Oguchialu Chijioke Goma Lambu Onyewu


Rui Rocha,

Se já soube do imposto extraordinário sobre o subsídio de natal e a sua esmerada educação, tal como a minha, não lhe permite berrar palavrões e contar até dez também não ajuda, faça como eu. Experimente dizer o nome do novo reforço do Sporting várias vezes seguidas: Oguchialu Chijioke Goma Lambu Onyewu. Depois de algumas repetições, vai ver que não cura, mas alivia. Convenhamos que é uma merda de um nome difícil de pronunciar pra cara..cóis, não é?

Jorge Jesus vai pagar-mas


Rui Rocha,

Jorge Jesus declarou em comunicado que pagou ao fisco 119.000€ (cento e dezanove mil euros) que não devia. As razões que invoca são o reconhecimento ao Vitória de Setúbal, a relação emocional do pai com o clube e a possibilidade de delongas processuais afectarem o seu bom nome. Este é um assunto sobre o qual ninguém lhe perguntou nada, pelo que não era sequer necessário apresentar explicações. E, convenhamos, para dizer o que disse, mais valia estar calado. Alguém, no seu perfeito juízo, acredita que se pague tal valor quando nada se deve e que se assuma tal decisão pelas razões invocadas? Eu, por mim, já sei como vou financiar as próximas férias, o automóvel novo e o apartamento na praia. Uma acçãozinha judicial contra Jorge Jesus, com algum motivo estapafúrdio (a cor do cabelo parece-me um bom começo), e resta esperar que o instinto de preservação do bom nome do JJ faça o resto. Depois, mando notícias a partir do meu novo Ipad, está bem?

Talvez uma volta de teleférico, não?


Rui Rocha,

 

José Blanco é o ministro Espanhol do Fomento. Para simplificar, pode dizer-se que é o irresponsável local pelas obras públicas faraónicas e pelas parcerias impúdico-privadas de nuestros hermanos. Mal comparado, um maluquinho dos comboios como o nosso Mendonça. Ao que parece, ficou muito incomodado com a suspensão do TGV. Pelo visto, o ministro Blanco também estava entusiasmado com a possibilidade de utilizar o TGV para ir a banhos na Caparica. É claro que talvez não fosse pior que o ministro Blanco se entretivesse com questões como o número de passageiros de alguns troços do TGV em Espanha. A utilização média diária atingiu os 9 passageiros, circunstância que, naturalmente, obrigou ao encerramento do serviço. Ou com o aeroporto de Castellon que, à falta de aviões, será utilizado como ponto de partida de uma etapa da Volta a Espanha. É que nós por cá já temos com que nos entreter com os estádios do Euro, os 7 passageiros semanais do aeroporto de Beja e os 150 milhões de euros que o consórcio ELOS se prepara para pedir ao Estado como indemnização pela suspensão do TGV. Entre outros legados da mesma espécie. Por isso, e atendendo a que estamos no início da época estival, penso que José Blanco devia ir passear. À falta de TGV que o leve à Caparica, sugiro-lhe uma outra praia, bem mais próxima de Madrid. E, na falta de comboio de alta velocidade, recomendo uma voltinha no teleférico da Penha, em Guimarães. É uma espécie de TGV. Suspenso.

A angústia do bloguista (é assim que se diz?) perante o teclado (2)


Rui Rocha,

Se Assunção Esteves não foi estudanta da Faculdade de Direito, custa-me aceitar que possa ter sido concorrenta ao cargo de Presidenta da Assembleia da República. Todavia, nada tenho a opor ao facto de ser ex-juíza do Tribunal Constitucional. Em todo o caso, depois do discurso que fez, por mim Assunção pode ser o que ela quiser. E se fizer questão disso, até direi que é uma excelente (ou deverei dizer excelenta, Excelência?) Presidenta. Agora, estou certo de que, sendo Assunção  jurista, não me obrigará a reconhecer que eu próprio sou um juristo. Da mesma forma que nunca me ouvirão tratar Cavaco Silva por Seu Excelêncio.

Low Post


Rui Rocha,

O meu amigo Fernando é um excelente rapaz. Mas, cá para nós que ninguém nos ouve, é um bocado imbecil. Está casado com a Ana Pinto. Um amor de rapariga. Pena ser um bocado aérea. Há uns tempos, fundaram uma companhia. Produzem cadeiras. Um destes dias, lançaram uma linha com cento e cinquenta unidades. É o modelo Bruxelas. Destas cento e cinquenta cadeiras, há vinte que são mais confortáveis. O tecido custou o mesmo, mas torna o encosto dorsal mais agradável. Por isso, o Fernando Pinto decidiu que o preço dessas vinte cadeiras Bruxelas (tipo A) é o dobro do das outras cento e trinta cadeiras Bruxelas (tipo B). Por ser algo imbecil, o Fernando Pinto andou envolvido com más companhias e teve alguns “azares”. Para saldar essas contas, o Fernando Pinto fez um acordo com um credor. Vai entregar-lhe quatro cadeiras modelo Bruxelas. O credor é que vai decidir se prefere levar quatro cadeiras tipo A ou quatro cadeiras tipo B. O Fernado Pinto, que é um bocado imbecil, vai tentar que o credor escolha as de tipo B, uma vez que assim poderá tentar vender as de tipo A aos clientes, recebendo o respectivo preço. A mim não me parece mal visto, mas não tenho a certeza. Afinal de contas, o Fernando Pinto é algo imbecil.

