Elenco para uma saga Harry Potter de produção nacional (9)


Rui Rocha,

            

               Hedwig, a coruja mensageira         Manuela Ferreira Leite

 

Nota da realização: continua o concurso de ideias para um actor nacional para o papel de Harry Potter. Até ao momento, foram apresentadas as seguintes sugestões: Valter Lemos, Paulo Pedroso, Francisco Assis, António José Seguro, Guilherme Oliveira Martins, Cavaco Silva, Manuel Luís Goucha, Carlos Cruz, Sérgio Figueiredo e Braga de Macedo.

Peço desculpa se vos incomodo


Rui Rocha,

Perturba-me muito a morte de jovens de enorme talento. No Corno de África há 2,3 milhões de crianças que sofrem de desnutrição aguda. Destas, 500 mil estão prontas para morrer. Se a vida lhes desse uma oportunidade, algumas delas teriam, por certo, uma voz fabulosa. Outras teriam, apenas, um enorme talento para brincar e crescer. Para estas, deitar a própria vida fora não é um caminho possível. Pela simples razão de que, para elas, a sobrevivência não é uma opção.

Elenco para uma saga Harry Potter de produção nacional (8)


Rui Rocha,

                

                         Moody Olho-Louco               Boaventura Sousa Santos

 

Nota da realização: continua o concurso de ideias para um actor nacional para o papel de Harry Potter. Até ao momento, foram apresentadas as seguintes sugestões: Valter Lemos, Paulo Pedroso, Francisco Assis, António José Seguro, Guilherme Oliveira Martins, Cavaco Silva, Manuel Luís Goucha, Carlos Cruz e Sérgio Figueiredo. Em Agosto, todas as sugestões recebidas serão submetidas a votação. O leitor que sugerir o nome escolhido receberá um extraordinário link para o discurso de António José Seguro depois de eleito Secretário-Geral do PS. Entretanto, o DO assegura a todos os participantes que esta será uma eleição justa e democrática. A urna estará rigorosamente vazia no início da votação. Aqui não há chapeladas.

Where are you from?


Rui Rocha,

Rais  tinha iniciado o negócio da loja de conveniência, em Dallas, há apenas três meses. Um ano antes, deixara o Bangladesh, onde era oficial da força aérea, para estudar informática nos Estados Unidos. A loja estava situada numa zona problemática mas, aos vinte e poucos anos, Rais tinha todas as ilusões do mundo. Entretanto, em 11 de Setembro de 2001, esse mundo mudou. Alguns dias depois, a vida de Rais mudaria também. Após o atentado às torres gémeas, um emigrante paquistanês já tinha sido assassinado na sua pequena mercearia, a uns passos da loja de conveniência. Ao longo daqueles meses, a linha do horizonte sempre fora para Rais uma promessa. Agora, carregava-se de ameaças. Naquele dia, Rais cumpria o turno da manhã para poder, depois do trabalho, dedicar-se às suas orações. Às 12h30, todavia, o turbilhão da história iria desviar a sua vida do trilho da normalidade. Com a arma apontada à cabeça, Rais implorou-lhe que levasse o dinheiro e não o matasse. Foi esse o momento em que ouviu a pergunta improvável: Where are you from? Atordoado, Rais desviou ligeiramente a face para a esquerda. Mais tarde, viria a saber que foi esse gesto que evitou que ficasse cego de ambos os olhos. Nesse preciso momento, tudo o que sentiu foi a picada de um milhão de abelhas, seguida de um estouro na sua face. Dez anos depois, Mark Stroman foi executado no Texas, acusado de ter abatido duas pessoas e de ter ferido uma terceira. O único sobrevivente do tiroteio, Rais Buhyan, implorou ao Tribunal que comutasse a pena. Os seus pedidos foram sempre fundamentados no Islão, a religião que professa e que lhe ensinou a perdoar. Mark Stroman, após a sua prisão, considerou o ataque que levou a cabo um acto de guerra contra a invasão dos Estados Unidos pelo Islão. Na hora da morte, mostrou-se arrependido, apelou ao fim do ódio no mundo e pediu as graças de Deus. Tudo está mal quando acaba mal. Perderam-se três vidas, incluindo a de Mark Stroman. Rais, apesar de ter perdido um olho e uma parte da sua juventude, diz, todavia, que nunca viu o mundo com tanta nitidez. E eu digo que  Rais é a raiz a partir da qual pode construir-se um mundo diferente sobre as ruínas deste desastre.

Elenco para uma saga Harry Potter de produção nacional (7)


Rui Rocha,

                     

                          Hermione Granger                       Jorge Sampaio

 

Nota 1: Devem achar que é fácil encontrar ruivas em Portugal, não?!

Nota 2: Estou com uma certa dificuldade em escolher um actor para o papel de Harry Potter. Se tiverem sugestões, agradeço.

