Uma vergonha!
Rui Rocha,
Noam Chomsky é um eminente linguista. Para além disso, tem sido um crítico feroz do “imperialismo” americano e um defensor incansável de regimes indefensáveis. O regime de Chávez, na Venezuela, tem sido, naturalmente, objecto das maiores loas e encómios por parte de Chomsky. A cobertura ao chavismo acaba, todavia, de sofrer um rombo. Noam Chomsky, em carta aberta publicada num jornal venezuelano, denunciou o tratamento degradante sofrido pela juíza Maria Lourdes Afiuni no cárcere e exigiu a sua libertação. A prisão de Afiuni foi ordenada na sequência de uma decisão que tomou de libertar um banqueiro acusado de corrupção pelos chavistas. E, na Venezuela de Chávez, libertar banqueiros ou empresários é uma decisão de alto risco que se paga com a liberdade. A situação humanitária de Afiuni atingiu tal gravidade que nem o entusiasmo de Chomsky pelo chavismo o impediu de ver o óbvio. A posição de Chomsky constitui um tiro na barcaça do narcisismo-leninismo protagonizado por Chávez. É claro que restará sempre uma esquerda festiva pronta para celebrar os carnavais de Caracas. Mas o distanciamento de intelectuais como Chomsky retira ao regime qualquer chancela de validade ideológica.
Lord Voldemort Paulo Gonzo
Albus Dumbledore Prof. Pinto da Costa
Adenda às 18h30: Acabei de tomar conhecimento da morte do pai de José Sócrates. O presente post tem ímplícita uma crítica e uma ironia que considero justificadas. Todavia, face à circunstância, qualquer comentário adicional poderia ser entendido como uma falta de respeito pela situação pessoal de José Sócrates, sendo que essa não é a intenção do autor. Assim, não aceitarei novos comentários nem farei eu próprio qualquer comentário adicional.
Mário Vargas Llosa sobre Straus-Khan, no Estadão:
«Com Eduardo sabemos que temos de contar com quatro ou cinco frangos por época.»
Enrico Preziosi, Presidente do Génova.
Uma reportagem da Wired sobre o vírus criado para destruir o programa nuclear iraniano. A não perder.
![[foto de la noticia] [foto de la noticia]](http://estaticos02.cache.el-mundo.net/elmundo/imagenes/2011/07/16/comunicacion/1310801903_extras_ladillos_2_0.jpg)
Dizem-me que existem cerca de 400.000 agricultores em Portugal. De acordo com Assunção Cristas, o Ministério da Agricultura tem mais de 10.500 funcionários e de 1500 edifícios. Qualquer aluno do 12.º ano, com uma boa calculadora na mão, será capaz de afirmar, sem grande angústia, que a relação é de um funcionário para 38 agricultores e de um edifício para 266 agricultores. Não deixam de ser números surpreendentes se tivermos em conta que em Portugal existem um médico para 256 habitantes e um polícia para 222 habitantes.
Já é do domínio público que Assunção Cristas deu ordens para recolher todas as gravatas em circulação no MAMAOT. O Delito de Opinião sabe, entretanto, que a medida está a causar grande agitação no Ministério. O funcionário responsável pela recolha alegou tratar-se de uma missão de alto risco e exigiu ser protegido por um seguro de colheita. O Secretário de Estado do Mar, por seu turno, propôs a fixação de quotas de captura do bacalhau de trazer ao pescoço. Isto quando correm também rumores de que o Secretário de Estado da Agricultura pretende negociar um sistema de incentivos ao abate financiado por Bruxelas. Mais radical terá sido a posição do Secretário de Estado do Ambiente e do Ordenamento do Território: declarou o próprio pescoço zona protegida e decretou o embargo da medida. Já Daniel Campelo, Secretário de Estado de Não Sei Bem o Quê, terá mostrado receptividade à medida desde que, em contrapartida, seja assegurada a viabilidade de uma fábrica de Ponte de Lima com uma produção anual estimada de 207 gravatas. Entretanto, fontes bem colocadas mostraram convicção de que a situação será superada, até porque a própria Ministra foi a primeira a dar o exemplo e ainda não utilizou gravata uma única vez desde que assumiu funções.