2ª, 3ª. 4ª, 5ª, 6ª, Sábado, Dooooomingo, 7 dias na semana e um só para aterrar


Rui Rocha,

As estatísticas do aeroporto de Beja não enganam. O tráfego aéreo concentra-se com particular intensidade no domingo de manhã. Como é normal, estas coisas percebem-se melhor com um gráfico. O que se segue representa o nº de voos registado em cada dia da semana passada. Ao leitor mais atento não passará despercebido que no Domingo ocorre um pico de dimensão assinalável:

 

 

 E o mesmo acontece, caro leitor, quando consultamos o nº de passageiros por dia (dados também relativos à última semana):

 

 

Compreende-se assim o entusiasmo do Director do Aeroporto que, de acordo com a capa do Expresso de hoje, “faz uma avaliação muito positiva da nova pista de aterragem alentejana”. Não é caso para menos. 

Ambiente e resíduos


Rui Rocha,

"José Sócrates não desaparecerá"

 

De acordo com informação que recolhi aqui, na natureza e ao ar livre, os produtos que constam da tabela seguinte teriam os tempos de degradação aproximados ali indicados:

 

Material

Tempo de Degradação

Aço

10 a 100 anos

Alumínio

Mais de 500 anos

Cerâmica

indeterminado

Chicletes

5 anos

Cordas de nylon

30 anos

Esponjas

indeterminado

Filtros de cigarros

1 a 5 anos

Isopor

indeterminado

Madeira

6 meses

Borracha

indeterminado

Papel e papelão

3 a 6 meses

Plásticos

50 a 450 anos

Restos orgânicos

6 a 12 meses

Vidros

Mais de 4000 anos

Pano

6 meses a 1 ano

Fraldas descartáveis

Mais de 450 anos

 

Entretanto, neste mesmo assunto da degradação, Basílio Horta afirma que “Sócrates nunca desaparecerá“. Trata-se, portanto, de um recorde. Agora, só me falta saber quanto tempo demorou a coluna vertebral de certas pessoas a degradar-se.

Popupoupismo e popudespesismo


Rui Rocha,

Um dos assuntos que nos vai entretendo neste país à beira da reestruturação da dívida plantado é o das viagens em classe económica do primeiro-ministro. Símbolo, clamam alguns. Populismo, contrapõem outros tantos. Parto do princípio que a medida, considerada isoladamente, não terá efeitos por aí além. Positivos ou negativos. E, a benefício da análise, estou até disposto a aceitar que se trata de uma decisão populista. Nesse caso, será tão populista como a construção de auto-estradas inúteis. Mas, mesmo que seja assim, temos que distinguir  uma situação da outra. O eventual populismo concretizado em viagens em classe económica não endivida o Estado de forma absurda e insustentável. As obras sumptuárias e inúteis comprometem (comprometeram) o nosso futuro. No primeiro caso, estaremos, no pior cenário, perante popupoupismo. No segundo, trata-se de popudespesismo. Em qualquer circunstância, prefiro o primeiro.

A vida no Além está pela hora da morte


Rui Rocha,

Ao que parece, a morte tem sido, para muitos compatriotas, uma experiência traumatizante. De tal modo que, chegados ao Além, têm necessidade imperiosa de medicamentos para uso psiquiátrico cujo preço varia entre os 199€ e os 299€. Pois é. A vida no Além também está pela hora da morte. Com estes preços, e não fosse o caso de os doentes já estarem mortos, ainda acabavam por morrer de susto. Menos mal que existem médicos  também já mortos que não se esqueceram de levar as vinhetas na viagem para a eternidade. Assim, mesmo depois de mortos, podem receitar o medicamento aos fiéis pacientes defuntos. É claro que a morte, tal como a vida, não é igual para todos. É fácil perceber que os juízes falecidos que continuam a receber subsídio de compensação terão mais facilidade em suportar os custos da medicação. Outros não terão essa sorte. Se comprarem os medicamentos acabam por não ter dinheiro para comer e arriscam-se a ficar mortos de fome. Talvez por isso, alguns aviam-se em vida.  Parece ser esse o  caso de Luís Silveira e de outros membros da Comissão Nacional de Protecção de Dados. Eles bem sabem que o seguro morreu de velho. E que Portugal está de morte.