnóstico convicto, subscrevo totalmente o post.
    Não no que se refere a Fernando Santos, que fica muito mais forte com a sua crença, mas no que aos políticos diz respeito, que, no essencial, o que pretendem é que Deus e os Santos tomem o seu “partido”.
    Só não acho que Nossa Senhora mandasse f. alguém, mesmo que fosse um político.
    Portanto, o que deveria escrever, não era “se eu fosse Nossa Senhora”, mas “se Nossa Senhora fosse eu”.
    Amen!
    João de Brito

      1. Concordo consigo.
        Talvez não, mas entre os que nem votaram,como eu,aos que o achavam uma sumidade,todos temos as nossas culpas.
        O pai deve rebolar na cova.
        O outro é monhé, não engana ninguém, para além de um completo alarve asqueroso.
        No meu humilde entendimento, este fará muito mais estragos ao descredibilizar e tornar numa risota internacional o mais alto cargo da nação.

  8. E o nosso PR distraído:

    — Esqueceu-se de condecorar a Mamona e companheiros ( atletismo)

    Porca de vida…

    Nem à Sé jurou ir por eles!

  9. Não condecoraram a mamona?

    A Mamona?
    Parece impossível!!!
    Eram logo duas meldalhonas nas mamo…ai, cala-te boca de trapos.

    A moça é apetitosa, parece meiguinha – porreira(ça), pá!

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