Estais aflitos? Sem saber o que fazer? Onde cortar? Como poupar? Descansai que o irmão José António Saraiva tem a solução para tão grandes males. Por exemplo, eu que sou rapariga de grandes luxos vou imediatamente adaptar tão sábias considerações à minha vidinha de cortes e recortes e pôr em prática esta pérola: “A propósito de carro, por que não escolher sempre um modelo abaixo daquele que ‘normalmente’ iríamos comprar. Em vez de um Mercedes E, um Mercedes C; em vez de um Audi 6, um Audi 4”. Ora aí está, logo agora que com o meu chorudo subsídio de Natal tencionava adquirir esse tal de Mercedes E, irei humilhar-me a um modestíssimo Mercedes C. Uma maçada. Já em relação aos hotéis em viagem deixar-me-ei de “escolher às cegas um de cinco” estrelas. Sim, a felicidade é possível num de três ou quatro estrelas. Imagine-se. Soubesse eu de tão preciosos conselhos e teria prescindido do Moët & Chandon no dia do meu aniversário há cerca de duas semanas, já para não falar da água Vittel, Vichy ou Voss com que costumo mandar a empregada dar banho às quatro gatas cá de casa. O meu problema está mesmo na depilação, já que a proposta é que em cada cinco visitas à esteticista ou lá como lhe chamam nesses sítios da moda se reduza uma. Contudo, obstarei a este busílis recorrendo a uma técnica que foi sugerida no Facebook a propósito destas pérolas: chamuscar-me-ei nessa vez, mas com o maçarico de queimar o leite-creme para não perder o estilo. Barato e eficaz. De chamuscada não passo.
Crónica de uma poupança inusitada
cronicasnofeminino,

«Tem de ser a classe média a pagar a crise», diz JAS, sublinhando que é necessário distribuir os sacrifícios. A propósito deste tema, tinha algum interesse saber quanto é que os directores de jornais, por exemplo, já decidiram cortar nos seus próprios salários.
Isso é que é lindo. É que estes belos conselhos se destinam à classe média. Só visto. Ou lido, neste caso.
Eu li o artigo completo, e como pertenço à classe pobre e desempregada gostaria que me informassem (se souberem) quem é esta classe média a que o JAS se refere, quantos são e quanto ganham anualmente?! É que me custa a conceber que existam energúmenos destes a coexistirem pacificamente com pessoas como eu!
Tal e qual. Foi a primeira coisa que me passou pela cabeça ao ler este precioso guia do Engº Saraiva.
Imagino que o Sol vá começar a distribuir senhas de alimentação ou “roteiros para a classe média ganhar juízo e deixar de esbanjar dinheiro”.
Não percebo como é que se escreve tanta linha sem, por um segundo sequer, parar e pensar no que está a escrever…
Exactamente. A classe média é uma esbanjadora. Nem sabe o que fazer com os ordenados chorudos. Não sei em que mundo vive o JAS, mas que não é no nosso não tenho a menor dúvida.
Também gostava de saber, Ana. Este texto é um insulto à maior parte dos portugueses, nos quais me incluo, obviamente.
Em vez de férias em Cabanas porque não ir para(r) (a)o Samouco,
Ou à Praia de Alcainça…
Também estou no churrasco, Leonor.
E usas um maçarico qualquer ou um daqueles à cozinha gourmet? 🙂
Gourmet low cost, claro. Nada de pelintrices.
Ah bom. Não esperava outra coisa de ti 🙂
Párem lá com isso…hoje só me fazem rir e eu estou deprimida (por favor não interfiram no meu estado de alma).
Ainda bem que ri, css, é saudável, barato e há que aproveitar. Nunca se sabe quando e se vem por aí um imposto sobre a risada.
Isto parece saído da Maria! Até há algumas ideias inteligentes, mas o estilo é de um paternalismo ridículo…
Eu até acho ofensivo, José Maria.
Só tenho um comentário, semi-plagiado da minha avó – com tanta possidonite, só mesmo um pano encharcado nas ventas…
Acredita que até já me ri com isto. Não há paciência mesmo para gente assim.