O futuro é isto, Os resultados do secundário confirmam a desgraça ontem anunciada ao nível do básico. E o David Levy faz aqui uma pergunta muito pertinente.
Foi a primeira vez que me submeteram a uma intervenção cirúrgica para extracção de imposto com anestesia geral. Confesso que dói menos. Continua é a faltar a redução da despesa. Que deve ser feita a sangue frio. Como estou em convalescença, vou esperar sentado.
A notícia de que a Moody’s ameaça baixar o rating da dívida dos EUA está a causar comoção nos States. Neste momento de angústia é importante dizer aos Américas que nada devem temer. Pinto Monteiro está a conduzir uma investigação sobre as agências de rating e tenho a certeza de que a respectiva actuação não vai ficar impune. O PGR deu prioridade ao inquérito e uma decisão será certamente tomada em tempo útil.

Os resultados dos exames nacionais do ensino básico representam uma desgraça nacional. Deixando de lado o eduquês das competências e das aprendizagens, metade dos alunos não sabe um charuto de Matemática e não consegue escrever ou entender uma frase na nossa língua.
Não nos enganemos. A primeira responsabilidade por este estado de coisas é dos pais. E os pais destas crianças são os filhos do facilitismo que atravessou o final da década de 80 e a década de 90 do século XX. Fazem parte do exército dos que entraram para pseudo-universidades com notas negativas, dos que encontraram um emprego (sem nada fazerem para o merecer) na crista da onda de uma expansão económica insustentável e que, contra toda a probabilidade, foram até promovidos porque o Estado e as empresas cresceram e era preciso promover alguém. Apesar dos sucessivos choques de realidade que começam a sofrer, esses pais vêem ainda o mundo dos filhos com os olhos do facilitismo de que beneficiaram. Nada mais falso. O mundo dos filhos terá muitas e extraordinárias oportunidades. Mas, essas estarão reservadas a quem as souber merecer. E, assim, se os pais foram calaceiros impenitentes e ainda assim alcançaram o que muitos nem sequer sonhavam, os filhos terão que investir muito esforço sem nenhuma garantia de alcançarem metade daquilo que os pais esbanjaram. A mensagem em casa deveria ser a de valorizar a escola, o estudo, o trabalho e a dedicação e sim, também e no devido tempo, o lazer, os amigos, a diversão, o amor, os passarinhos da Primavera, o calor do Verão, o vento do Outono e o frio do Inverno.
A segunda responsabilidade é do sistema de ensino. Sucedem-se as reformas curriculares e organizativas e os resultados são os que vemos. A matéria é vasta e não cabe num post. Mas, esta sucessão de fracassos deixa claro que nada se melhora apenas por decreto, por programa ou por estatística. Melhorar dá muito trabalho. Melhorar um nadinha exige um tremendo esforço. E só se faz com pessoas. A par dos alunos, as pessoas mais importantes no sistema são os professores. E a qualidade média dos professores em Portugal é muito fraca. Com honrosas excepções (insisto que existem), a massa docente compõe-se de um grupo da velha guarda com práticas pedagógicas ultrapassadas e conhecimento técnico desfasado e de um grupo de jovens e menos jovens turcos que estão no ensino como podiam estar numa repartição de finanças a carimbar requisições. Neste último grupo lá os temos também, os que entraram nos cursos superiores com notas miseráveis e que hoje se dedicam a ensinar aos outros coisas que nunca perceberam. Melhorar a qualidade dos professores é fundamental. O exame de acesso à profissão é uma necessidade urgente. O sistema de ensino público não existe para dar emprego a quem quer ser professor. Existe para ensinar e por isso deve escolher quem tiver melhores condições para o fazer. O exame não é a única forma de avaliação, mas é fundamental. E a prestação de provas não devia ficar-se por aqueles que pretendem ingressar na profissão. Ao longo dos tempos, ingressaram na carreira muitos incompetentes. Também estes deviam submeter-se a exame. E não é preciso inventar muito. Basta submeter os professores aos exames e provas a que também os alunos são submetidos. Infelizmente, muitos dos professores não os saberiam resolver. E existem hoje alguns professores bem preparados no desemprego que os poderiam substituir.
