Troikos e baldroikos, o velho programa do novo governo e outras coisas igualmente extraordinárias. E um par de botas


Rui Rocha,

Os troikos apresentaram o velho programa do seu novo governo. Os baldroikos oscilaram entre a sensatez de Maria de Belém Roseira e a desfaçatez dos aspirantes a substituir o Coiso. O tiroliroliro Asiss fala de injustiça. O tiroliroló Seguro está chocado. Já deviam saber que o destino dos indignados é acampar. Se possível, para os lados da Subornne (o meu francês não está grande coisa). Em Paris. Diz-se que o Coiso vai para lá estudar com uma bolsa. A nossa. Enquanto os cães ladram, a caravana atasca-se. Voltando ao balde de água fria, o debate do velho programa do novo governo trouxe coisas realmente extraordinárias. O imposto arremessado sobre o subsídio de natal constitui um momento importante que importa sublinhar. Desde logo, diz que é único. Justiça lhe seja feita, que não engana ninguém. Em 2012 já não haverá subsídio de natal sobre o qual lançar imposto. Graças ao imposto e a outros carnavais, hoje é o dia em que a classe média portuguesa acaba e entra definitivamente nas trevas da idade média. Nestas coisas há sempre aspectos positivos. Na classe média, acabaram os casamentos por interesse. Estes recém-empobrecidos farão  o que sempre fizeram os velhos pobres. Na falta de dinheiro, resta-lhes unirem-se por amor. Outro aspecto de relevo é consagração do princípio do pagador pagador. Pagaremos impostos como se não houvesse amanhã. E amanhã pagaremos taxas demolidoras por todos os serviços que o Estado nos for obrigado a emprestar. O debate revelou ainda que fizemos uma boa opção nas eleições de 5 de Junho. Esta gente é mais séria. Falo sem ponta de ironia. Estes serão capazes de dizer as mentiras necessárias olhos nos olhos. Já não é pouca coisa. E o ministro das finanças, com a sua voz compassada, é o homem ideal para fazer o elogio fúnebre do país. Sim, porque importa dizê-lo. O desfecho final de tudo isto será um de vários. É, temos alternativas. É escolher entre defaults, reestruturações de dívida, saída do Euro e desvalorização da moeda, corte drástico nos salários ou sermos adoptados e subsidiados eternamente pela mãe Europa (em alemão adopção diz-se eurobonds). Uma palavra ainda para a versão portuguesa do e-coli. É um Bacílio. Horta. E uma alusão incontornável ao par de botas. São de defunto. Mas, morremos sem as ditas calçadas. Já as tínhamos hipotecado ao BES.

6 comentários em “Troikos e baldroikos, o velho programa do novo governo e outras coisas igualmente extraordinárias. E um par de botas”

  1. A “Caras” subiu a parada: -Oferece um mes de férias em CUNCONA a quem descobrir o paradadeiro do dito cujo”!

    ( Os Jugulanos andam a esconder o homem!)
    Cancinha e Galamba … digam lá à gente onde está o “bicho”?
    Para nossa inveja vocês sabem… malandrecos!

  2. Julguei que a RTP é que era uma das soluções prioritárias, mais fundações, mais PPPs, mais blá blá blá… e etecétérá. Mas pelos vistos enganei-me.

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