Walk the talk


Rui Rocha,

O imposto extraordinário sobre o subsídio de natal esgota o limite de tolerância de muitos eleitores, nos quais me incluo, relativamente a medidas que assentem no princípio do saque fiscal. A partir daqui não é aceitável um Governo decidido nos impostos e com intenções tíbias na reforma do Estado e na racionalização da despesa. Neste domínio, tivemos, até ver, manifestação de intenções mais ou menos concretas. Agora, já não chega. Aceito que a medida em causa fosse indispensável face a uma situação descontrolada e relativamente desconhecida. É um benefício da dívida próprio do estado de desgraça. Que cessa no imediato momento em que se perceber que este Governo representa, devido às circunstâncias, menos do mesmo.

15 comentários em “Walk the talk”

  1. A alternativa que me resta para aceitar a medida em causa é a seguinte: ou o Governo decide imediatamente a privatização da RTP – que nos leva 360 milhões de euros por ano (um milhão por dia!) – ou terei de considerar que Passos é um Sócrates II. Nem mais.

      1. Subscrevo inteiramente! Li algures que é perfeitamente possível lançar uma OPA em quinze dias. A ser verdade, toca a andar que já vai tarde!!!

  2. Já não há novidades, Rui. Nunca tive dúvida de que seria mais do mesmo. O povo que pague tudo: a crise, a recessão, os devaneios do Estado e os humores do Governo.

  3. Neste caso em concreto, eu estou disposto a dar alguma margem de manobra a este governo. Pelo seguinte:
    – o desvio na execução do orçamento não é da sua responsabilidade;
    – há urgência em corrigi-lo o mais depressa possível, e de forma pró-activa;
    – o sinal dado para o exterior é de extrema importância (será feito tudo o que for necessário para cumprir com o objectivo do défice).

    Lembro ainda que, a par do imposto extraordinário, vai ser exigido um esforço extraordinário de redução da despesa às administrações públicas durante este semestre.

    Fico surpreendido por ver tanta gente a arrepanhar os cabelos, quando as dores de parto ainda estão a começar. Entretanto, os que ganham o salário mínimo nacional (ou menos, no caso dos pensionistas) nem sabem se hão-de rir ou chorar ao ver tanto desesperero a escorrer pelas páginas dos jornais…

    1. Concordo, Sampy. E não digo que não estarei disponível para mais esforços. Sei que eles ainda virão. Apenas quero, em contrapartida, provas de que existe concretização de reformas.

  4. Rui,
    Pelo tom com que termina este post, não parece ter esgotado o seu limite de tolerância…ou então é um “esgotado tolerante”.

    Em relação ao Governo e a Passos Coleho, em particular, trata-se de “pior do mesmo”.
    Mas parece que houve Portugueses a votar em Passos Coelho só com a ideia de que ele vinha e acabava com os sacrifícios que o Sócrates – só por perfídia – nos impuna.
    Acreditem – se quiserem – que Passos Coelho assim age por imposição da troika e que o faz constrangido e contrafeito.

    1. Tenho uma noção muito próxima do que aí vem. E de que não temos grades alternativas. Reafirmo que pretendo apenas ver tanto ímpeto nos impostos como na redução da despesa.

        1. Pois então lhe digo Rui: metesse o assunto “grades” e eu era rapariga para oferecer o 13º inteirinho. De bom grado e sem mais. E posso-lho garantir um rol de amigos que fazem exactamente a mesma coisa, vai uma aposta?

  5. Esta foi a minha primeira desilusão com ppc .
    Compreendo medidas drásticas pois sei que o pais está quase em banca rota,mas conseguir tirar 7 euros a quem ganha 500,dá-me um nó.
    São sempre os mesmos a pagar a factura.

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