Coisas que só Passos Coelho sabe


Sérgio de Almeida Correia,

“O Governo acompanhará a adopção do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa garantindo que a sua crescente universalização constitua uma oportunidade para colocar a Língua no centro da agenda política, tanto interna como externamente” – do Programa do XIX Governo Constitucional.

 

“Em Portugal, deixou de haver ortografia (e sem ortografia deixará de haver língua escrita estável e coesa): este programa de Governo dita de forma definitiva a suspensão da estabilidade ortográfica, aspecto fundamental da qualidade e correcção linguísticas e um dos pilares da Educação e do acesso ao Conhecimento.

Registe-se que o programa do Governo foi escrito em ortografia e não ‘em acordografia’, apesar de todos os correctores, vocabulários, dicionários e prontuários ‘atualizados’ disponíveis (todos ligeiramente diferentes uns dos outros, é certo)“. – António Emiliano, aqui, no Público.

 

Entretanto, vou ali buscar uma cadeira para me sentar, enquanto espero que Vasco Graça Moura – sempre oportuno quando se tratava de malhar no Sócrates – e Francisco José Viegas – sempre atento aos desvios – digam alguma coisa sobre aquela trampa (sem ofensa, é claro) que ficou a constar do Programa do Governo e que ali acima se transcreveu, assim respondendo ao texto de António Emiliano.

6 comentários em “Coisas que só Passos Coelho sabe”

    1. É natural que FJV agora queira “implementar” (um belo termo, sem dúvida, para ser utilizado por um escritor e secretário de Estado da Cultura), mas eu gostava era que respondessem ao que escreveu o António Emiliano, em especial para a razão de não terem escrito o programa em “ortografês” e sobre todas as demais questões que ele coloca.

  1. À semelhança da lei da avaliação dos professores também a adopção do novo Acordo Ortográfico deveria ter sido banida – ou pelo menos repensada – com a entrada em funções deste executivo.
    Mas não, o governo ratificou a medida…

  2. Decididamente eu desconhecia que um qualquer governo de um qualquer país tivesse o “poder” de “pegar” na língua que é de todos, e por motivos que me parecem obscuros fizesse, de uma penada, todas estas alterações (que eu me recuso a adoptar).

    Entretanto, surge-me uma dúvida: tendo uma filha adolescente que em 2012 estará a frequentar o 8º ano, que devo fazer em relação a todos os livros que tenho em casa, incluindo enciclopédias? Proíbo-a de os ler para não gerar confusões com o novo acordo ortográfico a que se vai ter que adaptar? Ou deixo-a lê-los tendo em conta de que tem que ver a “antiga” ortografia como um dialecto e adaptar-se aos dois simultaneamente?

  3. Uma vez mais, manifesto-me aqui contra o aborto ortográfico. Prestando a minha homenagem ao António Emiliano pela tenacidade e qualidade e substância dos seus argumentos em defesa da correcta ortografia do nosso idioma.

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