Eh eh… eu também vou deixar de comprar cebolas Chanel e arroz Armani, já prometi a mim própria E vou prescindir do carro desportivo, fico só com os outros dois. Já agora, também talvez comece a aproveitar a maçada das filas nas reduções da Façonnable e da Fashion Clinic. Pronto, está dito, temos de nos adaptar! (que bacoquice a do arquitecto, Leonor 🙂
Temos mesmo, Laura 🙂 Uma risada pegada. Afinal o JAS é um pândego e nós não sabíamos.
Um verdadeiro piadista, como diria o saudoso Odorico Paraguaçu. Como é cagente nunçalembrou disto antes??? Umas esbanjadeiras (e eiros).
Eu não tenho maçarico do leite creme (falha imperdoável), mas posso pedir emprestado o maçarico de solda à nossa manutenção.
Só vantagens, portanto.
Não me leve a mal mas já soltei umas boas gargalhadas.
Fixo feliz por ter soltado umas belas gargalhadas, Fátima!!!! Mas deixe-me que lhe diga que acho imperdoável a falta do maçarico 🙂
Também gostava de pertencer a esta classe média!!
Ah pois…
Creio que o artigo tem matéria suficiente para qualificar o autor como um briochista. (d’aprés Marie Antoinette)
Os tempos não estão para brioches, l rodrigues. O JAS vai ter de fazer um downgrade e virar-se para as carcaças 🙂
O Saraiva é um génio maltratado.
No dia em que o compreenderem vai a ministro. Já não se arrranja outro como ele. E director de jornal ainda é mais difícil.
Estou a ver que sim, Sérgio.
Eu queria comentar mas acho que também vou fazer uma poupança: “sem palavras”.
Faz muito bem, Gi 🙂
Também esbarrei neste artigo ontem. Ainda fui a tempo de evitar a compra daqueles sapatos de 80 contos, tão bonitos…
Fez muito bem. O que seria de nós sem estes conselhos???? 🙂
Não acreditei que estes excertos fossem reais quando li o post. Agora, depois de ter lido o original, sinto-me incapaz de articular uma frase… Eu acho que esta é precisamente a causa do estado do país: a pequena parte privilegiada (e poderosa) não faz uma pequena idea de qual a realidade da MAIOR parte dos portugueses, ou seja, a mais significativa do ponto de vista estatístico. Em que país é que este senhor vive? Juro que a parte do “poupar” no equipamento da casa foi a estocada final, porque parte dos rendimentos do meu agregado familiar (ainda sou estudante, não trabalho) provém do mercado da construção civil, que está em estado comatoso há tempo suficiente para se perceber que EQUIPAR uma casa é neste momento A MENOR preocupação das pessoas. A maior parte das pessoas está preocupada em conseguir manter um TECTO sobre a sua cabeça. O sr. Jas é director de um jornal, mas o sr Jas é um iliterado, porque sabendo ler, não sabe interpretar as notícias que vem lendo nos últimos anos.
Ps.: Vou seguir a sua ideia do maçarico para fazer a depilação. Gostei. Quem sabe qualquer dia não se começam a organizar umas chamuscadas colectivas? Os textos dos Jas podem ser usados para testar a potência do maçarico 😀
Parece mentira, não é, Susana? 🙂
Umas chamuscadas colectivas parecem-me muito bem.
Ah, que maçada… já me arranjaste (tu e o JAS) meia dúzia de remorsos que me fizeram suspender a compra de um helicópterozinho que andava a namorar há uns meses. E dava-me tanto jeito… até já tinha tirado o Visa Gold da carteira.
Pronto, sendo assim lá terei de me contentar com uma asa-delta. Paciência, é pelo bem do país.
Tens a certeza de que este artigo não é humorístico???? Humor negro, sei lá…
(O teu post é que já me fez rir. Valha-nos Santo Humor!)
Rir é preciso. Deve ter sido por isso que o JAS escreveu esta coisa: dar que rir ao povo.
Mas para ser asa delta de acordo com a crise, tem de ser com um lençol velho de linho ou uma combinação da avó de renda de bilros, se não nada feito, Ana, lamento.
Pois é, tens razão. Achas que serve um vestido Valentino de seda natural, muito chique mas da colecção do ano passado, que comprei no outro dia?
Só se for dos saldos para dar um certo ar de classe média.
Comprei-o em Paris, mas juro que foi num Outlet… 🙂