Com o novo acordo ortográfico, um vintém-de-santo-antónio passará a ser um vintém de Santo António. Mas, um acordo cretino é um acordo cretino e há coisas que não mudam.
Com a devida vénia a Manuel Machado (e a Jorge Jesus)
Rui Rocha,
Com o novo acordo ortográfico, um vintém-de-santo-antónio passará a ser um vintém de Santo António. Mas, um acordo cretino é um acordo cretino e há coisas que não mudam.
Uma definição de futebol:
O futebol é o único lugar em que gosto que me enganem. O futebol são três coisas: tempo, espaço e engano.
Sobre o futebol actual:
No futebol actual não se gere o tempo, não se procuram espaços e nunca me enganam. Aborreço-me de tal maneira que tenho a sensação de que aquilo a que chamam futebol é outra coisa.
O Barcelona, um refúgio de redenção:
Digo que 99,9% dos treinadores gostariam que as suas equipas jogassem como o Barcelona. Todos gostariam de ser Guardiola. Mas, a maioria não sabe como se faz. Guardiola é mais importante do que os seus jogadores. O Barcelona não é só um Senhor que se põe na linha lateral a dizer passa e passa e passa. É um produto do treino, de ideias claras, de saber fazer-se compreender e ganhar adeptos. Quem eram Piqué, Pedro, Busquets antes de Guardiola? Nem sequer Iniesta era titular. Agora são fenómenos. É mentira que Guardiola seja quem é graças aos jogadores. Os jogadores mudam (Eto’o, Henry, Ibra, Villa) e o Barcelona já teve quatro ou cinco laterais esquerdos. O sistema é que dá sentido ao Barcelona. Tenho uma grande inveja de Guardiola. Piqué é Beckenbauer, um futebolista de talento enorme, mas duvido que outro treinador lhe permitisse jogar como Guardiola lhe permite.
Sobre Mourinho(s):
Aqui na Argentina o que temos são Mourinhos ou tipos como ele. Só pensam em ganhar e quando perdem não é culpa deles. Já os conhecemos há muito tempo. Que personagem… Tem umas grandes contradições. Um amigo meu foi há tempos ver treinos de Mou e Guardiola. Disse-me que são semelhantes. Mourinho treina muito bem. Mas, no campo, na hora da verdade, é completamente diferente. Mourinhos há muitos. Guardiola só há um. O Real Madrid pode contratar mais e mais. No final terá todos e ganhará, mas o 5-0 do clássico em Camp Nou é para toda a vida. Ponho-me a pensar e não encontro uma partida como essa. Matou Mourinho para toda a vida. No jogo do Madrid a seguir à derrota, Mourinho cagou-se. No meu bairro chamamos a isto cagar-se nas patas. Na partida seguinte vi Higuaín, Adebayor, Benzema e Kaká no banco e pensei: pode ser que ganhe, mas recontracagou-se. Foi a maior cobardia que vi numa equipa grande. E no Madrid é inaudito. O touro não o matou e o tipo fugiu e nunca mais se aproximou do touro
Uma ideia de liberdade (também) aplicada no futebol:
A liberdade não se dá a ninguém dentro de campo. Ganha-se a partir do conhecimento. No teu Jornal dás liberdade a um palerma e ele arruina-te. No campo é igual. Tens que dizer aos jogadores o que devem fazer. A liberdade que têm enquadra-se numa ideia e num sistema. Piqué não faz o que lhe dá na gana. No Barcelona não há liberdade absoluta. Há normas que permitem aos jogadores serem muito livres e muito felizes. Mas, há normas.
Sobre os reis do futebol:
Creio que houve quatro: Di Stéfano, Pelé, Cruyff e Maradona. Estamos à espera do quinto, que poderá ser Messi, ou não ser ninguém. Messi tem a vantagem de aprender, de evoluir. Mas, para lhe dar a coroa, teríamos que ver o que vale noutra equipa que não o Barcelona. Conseguir o que Maradona conseguiu no Nápoles.