Tratando-se do futuro dos nossos filhos e do país, este é um tema que gera sempre grande debate. Mas, para começar, já não seria mau que se assegurassem dois aspectos tão básicos que até dá raiva sentir-me obrigado a falar neles: que as crianças fossem para a escola com vontade de aprender e que os professores soubessem e quisessem ensinar.
E, para terminar, deixo ainda uma pergunta: com resultados tão maus, existe alguma razão para alunos e professores não passarem o mês de Julho na escola, uns a esforçarem-se por ensinar e outras a esforçarem-se por aprender?
O primeiro-ministro terá declarado que encontrou um “desvio colossal em relação às metas estabelecidas para as contas públicas”. Perante tal afirmação, o deputado Galamba desafiou Passos a “explicar o que é que o seu executivo encontrou que a troika não foi capaz de ver” nas contas públicas portuguesas. A benefício da paz de espírito estival do deputado Galamba e para que possa dedicar o seu tempo a pedir explicações sobre o que terá sucedido nos últimos 6 anos, deixo-lhe aqui, sem cobrar nada por isso, uma imagem muito nítida daquilo que Passos terá encontrado:
A submissão ao dogma da produtividade no trabalho tem, reconheça-se, o seu quê de indignidade. Justifica-se, assim, a luta contra a exploração do homem pelo homem que uma parte da esquerda incorpora na sua prática e que uma outra parte da esquerda integra, com sentido prático, no discurso. Vivemos, todavia, tempos de pragmatismo. O regresso à ideologia far-se-á oportunamente. E um dia, eventualmente, os próprios sindicatos poderão deixar de ser meros angariadores de cotizações dos filiados. Até lá, o combate contra a produtividade deve fazer-se com mais subtileza e argúcia. Atacando-se o sistema por dentro, de forma não ostensiva, mas igualmente eficaz. Uma das estratégias a que reconheço maior potencial é a de convocar reuniões. Não maçarei o leitor com certas evidências matemáticas (a produtividade da empresa ou do departamento é inversamente proporcional ao número de participantes numa reunião), mas não resisto a salientar o óbvio. Sempre que dois ou mais profissionais se reúnem existe uma elevada probabilidade de ocorrerem fenómenos que podem afectar, de forma temporária ou permante, a produtividade. Não há reunião que comece a horas, a relação entre soluções apresentadas e novos problemas insolúveis identificados em reuniões é, no mínimo, de 1 para 10, o ego de algum dos presentes impedirá sempre que se discutam as medidas mais sensatas, a falta de preparação de algum dos participantes obrigará ao esclerecimento de intermináveis pontos prévios não deixando tempo para a análise dos aspectos essenciais… Eu sei lá, tudo isto e mais aquilo que o leitor, bem mais experiente do que eu nestes assuntos, já sabe e que eu nem ouso imaginar. Para além disso, as reuniões apresentam ainda outras vantagens. Na verdade, são o local ideal para vermos gente (o leitor não está já um pouco cansado do seu trabalho solitário?), mostrarmos gráficos, sentirmo-nos importantes, utilizarmos um ponteiro, comermos umas bolachas e uns pães-de-leite com fiambre e impressionar os colegas. Isto é, as ruiniões, para além de arruinarem a produtividade, permitem ainda afagar o ego, acalmar o pequeno ditador que existe em cada um de nós e poupar no almoço. Tudo isto em horário de trabalho, pago como se fosse trabalho e sem dedução do subsídio de refeição.
Em tempo de férias, e com os bolsos com mais ar do que aquilo que seria recomendável, é sempre importante ter em conta o custo de vida em diversas cidades mundiais. Os dados da tabela foram hoje publicados pela Mercer e podem obter-se mais detalhes aqui. Tal como já aconteceu em anos anteriores, Luanda continua ser a cidade mais cara do Mundo. Nenhuma cidade portuguesa consta entre as 50 mais caras.


Estádios municipais construídos para o Euro 2004 custam 55 mil euros por dia às autarquias. Ou, se preferirmos, cerca de 20 milhões de euros por ano.