Caro PPC, espero que não te chames Hélio porque eu não sou Guedes


Rui Rocha,

Pelo visto, o Desvio Colossal é filho bastardo do Colosso de Rhodes. E ambos são do domínio da mitologia. Toda a gente fala deles, mas nunca ninguém os viu. A diferença é que o Colosso foi uma das sete maravilhas do mundo antigo. O Desvio é uma das primeiras trapalhadas do governo novo. Ora, só não sente quem não é filho de boa gente. E eu sou filho dos meus pais, se é que me entendem. A coisa está mal contada e pior explicada. Desvio ou não, grande ou pequeno, não é coisa que se trate como foi tratada. E no que diz respeito ao Ministro das Finanças, devo dizer que prefiro as piadas curtas. A minha paciência para explicações mirabolantes e arrastadas esgotou-se com o Valter Lemos. Neste momento, considero-me esbulhado do meu subsídio de natal e sinto-me destinatário de uma razoável falta de respeito. A complacência deu asas a Sócrates e feriu de morte o país. O melhor que pode acontecer a Passos Coelho é encontrar, desde o início, uma opinião pública exigente e que responda aos seus erros ou mentiras, se for o caso, com palavras directas e verdadeiras. Por isso, aqui estou para dizer que não gostei e que, neste momento, já não se trata de uma situação de maior ou menor tolerância. De facto, já não tenho mais nada para dar para certos peditórios. Muito menos subsídio de natal que, a mim, pelo menos, me custa muito a ganhar.

 

P.S. (salvo seja): antes que apareça por aí a brigada do socrático, convém esclarecer que os erros de Passos Coelho não desculpam ou justificam, por um momento que seja, o desastre da governação do dito cujo. E que, se Passos Coelho vier a falhar (coisa que sinceramente não desejo e não percebo como pode alguém desejar), teremos de arranjar outro/a, que jamais será Sócrates, que erre melhor ou que minta com mais respeito.

 

Adenda às 15h15: A RTP acabou de publicar o vídeo das declarações de Passos Coelho. Felizmente, o Primeiro-Ministro não falou em desvio colossal. Antes assim. Todavia, mantenho a crítica quanto à gestão do processo e da comunicação neste caso. E continuo a não perceber a falta de sintonia entre os mil milhões referidos pelo Ministro das Finanças e os 2,3 mil milhões já avançados por PPC. Se há matéria em que se deve ser claro e conciso é esta.

A urgente revisão da oferta universitária


Rui Rocha,

Tomando o Porto como referência, concluiremos que existem, num raio de 100 quilómetros, cinco Universidades públicas: a do Porto, a de Coimbra, a de Aveiro, a do Minho e a de Trás-os-Montes e Alto Douro. As cidades onde estas Universidades se localizam estão ligadas entre si por auto-estrada. Para todas existe transporte em autocarro. E entre a maior parte delas existe uma rede de transporte ferroviário.

 

Se nos dermos ao trabalho de analisar a oferta de cursos dessas instituições, será fácil concluir que existem vários  que são leccionados em todas elas. E muitíssimos existem em, pelo menos, 3 ou 4 Universidades. Ou seja, não existe uma especialização de cada uma das Universidades numa determinada área. Pelo contrário, cada uma delas parece replicar a estrutura da oferta formativa que existe nas outras.

 

A sobreposição de ofertas formativas não tem, dada a proximidade geográfica entre as Universidades e os acessos existentes, qualquer justificação. E implica a duplicação de estruturas, de corpos docentes, de suportes administrativos e de custos. Pelo contrário, a especialização da oferta permitiria escolher, para cada Faculdade, professores bem preparados. E a concentração de meios em cada uma das áreas permitiria potenciar a constituição de núcleos de conhecimento mais próximos de uma ideia de excelência do ensino superior.

 

É claro que uma medida destas teria uma forte resistência dos diversos interesses instalados. Mas, o ensino universitário público não existe para servir essas clientelas. E, também neste caso, as circunstâncias do país impõem uma abordagem racional e uma visão integradora do papel de cada uma das partes no todo que é o sistema educativo.

Capital europeia da fartura


Rui Rocha,

Jorge Sampaio, o ex-Presidente da República que ajudou a desbravar o caminho que nos trouxe exactamente até aqui onde estamos, em Além do Défice, decidiu convocar para amanhã uma reunião extraordinária  do órgão máximo da entidade que gere a Capital Europeia da Cultura do próximo ano. Na reunião será analisada “a avaliação, e suas consequências, do desempenho dos membros do Conselho de Administração da Fundação”. Entretanto, o Presidente da Câmara de Guimarães retirou a confiança à Presidente do Conselho de Administração, Cristina Azevedo. Face a estas notícias, ocorrem-me algumas conclusões:

1) Estes são tempos de factos extraordinários: reuniões, impostos, Conselhos de Ministros e sabe-se lá mais o quê. Todavia, os resultados continuam medíocres.

2) Os teóricos da motivação estão certos. Não são os salários que motivam as pessoas. Se fossem, não seria necessário convocar uma reunião para avaliar o desempenho desta gente:

“(…) salário mensal de 14.300 euros para Cristina Azevedo, presidente do Conselho de Administração, que contempla ainda carro e telemóvel. Os dois administradores executivos, Carla Morais e João Serra, auferem 12.500 euros mensais. Além disso, todos os 15 componentes do Conselho Geral, presidido pelo ex-Presidente da República Jorge Sampaio recebem 300 euros por reunião, à excepção do próprio presidente que ganha 500.”

3) Em tempos de vacas magras, a racionalização de custos e a construção de edifícios apresentam muitas semelhanças. É sempre bom começar pelas fundações.

4) Pelas alminhas, não nos metam em mais certames, provas desportivas, capitais, exposições ou eventos de âmbito europeu ou mundial nos próximos 20 anos. E, depois disso, que o primeiro a realizar-se seja Portugal – Capital Galáctica do Bom Senso. Até lá, fiquemo-nos pela Feira do Oculto de Vilar de Perdizes. Que se saiba, o ocultismo que ali se pratica nunca fez desaparecer nada que nos fizesse falta. E as mezinhas do Padre Fontes não fazem mal a ninguém.