* Este texto constitui um resumo e uma tradução livre da entrevista do El País a CLM, sobre o futebol e a vida, que vale a pena ler na íntegra, aqui.
António Cândido de Oliveira, professor catedrático da Escola de Direito da Universidade do Minho e investigador na área do Direito das Autarquias Locais, defende a fusão das Câmaras e Assembleias Municipais, a extinção de Municípios com menos de 5.000 eleitores e a aplicação do mesmo modelo às Juntas de Freguesia e Assembleias de Freguesia (com limiar de extinção nos 150 eleitores).
Estas propostas constituem uma boa base de trabalho. Todavia, parecem ficar aquém daquilo que, de acordo com o mesmo investigador, seriam os limiares da eficiência da actividade autárquica: 10.000 eleitores para os municípios e 300 eleitores para as freguesias. No momento actual, as propostas não devem ficar nos meios termos, em nome da manutenção de certos equilíbrios ou do temor a certas reacções. Na situação disfuncional que vivemos, esses equilíbrios já não existem. Da mesma maneira que o 13º mês já quase deixou de existir. Assim, o critério a utilizar para fundamentar qualquer proposta de revisão deve ser o da eficiência e não o do compromisso pois que este já está irremediavelmente… comprometido.
Tome-se assim o critério da eficiência e discuta-se seriamente a partir dele. E, se esse critério aponta para 10.000 e 300 eleitores, pois que se assuma como tal. Temperando-se os resultados da sua aplicação, em nome do princípio da proximidade, com um segundo critério de natureza geográfica que tome por referência uma distância máxima admissível, fixada de acordo com critérios de razoabilidade, entre uma população e a respectiva sede.
Com o novo acordo ortográfico, hemorróida vai deixar de provocar problemas de acento.
A Standard & Poor´s é a única agência de rating com preocupações sociais. Oferece o serviço standard de notação financeira, mas apoia os pobres quando estes mais precisam.
No século XX: Duarte & Companhia investigavam os crimes do Lúcifer.
No século XXI: Pinto Monteiro & Companhia investigam as agências de rating.
Com o novo acordo ortográfico, o uso de abjecção não é aconselhável em Portugal.
A onda de indignação a propósito da suspensão da linha Porto/Vigo é despropositada face às características actuais do serviço. Na verdade, o mesmo trajecto em automóvel faz-se, hoje em dia, em hora e meia. No serviço oferecido pela CP, a duração da viagem é superior a quatro horas. Não sei se a melhor solução é modernizar a linha ou encerrar definitivamente o assunto. Sei que, com as actuais características, a sua exploração é absolutamente inviável. E defender a sua manutenção, nessas circunstâncias, com fundamento na mobilidade entre as duas regiões fronteiriças só faz sentido se nos estivermos a referir a uma população de caracóis.
Com o novo acordo ortográfico, os espetadores da RTP são os que assistem aos espectáculos que o canal transmite e não aqueles que espetam aos espetadores o conceito de serviço público.
Com a queda da consoante muda prevista no acordo ortográfico, erecção vai ficar mais curta.
Ao contrário do que possa parecer, a imagem não é de uma praia de Chiclana de La Frontera nem de Zahara de Los Atunes. A bandeira é de facto espanhola, mas a praia é alentejana e situa-se na península de Tróia. Pelo visto, o objectivo é divulgar o destino junto dos turistas espanhóis. O lema da campanha promocional é Conquista o Alentejo. Existe aqui um equívoco evidente. Não são os espanhóis que têm de conquistar o Alentejo, Aguiar da Beira ou as Termas de Monfortinho. São os portugueses que devem conquistar os turistas espanhóis para os nossos destinos através da qualidade do serviço, da simpatia e do profissionalismo, de preços adequados e de campanhas promocionais ajustadas. Se assim fosse, a bandeira certa para colocar na imagem seria a portuguesa. Como prova de orgulho na qualidade da proposta e como marca distintiva de um destino genuíno reconhecido e apreciado pelos turistas espanhóis e não só. Acreditássemos nós no serviço que estamos a propor e a mensagem correcta seria vem a Portugal porque é diferente – e já agora melhor – do que Espanha. A inversão dos símbolos concretiza uma perversão da mensagem e revela uma menoridade e um provincianismo inaceitáveis. E uma confissão de ausência de outros argumentos. Queremos agradar, mas fazemo-lo da forma errada, prescindindo das nossas marcas e dobrando a espinha. Tenho a certeza de que não é isso que os espanhóis procuram quando saem de casa. Da mesma maneira que eu, quando vou ao estrangeiro, procuro tudo menos Portugal. E quando vou a Espanha procuro Espanha e não outra coisa qualquer. E estou certo, também, que jamais em Espanha se promoveria um destino local com a justaposição da bandeira de outro país.
