(Euro)peu


Adolfo Mesquita Nunes,

O Europeu de Futebol, com as suas emoções, é uma — mais uma, mas bastante elucidativa — demonstração de que a Europa é feita de nações com histórias, culturas, emoções e percursos próprios. Cada nação a sofrer pelo seu país, a criticar a selecção do lado, a orgulhar-se do seu trajecto, chamando pelos seus, chorando com os seus. Não há qualquer problema nisso, é o que nos sai com naturalidade, sem maldade. E talvez devêssemos prestar mais atenção a essa demonstração, porque ela diz muito de nós, das nossas circunstâncias.

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Só um totalitarismo poderá impedir essa diversidade de percursos, ou pelo menos a sua manifestação. Só uma ditadura nos impedirá de nos sentirmos mais portugueses do que qualquer outra nação a competir pelo título. Só coagidos nos esqueceremos de aplaudir e chorar os nossos golos e as nossas falhas.

 

Qualquer projecto político ou institucional europeu que não dê conta dessa diversidade, que a não integre no seu processo decisório, que não faça dela um activo, só encontrará problemas e criará outros tantos. É evidente que estas nações se unem por valores comuns, e que partilham muito do que as fez sobreviver num Mundo que viu tantos apogeus e tantos declínios. Mas essa partilha, genuína, nunca as fez perder essa individualidade.

 

Num momento em que a Europa enfrenta tantos desafios, talvez fosse bom olhar para o Europeu com olhos de ver.  

0 comentários em “(Euro)peu”

  1. O Europeu de Futebol, com as suas emoções, é uma demonstração de que a Europa é feita de nações com histórias, culturas, emoções e percursos próprios.

    Esta é uma “demonstração” completamente falaciosa. Pela mesma demonstração, poder-se-ia “demonstrar” que Lisboa tem bairros (porque competem uns contra os outros nas Marchas) e que Portugal tem cidades (porque competem umas contra as outras no campeonato nacional de futebol). Na verdade, tanto os bairros como as cidades como as nações misturam-se, confundem-se e não estão bem definidos.

    A propósito, no fim de semana passado dois portugueses, Tsanko Arnaudov e Tamila Holub, ganharam medalhas em competições desportivas. Dois portugueses da nação búlgara. Tal como Raphael Guerreiro é um português que não sabe falar português.

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