Um dos assuntos que nos vai entretendo neste país à beira da reestruturação da dívida plantado é o das viagens em classe económica do primeiro-ministro. Símbolo, clamam alguns. Populismo, contrapõem outros tantos. Parto do princípio que a medida, considerada isoladamente, não terá efeitos por aí além. Positivos ou negativos. E, a benefício da análise, estou até disposto a aceitar que se trata de uma decisão populista. Nesse caso, será tão populista como a construção de auto-estradas inúteis. Mas, mesmo que seja assim, temos que distinguir uma situação da outra. O eventual populismo concretizado em viagens em classe económica não endivida o Estado de forma absurda e insustentável. As obras sumptuárias e inúteis comprometem (comprometeram) o nosso futuro. No primeiro caso, estaremos, no pior cenário, perante popupoupismo. No segundo, trata-se de popudespesismo. Em qualquer circunstância, prefiro o primeiro.
Popupoupismo e popudespesismo
Rui Rocha,

Só será populismo, se não tiver continuidade. Mas acredito que vai ter. E é um sinal tanto mais importante quanto é certo que a regra era a de que quadros intermédios de organismos públicos e equiparados viajavam em executiva. Esperemos que, por força dos sinais ou das novas regras, todos comecemos a perceber que não podemos continuar a viver como ricos num país pobre. Talvez a consciência desta realidade seja a grande vantagem da crise.
Também penso que será assim. Até porque a situação e a própria opinião pública não permitirão outra coisa. E os sinais são de facto positivos. De momento, apenas simbólicos. Mas, face ao passado recente, já não é pouca coisa.
Tudo o que seja poupar, neste momento, é positivo, e acredito que seja para continuar.
Sem dúvida, Helena.
A medida é ou não é uma boa medida?!?
Passamos o tempo a criticar os políticos pelas mordomias que têm enquanto o povo passa fome, mas quando um político começa a abdicar dessas mordomias vozes se levantam que o criticam por ser populista. E se for? e se for por populismo? qual o mal do populismo se for algo que tenha por objectivo o levantar o do moral do povo? o dar o exemplo a outros políticos? não é esse o objectivo?
Uma coisa era ele ter prometido que tomava medidas populistas e, depois de lá estar, esquecer essa promessa (como fizeram tantos tantos outros). Outra é, até sem prometer, e depois de já ter ganho as eleições, tomar essas medidas. A mim parece positivo.
Dizem que é populista e é “fácil”. Se é assim tão populista e tão fácil porque nunca ninguém abdicou antes do mesmo?
Não só não abdicaram como envolveram o país em despesas absolutamente inúteis que são um fardo para os próximos anos, Sara.
Brilhante. Como sempre. Um abraço.
Obrigado, Javali. Um abraço.
Populismo por populismo prefiro a classe económica nas viagens aéreas europeias, aos Magalhães na Venezuela.
Liderar é dar o exemplo. Alguém pode pedir mais sacrifícios ao povo sem, pelo menos, dar o exemplo de austeridade nos seus gastos e vida do dia a dia?
Isso mesmo, Mário. E é preciso ter alguma lata para vir criticar este tipo de medidas quando o passado recente foi o que se viu.
Seja o que for, tem mérito… e pode fazer a diferença. Se o primeiro viaja em económica, todos os outros o devem fazer – ministros, assessores, deputados, e afins… tudo somado dá uma grande diferença na factura!
E, acima de tudo, fica o exemplo… finalmente, temos um bom exemplo vindo de cima!
Claro, Sónia. E o triste disto tudo é que estejamos tão carentes de bons exemplos.
Eles andam aí… 🙂
Um excelente sinal. Mais um. À atenção de certos responsáveis de empresas públicas ou ainda com ‘golden shares’ do Estado. Metro, CP, TAP, Ana, Refer, Lusa, RTP, EDP. Etc, etc.
Certo, Pedro. Se a amostra corresponder ao que vem aí, a coisa promete.
Até que enfim que alguém começa a respeitar o dinheiro dos contribuintes.
Uma pequena medida que irá certamente dar origem a grandes medidas.
Também acredito no poder do exemplo, Isabel. Resta-nos desejar que seja consequente.
Excelente, Rui. E estou como tu: se é populismo, é um populismo que não nos sai do bolso. Pelo contrário.
Mas não acho que seja. Como diz a Sara, se é uma medida tão fácil de agradar ao povo, porque é que ninguém antes o fez?
É a pergunta certa, de facto, Ana.
Continuamos a ser um País de parolos…
Se um ministro é crticado por andar de Vespa….
Que esperar duma coutada de Bestas?
NA Holanda e na Ingleterra alguem se preocupa que ministros e paralmantares andem de biciclecta?
Ha tempos um Secretario de Estadoteve honrsas de reportagem especial da SIC por vir de comboio para o ministerio!!!! é um cara…… de país onde até a marca do papel higienico se discute… um mais baratucho é demagogia anal!!
Assim vamos longe vamos!!!
Em contrapartida, investimentos absolutamente gravosos para o futuro foram acolhidos como coisas fabulosas, Amendes.
Meu caro Rui,
Populismo, ou não, o exemplo ficou.
As discussões bizantinas interessam-me pouco.
Quando se pedem sacríficios, tem de se estar pronto para dar o exemplo.
Pedro Passos Coelho, e o governo que lidera, estão a fazê-lo.
O resto interessa muito pouco.
Sem espinhas, Pedro.