O imposto extraordinário sobre o subsídio de natal esgota o limite de tolerância de muitos eleitores, nos quais me incluo, relativamente a medidas que assentem no princípio do saque fiscal. A partir daqui não é aceitável um Governo decidido nos impostos e com intenções tíbias na reforma do Estado e na racionalização da despesa. Neste domínio, tivemos, até ver, manifestação de intenções mais ou menos concretas. Agora, já não chega. Aceito que a medida em causa fosse indispensável face a uma situação descontrolada e relativamente desconhecida. É um benefício da dívida próprio do estado de desgraça. Que cessa no imediato momento em que se perceber que este Governo representa, devido às circunstâncias, menos do mesmo.
Com o novo acordo ortográfico, corrupção não sofre alteração.
Os troikos apresentaram o velho programa do seu novo governo. Os baldroikos oscilaram entre a sensatez de Maria de Belém Roseira e a desfaçatez dos aspirantes a substituir o Coiso. O tiroliroliro Asiss fala de injustiça. O tiroliroló Seguro está chocado. Já deviam saber que o destino dos indignados é acampar. Se possível, para os lados da Subornne (o meu francês não está grande coisa). Em Paris. Diz-se que o Coiso vai para lá estudar com uma bolsa. A nossa. Enquanto os cães ladram, a caravana atasca-se. Voltando ao balde de água fria, o debate do velho programa do novo governo trouxe coisas realmente extraordinárias. O imposto arremessado sobre o subsídio de natal constitui um momento importante que importa sublinhar. Desde logo, diz que é único. Justiça lhe seja feita, que não engana ninguém. Em 2012 já não haverá subsídio de natal sobre o qual lançar imposto. Graças ao imposto e a outros carnavais, hoje é o dia em que a classe média portuguesa acaba e entra definitivamente nas trevas da idade média. Nestas coisas há sempre aspectos positivos. Na classe média, acabaram os casamentos por interesse. Estes recém-empobrecidos farão o que sempre fizeram os velhos pobres. Na falta de dinheiro, resta-lhes unirem-se por amor. Outro aspecto de relevo é consagração do princípio do pagador pagador. Pagaremos impostos como se não houvesse amanhã. E amanhã pagaremos taxas demolidoras por todos os serviços que o Estado nos for obrigado a emprestar. O debate revelou ainda que fizemos uma boa opção nas eleições de 5 de Junho. Esta gente é mais séria. Falo sem ponta de ironia. Estes serão capazes de dizer as mentiras necessárias olhos nos olhos. Já não é pouca coisa. E o ministro das finanças, com a sua voz compassada, é o homem ideal para fazer o elogio fúnebre do país. Sim, porque importa dizê-lo. O desfecho final de tudo isto será um de vários. É, temos alternativas. É escolher entre defaults, reestruturações de dívida, saída do Euro e desvalorização da moeda, corte drástico nos salários ou sermos adoptados e subsidiados eternamente pela mãe Europa (em alemão adopção diz-se eurobonds). Uma palavra ainda para a versão portuguesa do e-coli. É um Bacílio. Horta. E uma alusão incontornável ao par de botas. São de defunto. Mas, morremos sem as ditas calçadas. Já as tínhamos hipotecado ao BES.
(ar)rest in peace