A angústia do bloguista (é assim que se diz?) perante o teclado (2)


Rui Rocha,

Se Assunção Esteves não foi estudanta da Faculdade de Direito, custa-me aceitar que possa ter sido concorrenta ao cargo de Presidenta da Assembleia da República. Todavia, nada tenho a opor ao facto de ser ex-juíza do Tribunal Constitucional. Em todo o caso, depois do discurso que fez, por mim Assunção pode ser o que ela quiser. E se fizer questão disso, até direi que é uma excelente (ou deverei dizer excelenta, Excelência?) Presidenta. Agora, estou certo de que, sendo Assunção  jurista, não me obrigará a reconhecer que eu próprio sou um juristo. Da mesma forma que nunca me ouvirão tratar Cavaco Silva por Seu Excelêncio.

18 comentários em “A angústia do bloguista (é assim que se diz?) perante o teclado (2)”

  1. Levando essa lógica ao extremo, nenhuma palavra teria género.
    Não é nessas coisinhas que a igualdade de direitos entre homens e mulheres se joga.
    Não gosto da palavra “presidenta” por motivos meramente estéticos. Se não fosse tão feia, acharia bem que as senhoras que ocupam a presidência de qualquer coisa fossem apelidadas de presidentas; mas assim, prefiro-as presidentes.

  2. Devo dizer que é raro concordar com os seus posts; quer no tom, quer no tipo de raciocínio, quer nas preferências ideológicas apresentadas. Mas neste, os meus parabéns, acertou na mouche.

    ps – uma ligeira correcção: «… estou certo [de] que sendo Assunção jurista …»

    1. Carlos, agradeço a sua franqueza em relação aos meus textos e a este post. Quanto ao conteúdo dos posts, o espírito é mesmo esse: suscitar a discussão e testar argumentos. No que diz respeito ao estilo, é o que é e a minha preocupação é que seja genuíno. Tem toda a razão quanto ao “de”. Vou alterar no texto. Obrigado.

      1. E tem muita “pinta”, coisa que não me atrevo a dizer de um “presidento” no dia em que tiver de usar a expressão no masculino…

        (Também não gosto da palavra “presidenta”. Além disso, os qualificativos terminados em “e” têm a enorme vantagem de servir os dois géneros, sem privilegiar nenhum deles)

  3. É preciso lembrar que a brincadeira vocabular veio do Brasil, a propósito da “presidenta” Dilma.
    Os brasileiros têm uma relação bem mais liberal (heterodoxa) com a língua portuguesa. E a sua influência é crescente…

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