A onda de indignação a propósito da suspensão da linha Porto/Vigo é despropositada face às características actuais do serviço. Na verdade, o mesmo trajecto em automóvel faz-se, hoje em dia, em hora e meia. No serviço oferecido pela CP, a duração da viagem é superior a quatro horas. Não sei se a melhor solução é modernizar a linha ou encerrar definitivamente o assunto. Sei que, com as actuais características, a sua exploração é absolutamente inviável. E defender a sua manutenção, nessas circunstâncias, com fundamento na mobilidade entre as duas regiões fronteiriças só faz sentido se nos estivermos a referir a uma população de caracóis.
Mobiquê?
Rui Rocha,

É a lógica do senhorio: deixar degradar e obter assim um pretexto para demolir.
É possível, José. Nesse caso, será necessário questionar os responsáveis.
Confesso que é uma notícia que me entristece. Há uns anos, já largos, dei uma volta completa a Espanha de comboio entrando pela Galiza (Vigo) e saindo pela Andaluzia (Huelva-Ayamonte).
Porto-Vigo foi precisamente a primeira etapa dessa viagem inesquecível.
Creio que a partir de determinada altura houve uma clara opção pela rodovia em detrimento da ferrovia, Pedro. Nesta altura, isso implica a condenação de uma parte significativa da rede ferroviária. Não foram feitos investimentos nas infraestruturas e agora não há dinheiro para o fazer.
Não se deve comparar os trajectos de automóvel e de comboio, pois não podemos esquecer que apesar de tudo ainda há muita boa gente que não tem carro, e pelo rumo dos acontecimentos muita mais vai haver.
Concordo, Ana. O que digo é que é condenável deixar a situação chegar a um ponto como este.
É fazer contas, por favor: http://porto.taf.net/dp/node/7850.
Segundo dados da CP, bastam 13 passageiros por comboio para tornar o serviço lucrativo…
É verdade que se trata de uma ligação de qualidade miserável, mas se mesmo assim parece que há procura, como seria com um serviço decente?
É precisamente esse o ponto, Tiago. A onda de indignação devia ser dirigida a quem geriu a CP permitindo que a situação chegasse a este ponto.
E a uma população sem veículo de transporte próprio também pode ser, não…? (ok, vai dizer que há outras formas de transporte e tal).
Não, o que digo é que a CP não fez durante anos o esforço adequado a constituir-se como uma alternativa credível. Aparentemente, os gestores e políticos responsáveis apostaram na degradação do serviço até ele ser inviável. No texto deixo em aberto a solução de modernizar o serviço. Como está é que não pode ficar.
Mal “acomparado” é como a história do TGV: No trajecto Porto/ Lisboa ganham-se uns desprezíveis 30 minutos. Mas fica sempre bem fazermos igual aos outros mesmo se eles já descobriram o fiasco da coisa!!
Não seria bem melhor estabelecer uma ponte aérea do tipo low cost entre o Norte e o Sul? E podia até ser com companhia de bandeira nacional por via das coisas.
Tanto dinheirinho mal gasto! Sim, porque a coisa não foi abandonada. Vocês vão ver.